Resenha

Space Shanty

Álbum de Khan

1972

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

03/10/2017



Uma obra-prima da cena progressiva de Canterbury.

Quando se fala de rock progressivo, mais precisamente da cena britânica de Canterbury, não existe nenhuma dúvida de que Space Shanty, único álbum lançado pela banda Khan, é uma das obras mais relevantes e influentes desse movimento. Formada por um time de peso, o super grupo era liderado pelo grande vocalista e guitarrista Steve Hillage, além de contar em sua formação com Nick Greenwood (baixista da Crazy World of Arthur Brown), Eric Peachey (baterista da Dr. K’s Blues Band) e o tecladista Dave Stewart (músico com passagens por Uriel, Egg, Hatfield and the North e National Health).

Esse único registro contém seis faixas compostas quase que inteiramente por Steve Hillage, mas todos os quatro músicos trabalham de maneira bastante entrosada e inspirada. O álbum tem como seus principais ingredientes a guitarra de Hillage e o órgão hammond de Stewart. Embora seja um álbum em boa parte bastante metronômico, reto e seguindo um ciclo repetitivo em suas músicas, a banda também explode frequentemente em saídas instrumentais extensivas em uma interação formidável entre a dupla já citada. Um belo exemplo do início da cena de Canterbury.

Começa através da música homônima ao disco, "Space Shanty". Tem seu início que faz parecer que estamos ouvindo é o final da faixa, o vocal entra cantando de maneira tranquila. A banda então toda se junta em um tipo de rock clássico. Por volta de 1:27 acontece um excelente entrelaçamento entre órgão e guitarra. Também possui uma linha de baixo maravilhosa. Após essa parte a música entra em uma suave transição, após essa maneira mais lenta e bem cadenciada da banda, o ritmo fica mais rápido e sobre um impressionante solo de guitarra e linha de baixo dinâmica. Interessante destacar também a bateria sempre ajudando a acentuar a música. Então a música para e acontece outro maravilhoso solo de guitarra que serve como transição para o próximo trabalho de órgão que mais tarde traz a música de volta a sua melodia original, digamos assim. Uma faixa de composição extremamente sólida. Órgão, guitarra, baixo e bateria preenchem seus espaços de forma única. O álbum não poderia começar melhor.

"Stranded" começa com uma simples guitarra acústica deitada sobre a cama preparada pelo órgão. A linha vocal então surge em um ritmo ainda lento. Aqui também a linha de baixo é excelente, tudo vai caminhando tranquilamente até quando a faixa sofre uma transformação ganhando sonoridade mais enérgica liderada primeiramente por um solo curto de órgão, o baixo desempenha um papel muito importante nessa parte, pois ele define a atmosfera para o trabalho solo de guitarra, o vocal da banda volta com o mesmo tipo feito na abertura da canção. Novamente tudo está soando bastante melódico com um belo vocal e arranjo.

Agora a faixa é "Mixed up Man of the Mountains". De abertura simplesmente linda, guitarra repetida junto de um suave órgão de fundo e vocal bastante agradável logo depois entra em seu andamento com a banda desenvolvendo uma excelente melodia, cai em seguida em um clima mais silencioso, apresentando um vocal sereno além de belos trabalhos de guitarra e órgão. Logo em seguida a música entra em um ritmo mais rápido com linhas de improvisações de baixo, guitarra e órgão e um interlúdio maravilhoso. Influência extremamente jazzística. Destaque também para o coro vocal e o solo de guitarra durante a passagem final da música que é impressionante.

"Driving to Amsterdam" tem uma abertura sensacional e que mostra exatamente o que é a cena progressiva de Canterbury. Possui um trabalho de qualidade ímpar do órgão aumentada ainda mais pelo preenchimento da guitarra. A linha vocal que sucede na canção também faz um trabalho harmonioso excelente, a dupla órgão e guitarra mais uma vez são o carro chefe, sempre muito bem acompanhados por uma bateria dinâmica e imponentes linhas de baixo.

"Stargazers" começa com uma complexa combinação entre todos os quatro instrumentos, órgão, guitarra, baixo e bateria. Tudo fica mais calmo quando surge o vocal com as suas primeiras frases. Nota-se aqui novamente grande influência de jazz, mas não aquele jazz cru e tradicional da época e apresentado por músicos de décadas anteriores como Miles Davis ou Ornett Colleman, mas o jazz que continha na musicalidade de outras bandas da cena de Canterbury como Egg, Hatfield and the North e National Health. Essa faixa possui umas pontuações bastante fortes e muitos segmentos.

O álbum finaliza através de "Hollow Stone". Trata-se de uma faixa suave e de linha vocal bastante agradável. Aqui não apenas nota-se influência jazz e sem perder uma levada de rock, como também existe algo de blues. Mesmo que tocados de maneira serena, órgão e guitarra novamente possuem solos belíssimos. Uma excelente faixa pra encerrar um não menos excelente álbum.

Sem sombra de dúvida que trata-se de uma verdadeira obra-prima da cena progressiva de Canterbury. Ainda que o destaque esteja nas guitarras de Hillage e no órgão de Stewart, todos os quatro membros desempenham de maneira soberba o seu papel, as linhas de baixo de Greenwood e a bateria de Peachy se não fossem feitas da maneira que estão no álbum, o brilho não seria o mesmo. Uma pena ser daqueles álbuns pouco conhecidos e por isso não possui em catálogo quase nenhum lugar. Mas os japoneses sempre ajudam as pessoas nessa questão e tem uma versão de 2004 inclusive com duas faixas extras, onde uma trata-se da inédita, “Break The Chains”, e a outra é uma versão alternativa da faixa, "Mixed up Man of the Mountains". Sem dúvida alguma um álbum que vale cada segundo dos seus pouco mais de quarenta e seis minutos.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Space Shanty

Álbum disponível na discografia de: Khan

Ano: 1972

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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