Resenha

Alphataurus

Álbum de Alphataurus

1973

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

19/01/2019



Rock progressivo italiano, sinfônico, pesado e atmosférico

Esse primeiro disco autointitulado da Alphataurus é certamente um verdadeiro clássico da cena progressiva italiana da primeira metade dos anos 70. A sua música reside no lado mais pesado das coisas, mostrando influência em bandas inglesas como Black Sabbath e Deep Purple. Mas embora essa influência seja inegável, eles não deixam de mergularem dentro de tudo de melhor que o rock progressivo italiano tem a oferecer. Uma mistura muito bem dosada entre linhas sinfônicas e o heavy progressivo, deixando o resultado muito bom. Vocais dramáticos como costuma acontecer em bandas italianas, riffs pesados e obscuros encharcados de rajadas de órgão e um baixo que flui extremamente bem. Considero os vocais de Michele Bavaro  um dos mais originais do gênero, ideias inovadoras e bem fundidas com as reminiscências da Old School italiana. Vale lembrar também que também existe uma influência inglesa progressiva, mais precisamente em Emerson, Lake & Palmer. A produção mesmo sem ser exatamente espetacular, consegue realçar cada um dos instrumentos muito bem. 

“Peccato D'Orgoglio” é a faixa que abre o disco. Possui uma aura de mistério do começo até o fim. Cada um dos elementos escolhidos na música é adicionado no caminho certo. É notável o incrível acompanhamento vocal através de todos os versos em que os tons agudos e a poderosa voz de Michele Bavaro se unem para criar uma harmonia requintada. A bateria e o baixo fazem um trabalho apropriado e muito complexo e ajudam bem para o desenvolvimento da magia da música. Os arpejos de guitarra feitos por Guido Wasserman se encaixam perfeitamente com o resto do trabalho de seus companheiros sem perder sua proeminência visível. Sempre acho que uma faixa de abertura também é responsável em demonstrar ao menos o tipo de energia que será encontrada em todo o álbum, e “Peccato D'Orgoglio” faz isso muito bem. A qualidade da faixa não cai em momento algum, muito pelo contrário, apenas cresce à medida que o ouvinte vai se encontrando mais dentro dela e sua estruturas complexas durante seus cerca de doze minutos. 

“Dopo L'Uragano” começa com um breve som de trovão que é interrompido por uma suave e doce melodia, temperada por um vocal forte e bastante sentimental. Contrastando com esse ambiente mais calmo, um riff de guitarra distorcida é adicionado dando a música o poder necessário para enfrentar o furacão e o desastre deixado por ele, como sugere o nome da música. 

"Croma" não tem o ritmo pesado como as faixas anteriores, mas traz continuidade ao álbum, neste tema o trabalho do teclado é notável e faz com que as mudanças de tempo sejam mais visíveis, inclusive adicionando um avanço da última melodia da música. Esta peça adorna perfeitamente e prepara tudo para a melhor música deste disco. 

“La Mente Vola” tem início através de fade-in, no qual cada passada do teclado, aos poucos vai dando mais asas a música, uma belíssima introdução instrumental antes de abrir caminho para os vocais que servem como uma guia para uma espécie de viagem mística. Os acompanhamentos vocais feitos no primeiro tema aparecem mais uma vez. Através dos seus trabalhos de teclas, Pietro Pellegrini mostra o seu talento durante toda a música. Certamente o momento mais sublime do álbum. 

“Ombra Muta” apesar do título que carrega não é exatamente a sombra na luz, mas sim, uma faixa onde existe nela um brilho por si só. Novamente um vocal extremamente inspirado nos faz ter uma excitação. A música também contém uma das passagens instrumentais mais intrincadas de todo o disco, principalmente graças ao excelente tempero de bateria. Uma maneira magnifica de terminar o álbum. 

Com certeza é um daqueles discos onde não existe ponto fraco. Um disco melancólico de rock progressivo italiano baseado, e como já dito, em pegadas de Deep Purple e Black Sabbath, e que eles uniram ao progressivo “puro”.  Os vocais fortes e extremamente seguros são um dos pontos mais importantes a se destacar, as guitarras são responsáveis pelo peso do disco, os teclados dão quase sempre uma atmosfera densa, e o baixo sempre firme ao lado da bateria, fazem uma cozinha densa. É um claro exemplo do quão bem algumas bandas italianas trabalha com luz e melancolia ao mesmo tempo. Interessados em rock progressivo italiano, sinfônico, pesado e atmosférico em geral não devem hesitar em verificar esta joia.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Alphataurus

Álbum disponível na discografia de: Alphataurus

Ano: 1973

Tipo: CD/LP

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