Resenha

Machine Head

Álbum de Deep Purple

1972

CD/LP

Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

22/02/2019



Uma experiência fascinante entre o rock, blues e o hard

A presença do Deep Purple se faz fundamental na historia da música, o  grupo marcou gerações de fãs, ávidos pelo rock, blues e hard. O catalogo inicial da banda se torna impecável, diante de tantas bandas de época e vem hoje ser tido como discografia clássica. Quando se tem em mãos um material conciso e elementos que diversificam uma obra, além logicamente de uma integração interna, se pode afirmar que você consegue realizar uma obra-prima; caso aqui do álbum “Machine Head” de 1972.
Esse título – Machine Head -, veio da ideia do baixista Roger Glover, a junção, se faz um substantivo e denomina em verdade no headstock do instrumento (parte onde ficam as tarraxas), como a borboleta de afinação, ou seja, da tarraxa. É necessário citar que, nos anos setenta, as bandas perfilavam por uma livre expressão em seus termos utilizados e se valendo de forma por vezes simples, mais de difícil compreensão no geral, - tudo relacionado em arte mesmo. 
Desde o começo de sua carreira, o grupo inglês, ainda com formação diferente do ano de 72, abordava o rock, blues e uma veia direcionada, mesmo que em menor escala do rock pesado. Haviam as influências de musica clássica com Jon Lord (R.I.P.), o eterno maestro, que tinha essa virtude, dada por sua avó no passado, em sua infância. Com o passar do tempo, a banda se tornou “agressiva” no bom sentido da palavra e assim como Led Zeppelin e Black Sabbath, trouxe uma nova sonorização ao mundo, deixando de lado os covers de The Beatles, que perfilavam seus discos iniciais e dando uma nova perspectiva para quem estava acostumado com Rolling Stones e/ou The Who; ou seja, o Deep Purple, era pesadão, inovador e, acima de tudo, barulhento para sua época. Durante a fase setentista, muitas bandas vieram a se destacar, mas o Hard Rock e os primórdios do Heavy Metal estavam ficando assim em alta, eram a preferência de muitos. Obviamente que bandas como Yes, Genesis e tantas outras, fizeram a cabeça dos jovens, mas essa modalidade musical, elevando os padrões em um peso pesado, se destacou de forma uniforme e objetiva e essa virtude fez com que outras bandas viessem a modificar sua forma de tocar, criando assim um novo estilo musical.  A metade dos anos 70 Judas Priest, Scorpions, UFO, Uriah Heep dentre os demais grupos, se valiam de elementos dentro do hard e do metal, mas ainda assim, terminantemente, algumas bandas se destacavam ainda em maior escala; caso esse do Deep Purple.
Em se tratando dos músicos, o Purple prima por uma excelência fenomenal, fora do comum. Todos muito competentes em suas respectivas funções. Roger Glover, baixista, compositor e produtor, se faz uma peça imponente dentro do grupo britânico, ele acaba por ser não somente mais um musicista e sim um pivô dentro da banda. Glover, quando toca, não tem a mesma desenvoltura que seu sucessor no Purple anos depois, o mega baixista/vocalista, Glen Hughes, mas ele mantem uma forma de tocar marcada e em “Machine Head” ele faz esse diferencial, muito consistente e peculiar por vezes.
Ian Gillan vinha de alguns discos com a banda. A desenvoltura musical do cantor, serviu de estepe para um recomeço muito acima do feito anteriormente. Gillan, diferentemente de “In Rock” acaba aqui sendo mais um vocalista completo do que um cantor de rock pesado. Seus drives neste, são colocados na medida certa, aliando sua voz ao melódico e também no que se refere às interpretações. As dobras vocais, a sutileza no momento certo e a exuberância são encontros aqui, marcados com eficiência arrebatadora e sem fronteiras. 
Jon Lord (R.I.P), o mestre e/ou como sempre dizia David Coverdale, o “Maestro” Jon Lord, seria nessa fase muito mais à frente que outrora, suas partes musicais imponentes e totalmente aliadas com uma musicalidade muito bem definida, seriam de suma importância para o disco e questão. Arranjos, melodias e acompanhamentos nesses momentos foram cruciais em todos os aspectos. As faixas se tornaram clássicas uma a uma tendo como solidez a influência direta de Lord. 
Ian Paice, um porto seguro para uma banda desenvolver as conduções sobre os ritmos estabelecidos, uma junção fabulosa. Paice remete o ouvinte em uma percussão pesada, dotada de contra-tempos e com muito swing. O disco se torna gostoso de ouvir aos fones, pois as frenéticas batidas do baterista aliadas com o instrumental, se fazem sensacionais e acima de tudo, muito além de ser apenas algumas notas encaixadas; Paice realmente denota competência muito refinada e incisiva. 
Ritchie Blackmore, nos traz um turbilhão de emoções ao ouvir esse álbum. O guitarrista com seu ouvido absoluto – uma dadiva para poucos – nos brinda com um de seus melhores desempenhos dos anos setenta. Solos, arranjos, notas para alavancar uma melodia ou dobras são totalmente bem realizadas e com uma timbragem perfeita, sem deixar nada em dever. O trabalho de Blackmore se torna perfeito, dando vida em todas as faixas, sendo coeso e brutal com a medida certa. Um espanto, diria!

A produção do disco, foi um dos pontos altos nessa empreitada. A banda gravou o álbum em estúdio móvel com equipamentos do Rolling Stones, Mobile One, isso gerou um diferencial bem peculiar. Todas as canções do disco estão sem overdubs, e foram geradas em um hotel em Mountreux. Ian Stuart, também conhecido como Stu, o sexto The Rolling Stones, comandou a empreitada, produzida pela própria banda. Tudo, em corredores de hotel, com abafadores para lá de curiosos, como colchões e também cortinas e assim por adiante. Na verdade, a gravação ficou muito acima do esperado, uma produção digna e repleta de refinamentos; quem diria!? 

Em termos de turnês e recepções “Machine Head” foi bem aventurado. Os concertos acabaram sendo registrados postumamente ao vivo no Japão, quando saiu o álbum “Made in Japan” – espetacular, diga–se. O grupo já vinha gravando e experimentando algo novo ao vivo, isso foi frequente pela Europa antes do lançamento do disco. Os elogios foram bem vangloriosos quanto ao lançamento e no Reino Unido o grupo vinculou em primeiro lugar por algumas semanas seguidas. Ate mesmo a revista Rolling Stones – que sempre foi muito acida em seus comentários com as bandas de rock, acabou cedendo espaço para elogios glamurosos. Nos EUA, o Purple chegaria em sétimo lugar e assim também permaneceria por tempos, e enfim, então a banda tinha em mãos um trabalho muito coerente e que ficaria gravado como um dos melhores discos do grupo e do rock pesado em geral. 

Em se tratando das faixas, “Machine Head” transborda qualidade impecável e notadamente tem que se absorver como um todo. As progressões neste disco são fantásticas, tudo muito coeso. “Highway Star”, Maybe Im a Leo”, “Pictures of Home”, “Never Before”, “Smoke on the Water”, “Lazy” e “Space Truckin” soam definidas como perfeitas e interagem entre o disco como em uma fonte de rock, hard e blues na medida certa, se valendo logicamente da vertente setentista que edifica todo o disco. 
Algumas curiosidades são: a faixa que ficou de fora, mais foi gravada “When a Blind Man Cries”, pois Blackmore se negava a colocar no álbum, e a fantástica “Highway Star”, que foi criada dentro do ônibus de turnê e que teve seu solo principal engenhosamente influenciado pelo compositor clássico Sebastian Bach. Outro detalhes já são conhecidos, como “Smoke on the Water” e sua letra inspirada naquele fatídico dia do concerto de Frank Zappa em Mountreux, e “Never Before”, em que outrora seria um single e acabou virando faixa oficial do disco. 

Entre tudo, o Purple concebeu uma obra de arte sem fronteiras, levando seu som, elegendo seu legado ao mundo da musica boa e de qualidade expressiva. Marcou época e ainda desfruta de uma influência exuberante nos dias atuais. Esse entra na lista dos 100 melhores discos da historia. Antes de qualquer coisa, obviamente a banda lançaria discos fenomenais anos depois, com e sem Blackmore, mas o caso aqui não e comparação e sim focar em “Machine Head” sem se ater aos póstumos ou seja, apenas desfrutar da beleza gloriosa desse petardo.


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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Sobre o álbum

Machine Head

Álbum disponível na discografia de: Deep Purple

Ano: 1972

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,91 - 16 votos

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