Resenha

Moving Pictures

Álbum de Rush

1981

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

02/10/2017



Um marco para a música daquela década que começava, e que o tempo tornou um disco de importância atemporal

Sempre existem questionamentos por parte de algumas pessoas sobre o Rush ser ou não uma banda de rock progressivo. Bom, realmente nem sempre eles soam como uma banda do gênero, sendo muitas vezes um hard rock mais técnico, mas ainda assim, tem em sua discografia discos que sem sombra de dúvidas são extremamente progressivos e que hoje podem ser vistos inclusive como clássicos da vertente. 

Desde o seu álbum de estreia, Rush, em 1974, quando contava ainda com o seu primeiro baterista, John Rutsey, e que a partir do segundo daria lugar ao lendário Neil Peart, a banda foi sofrendo uma tremenda evolução em o seu som, saindo da “simplicidade” e buscando um caminho mais complexo, que vai desde os seus arranjos, musicalidade a até suas letras. Sendo o meu preferido ou não - pois não é mesmo- , é inegável que Moving Pictures é o disco mais importante do trio canadense. 

O disco abre com "Tom Sawyer". Se você se considera alguém familiarizado com o rock clássico, mas não conhece essa música, de duas uma, ou você tem que rever o conceito de familiarizado ou o rock clássico que falamos são diferentes. Esta é uma música extremamente bem trabalhada e a mais conhecida do Rush por uma razão, ela consegue equilibrar uma base de rock mais acessível, com compassos ímpares e ótima estrutura artística, tudo perfeitamente. Uma excelente faixa que nos faz cantar junto. Como curiosidade, no Brasil também ficou conhecida por conta de ser a música de abertura de "MacGyver - Profissão Perigo", seriado transmitido pela Rede Globo na segunda metade dos anos 80. Só que fica o detalhe, a Globo que fez a sua própria versão de abertura, sendo a original bem diferente da vista por aqui.

"Red Barchetta", bom, esta canção eu tenho algo pessoal com ela, me traz boas lembranças. A atmosfera é excelente, a instrumentação é maravilhosa, o solo de guitarra de Alex Lifeson quase no meio da música é simples e mágico. O trio realmente consegue criar uma canção perfeita. Sem exageros, excessos, mas principalmente, sem furos.

"YYZ" é um clássico instrumental do trio. Todos os três músicos extremamente inspirados mantendo tudo em equilíbrio. Possui feeling, virtuosismos, excelentes arranjos, entrosamento. Apesar de como dito, todos os três instrumentos serem destaque, algo que sempre me encanta aqui é a maneira furiosa que Geddy Lee conduz seu baixo.

Agora é chegada a vez de “Limelight”. Já que no começo mencionei as letras da banda, aqui trata da opinião do baterista Neil Peart sobre estar no centro das atenções. O Rush é uma banda conhecida - principalmente Peart, seu principal letrista - por meio suas letras inteligentes. Falei desta em especial apenas por ser a minha preferida (letra e não música) do álbum e quis deixar uma nota particular. Como de costume, mais uma instrumentação grandiosa. A guitarra de Lifeson realmente faz uma trilha linda.

“The Camera Eye” é a faixa mais longa do álbum, com mais de 10 minutos de duração. Inclusive, depois dessa composição, a banda não fez mais nenhuma música que ultrapassassem os 10 minutos em nenhum dos álbuns seguintes. Não há muito o que falar aqui, a não ser que eles criaram uma obra extremamente expressiva desde a sua introdução, até toda a passagem instrumental - sejam em conjunto, sejam em solos de Lifeson -, tudo soa interessante e com abundância de elementos de rock progressivo.

“Witch Hunt", está aí algo que eu não entendo, o motivo dessa faixa ser tão esquecida. Tem seu começo com Lifeson "assombrando" a peça com um riff de guitarra extremamente propício ao momento, assim como um vocal que define a canção em um tom perfeito. Bateria de Peart, sintetizadores e vocal de Lee, além, claro, do baixo que também complementa essa a peça perfeitamente, culminando em uma explosão emocional junto com as suas não menos que brilhantes letras.

O álbum encerra através de, “Vital Signs”. Em se tratando de Moving Pictures, costuma ser aquela faca de dois gumes, tem quem a considere fraca para o álbum e a quem a considere a melhor música do disco. Mas sinceramente, não a vejo como o melhor momento, mas longe de querer dizer que não cai bem. Possui uma excelente introdução com sintetizadores, um grande trabalho de guitarra jazzy por parte de Lifeson, a bateria de Peart dispensa maiores comentários e o baixo de Lee fazem uma linha musical completamente coesa e impressionante e, falando em Lee, seus vocais também merecem destaque, pois estão emotivos e únicos. 

Antes desse lançamento, a banda já tinha atingido a sua popularidade e mostrado a capacidade de criação em obras grandiosas. Mas não há dúvida alguma que nenhum álbum deu a visibilidade ao Rush no mundo da música como aconteceu em Moving Pictures, também pudera, uniram tudo em um álbum só, acessibilidade, complexidade, excelentes letras entre outros vários elementos. Um marco pra música daquela década que começava e que o tempo tornou um disco de importância atemporal.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Moving Pictures

Álbum disponível na discografia de: Rush

Ano: 1981

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,94 - 25 votos

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