Resenha

Bark At The Moon

Álbum de Ozzy Osbourne

1983

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

01/12/2018



O auge do Madman

Perder um atacante da qualidade de Randy Rhoads foi um baque no time de Ozzy, achar um do mesmo nível, seria como encontrar agulha no palheiro ou acertar a quina.
Se isso não foi possível, o Madman chegou perto, Jake E. Lee (ex-Rough Cutt e um dos fundadores do Ratt) não era um qualquer, tinha o que chamamos de : dom musical e fazia a guitarra chorar de trás pra frente e de frente para trás.
E não era só o novo "achado" que mudou em relação ao recente passado, pois Bark At The Moon ainda desfrutava a vantagem de soar mais pop, ou melhor dizendo, acessível, deixando o classicismo de lado. Os teclados de Don Airey deram uma forcinha, já que no álbum anterior ele só teve o nome creditado, mas nem chegou a tocar.

De cara a faixa título destroçou tudo, era o Ozzy Lobisomem com a corda toda, uivando ao mundo.
Jack E Lee mostra serviço nos riffs e deixa um de seus melhores solos como cartão de visita.

Os teclados de rock AOR e o baixo fretless faziam a roda girar em "You're No Different", enquanto Jack E Lee só pontuava com os licks. Trata-se de uma semi balada, e pelo sulcos do "bolachão" encontramos várias, só que as baladas do Sr Ozzy costumavam ser legais e sem muito açúcar, ao contrario das porcarias feitas na segunda metade dos anos 80.

O riff monumental de “Now You See It (Now You Don’t)”marcou uma geração junto com a grandiosa "Rock 'n' Roll Rebel" e seu refrão fantástico. Se cantor não era um primor no quesito afinação, compensava com um timbre imbatível, diferente de tudo que se ouvia na época. A letra foi um tapa na orelha dos fanáticos religiosos e o músico deixa isso bem claro no refrão, dizendo ser apenas um rebelde do rock, não um adorador do Diabo.

Assustador é a palavra que define a introdução de "Centre of Eternity" !. Aquele coro sinistro e órgão de igreja, faziam a mente viajar... Impossível não visualizar homens de túnicas negras carregando velas e adornos satânicos rumo a uma procissão infernal.
A melhor canção do disco era completa em todos os aspectos. A voz ecoando no refrão, tinha algo hipnotizante.
Como todo adolescente tonto e admirado com o tema, eu tentava impressionar a mim mesmo e os vizinhos, fazendo um "mashup" de pobre ao colocar as canções "Black Sabbath" e "Centre of Eternity" para tocarem similarmente. Uma fita em cada deck, e o resultado por mais tosco que pareça, era sinistro.

Contrabalanceando os temas, Ozzy tem seu momento Amado Batista em "Só Tired". Construída com pianos, belos arranjos orquestrados e uma letra sobre o tema : dor de corno. A melodia tinha seu valor, porem, abaixo das demais. Vamos dar um desconto ... o Madman também tem sentimentos. E parafraseando as escrituras : "Nem só de morcego vive o homem".

Alguns bangers odeiam o tecladinho de restaurante feito em "Slow Down", eu acho o maior barato, somente enriquece a música e não compromete. Do mais, temos uma cacetada do Sr Ozzy e cia, onde a proeza principal fica com o novato Jack E Lee. Se a guitarra fosse uma arma nuclear, ele botaria o mundo abaixo em 1983.

"Waiting for Darkness" encerra de forma brilhante o melhor disco de Ozzy Osbourne.
Sombria e bela, além de primar pela dinâmica, solos perfeitos e o encaixe das notas de teclados que se fundem de maneira surreal a melodia. Só não a escolho como destaque principal, porque "Centre of Eternity" está no mesmo álbum. Porem leva o meu selo de obra prima !!.

Se você é headbanger e não conhece Bark At The Moon, peça pra sair e rasgue essa camisa preta.


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Sobre Marcel Dio

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Sobre o álbum

Bark At The Moon

Álbum disponível na discografia de: Ozzy Osbourne

Ano: 1983

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,15 - 13 votos

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