Resenha

Led Zeppelin III

Álbum de Led Zeppelin

1970

CD/LP

Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

27/02/2019



Canções nobres em elaborações diferenciadas

Ao final dos anos sessenta, algumas bandas começaram a conseguir seu espaço na mídia musical; caso esse de grupos como Santana, Deep Purple, o cantor Joe Cocker e a banda inglesa Led Zeppelin, que anos mais tarde viria a ser um dos maiores grupos dos anos setenta. 
O Led teria sua forma de vida e força vital pelas mãos de um homem corpulento, agressivo, incisivo e determinado, chamado de Peter Grant; o quinto elemento do grupo. 
Grant nasceu em 1935 e vindo a falecer em 1995, mas foi o homem que trouxe ao mundo do show business toda forma de conduta notada de violência, aquisições e acima de tudo, ele realmente sabia como ganhar dinheiro e elevar uma banda ao topo. Peter Grant não somente fez com que o Led Zeppelin fosse respeitado, mas cuidou do grupo como se os jovens musicistas fossem seus filhos. Munido de armas, artimanhas e sendo dotado de uma inteligência fora do comum, Grant conseguiu deixar o Led muito a frente de seu tempo e maiores que outras bandas concorrentes ou mesmo grupos mais antigos do que eles.
Jimmy Page já era um guitarrista de renome quando se juntou a Grant e os demais da banda para formarem o que viria em ser o Led Zeppelin. John Bonham (R.I.P) foi sugerido pelo vocalista Robert Plant e John Paul Jones ingressou na banda se valendo de suas competências musicais, dotadas de virtudes totalmente impressionantes. 

A banda chegou em 69 com o debute, fez um sucesso redundante e conseguiu se firmar no cenário musical. Ao mesmo ano de 1969, acontecia nos EUA um dos maiores festivais reconhecidos ate os dias de hoje, o lendário Woodstock  '69.  Grant não permitiu que o Led fosse ao festival tocar para mais de 500 mil jovens. Ao invés, ele fez com que o grupo fosse para uma tour e a programas de TV. Parecia loucura, deixar Woodstock com mega atrações como Janis Joplin, The Who, Jimi Hendrix, entre tantos outros, para fazer uma turnê. Mas Grant tinha a visão, dizia ele para a banda e imprensa “Em Woodstock, o Led vai ser apenas mais uma banda entre tantas outras”. E queira ou não, Peter Grant estava certo, apesar da visibilidade, o Zeppelin alcançou um publico que não esteve em Woodstock e que o boca a boca faria a recomendação da banda. 

Ainda em 1969, o Led trouxe a vida o disco dois de sua carreira, com uma produção mais forte que de seu antecessor e mesmo assim ainda em nível mediano. Diria Plant algum tempo depois, “Nos apressaram em gravar o segundo álbum, queriam a banda viva na mente das pessoas”. Conversa à parte, o Led desta vez arrebentou, tanto com os fãs e como nas rádios. “Led Zeppelin II” trazia a faixa “Whole Lotta Love” em versão curta para FM, e assim o grupo teria uma atenção maior. Um outro ponto interessante e delicado, seria a investida em Page, Grant sabia do potencial musical do guitarrista e compositor e assim o deixava de certa forma comandar, mas também colocava sua visão comercial sobre o músico, por consequência deixando as coisas mais promissoras, direcionando-os ao sucesso estrondoso. No entanto, no ano seguinte, a coisa mudou um pouco de direção, o Led tinha outras pretensões e acima de tudo, pela primeira vez, mostrariam uma veia artística muito acima da compreensão dos fãs e da mídia especializada; assim também seria o primeiro puxão de orelha de Grant na banda, afinal, tudo girava em torno de dinheiro e não somente de canções e/ou arte. 

Para a gravação de “Led Zeppelin III”, Page e Plant se confinaram em uma estalagem chamada de Bron-Yr-Aur, no Pais de Gales, uma moradia datada do século 18. No local, não havia eletricidade, sendo algo bem rural mesmo, o que de fato influenciou os dois a fazerem algo acústico, na linha folk. Plant estava cansado da tour de 69 e queria sossego, e assim, o local foi de uma auto ajuda para o cantor; assim como para Page também, que entrou de cabeça na nova virtude do Zeppelin. Estando ali, em 1970, e com o compromisso de lançar mais um álbum, e assim depois de um determinado tempo afastados da civilização com um material quase pronto em termos de bases elementares, Page e Plant se juntaram com John Bonham e Jonesy – como era chamado John P. Jones -, e deram vida ao terceiro disco da banda. Eles desta vez preparam o material final em Headley Grange, uma mansão na Inglaterra, ao leste de Hampshire. 

O disco lançado em outubro de 70 trouxe uma avaliação mais ácida da critica e de fãs, sendo um diferencial sonoro na carreira do grupo. As faixas foram criadas com o formato entre folk rock e eletric folk, mas ainda assim a banda se valeu de sua veia rocker, trazendo algumas faixas mais pesadas e também um blues fenomenal. O disco nos mostra claramente o talento e a evolução acirrada dos jovens músicos, e assim, eles jogaram no mercado o que hoje em dia ficou considerado como clássico e obra importante; mas naquele momento não foi assim. Infelizmente!
Ao mesmo tempo em que o grupo estava se sentindo completo pelo novo trabalho, Peter Grant se achava preocupado, os fãs não entenderam a nova direção da banda, queriam aquele rock pesado de outrora, e assim, as vendas caíram e muito. Em termos de concertos, o Led chegou ao Japão e foi ovacionado, chegando em um dos shows a voltar ao palco por cincos vezes para o bis. Em contraponto, a banda nos EUA não era muito compreendida e, assim como na Europa, começava a dar indícios de uma queda em sua fama. Foi ai que Peter resolveu se impôr e ser autoritário com os jovens músicos do gruop. Grant sabia do valor da banda e das faixas do novo disco, mas ainda assim eles tinham que manter o interesse da gravadora e de público para chegar em algum lugar mais alto; o Led não iria despencar, não se dependesse de Grant. Led conseguiu antecipação de vendas em 1 milhão de copias para o terceiro disco, mas isso não foi suficiente, mediante as criticas e todo o restante. Page resolveu que eles não dariam entrevistas durante aquele ano e talvez nem devessem mais se preocupar com a mídia musical. Assim, o Led não faria vídeos e nem mesmo apareceria em programas televisivos, e isso seria marca registrada do grupo pela vida toda. 

O Led seguiu em frente, manteve a tour e, para o disco seguinte, vieram com a proposta que permeava no rock, hard e ainda a pegada do terceiro disco em algumas faixas o que resultou em um ótimo resultado; isso obviamente fica para outra resenha. 
Dentro do proposto pelo grupo, as canções de “Led Zeppelin III” seriam muito dignas de nota, absurdamente um álbum convidativo para quem aprecia musica de alto nível. As faixas são um deleite para o ouvinte, desde sua abertura com a sensacional, curtinha mas pesadona, “Immigrant Song”, com sua letra muito peculiar. E aí o disco transita entre vertentes mais calmas e com nuances marcadas por arranjos belíssimos com instrumentação variada e ótimo gosto. “Friends” exibe o primeiro contato com a veia diferenciada nesse terceiro disco, a faixa traz um vocal dotado de agudos e dobras que combinam com os violões marcados e permeados de batidas cheias e vigorosas. Alias, a voz de Plant foi totalmente mudada nessa empreitada, pois Page percebeu o potencial do amigo e assim fez com que Robert cantasse em tons mais altos, o que deu muito certo. “Celebration Day” vem novamente trazendo a veia rock, com swing e remetend o ouvinte a um vai e vem entre o peso e a calmaria do disco. “Since I ve Been Loving You”, o blues pesadão com a face estampada do Led e uma energia fenomenal, nos traz o Led dos dois primeiros discos. Essa faixa acabou sendo adorada pelos fãs e faz dela uma das melhores do disco e da banda ao longo da carreira. Nela, a voz de Plant e sua interpretação chegam ao ápice total, com os agudos, os gritos entre as guitarras fenomenais de Page, tudo soando absurdamente perfeito. Um outro ponto dessa canção seria o órgão de Jonesy e a bateria técnica e pesada de Bonham. “Tangirine”, curtinha e que mantem o lado acústico misturado com o elétrico, e assim, nos brindando com uma faixa de alto nível em uma sensibilidade exorbitante. “Thats The Way” é totalmente amparada pelas cordas e uma voz suave de Robert, em que nos deixa aquele gosto de estar em um local afastado, cercado pela natureza e um lago; tudo isso com muito bom gosto entre os arranjos e uma produção impecável. “Hats off to (Roy) Harper”, o cantor folk é homenageado (Roy Harper, ele faz o vocal principal na canção “Have a Cigar”, do Pink Floyd),  na faixa que termina o álbum e em que Plant impõe um vocal totalmente técnico e poderoso, passando por cima de seus próprios limites, uma obra de arte com afinações alternadas, entre violões e outros instrumentos agregados. O disco ainda mantém o ouvinte preso por tantas outras canções exibidas nele, todas com a fonte inspiradora das citadas acima, dando o brilho e complemento necessário. 

O Led seguiu como um gigante durante os anos setenta. Trouxe inovações musicais ainda mais impostas anos depois, e assim, esse ainda foi um início de muita coisa boa e diferenciada da carreira da banda. 


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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Sobre o álbum

Led Zeppelin III

Álbum disponível na discografia de: Led Zeppelin

Ano: 1970

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,18 - 14 votos

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