Resenha

The Night Siren

Álbum de Steve Hackett

2017

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

30/09/2017



Um disco que abrange incontáveis atmosferas

Após tantos anos de carreira, Steve Hackett poderia simplesmente descansar e aposentar com a consciência tranquila em relação a sua contribuição musical para os séculos XX e XXI, deixando pra trás um legado musical que começou dentro do rock progressivo com o Genesis e depois seguiu por outros infinitos caminhos, mas sempre trilhados de maneira brilhante. Mas ele está longe de querer fazer isso, muito pelo contrário, continua a ser um dos mais produtivos músicos entre todos os que apareceram para o mundo através dos anos 70. Sendo assim, seis dias antes de completar dois anos desde o lançamento do seu último disco, Wolflight de 2015, o guitarrista reaparece em 2017 e com novidade, The Night Siren.

Gravado em diferentes países e com a colaboração de músicos de todo o mundo fazendo uso de vários instrumentos nem sempre convencionais em sua música, como sitar, tabla e gaita, com certeza é um disco de rock progressivo de um guitarrista de world music. Nota-se bastante influência dos seus últimos trabalhos, assim como o seu amor pela música clássica e pela guitarra flamenca. Um disco que abrange incontáveis atmosferas da música cinematográfica, oriental, baladas entre outras. Outro fator importante é o título do disco, que é um uma espécie de aviso dos tempos sombrios para os quais possamos está seguindo na direção se a humanidade escolher seguir no caminho da política nacionalista e da xenofobia. Mas durante o álbum, Steve Hackett, por meio de sua música, também mostra alternativas para passar por esses tempos no qual inclui a prática do companheirismo e compaixão.

Logo na faixa de abertura é dado o tom do que vai ser todo o álbum. “Behind the Smoke” traz uma mistura de arranjos de corda árabes mesclados com guitarras de metal oriental onde o músico fala sobre refugiados de países destruídos pela guerra, tendo como resultado uma faixa com bastante sentimento. “Martian Sea” sem dúvida alguma vai lembrar a era mais psicodélica dos Beatles, uso bem acentuado de sitar, ode árabe, ótimos trabalhos de guitarras e flautas sobre um baixo e bateria pesados. É uma faixa romântica que lida com alienação e um relacionamento errado. “Fifty Miles from the North Pole” é uma música que foi composta pelo guitarrista durante uma visita a Islândia, onde ele se encontrava a exatas 50 milhas do círculo polar ártico. Realmente trata-se de uma canção bastante fria e sombria, onde o trabalho de guitarra lembra os usados em alguns filmes do James Bond. Possui um ótimo coro e excelentes e suaves trombetas.

“El Niño”, peça instrumental com magníficos tambores tribais e temas orquestrais assombrosos, onde com isso, Steve Hackett e sua banda conseguem criar uma perfeita representação auditiva deste fenômeno natural muitas vezes catastrófico. “Other Side of the Wall” segue mostrando o quão globalizada que foi a confecção do disco, teve inspiração em uma visita do músico a um jardim de Wimbledon no sul de Londres durante um dia quente de verão, onde Steve Hackett e sua esposa se deparam com uma parede de tijolos e imaginaram a história se desenrolando naquela mesma localização, história sobre um casal impossibilitado de permanecerem juntos. Musicalmente apresenta um clima onírico perfeitamente adornado por camadas de melodias orquestrais e guitarra acústica. Destaque também para os vocais emotivos.

“Anything But Love” mostra que a ideia de rodar o mundo através de um álbum realmente pode ter como resultado um disco sensacional. Agora com influência espanhola com a guitarra flamenca reminiscente em Gipsy King combinadas em melodias mais pesadas. Também contem uma grande harmônica dando um clima mais “festivo” e de ótimas nuances à música. Em “Inca Terra” como é de se imaginar, a aterrissagem foi em terras peruanas. Tem percussão latina, músicas indígenas locais, berimbau brasileiro e ótima orquestra de cordas, tudo bem misturado e de resultado que a torna um verdadeiro deleite. “In Another Life” traz consigo um clima folk e vocais femininos acompanhando Steve Hackett tanto no refrão como fazendo coros isolados. Tem em sua segunda metade um crescimento na instrumentação através de forte harmonia e grande solo até terminar de maneira amena.

“In the Skeleton Gallery” foi o primeiro single do álbum, é uma composição padrão e bela, usando arranjos de cordas do Oriente Médio letras oníricas. Possui um interlúdio jazzístico seguido pelo riff pesado da guitarra de Steve Hackett. Em “West to East”, novamente além da ótima e consistente construção musical orquestral, Steve Hackett trabalhou muito bem a parte lírica, sugerindo que a guerra nunca é a resposta e a paz é o que devemos estar procurando, linda canção. O álbum finaliza com “The Gift”, onde o guitarrista mostra claramente o motivo de ser um dos mais bem dotados na história do rock quando a abordagem sugerida é a de que na guitarra muitas vezes “menos é mais”.

The Night Siren apresenta Steve Hackett tocando fortemente como sempre, junto de músicos que já o acompanham regularmente, além de convidados de várias partes do mundo que se juntaram a ele nessa celebração da diversidade e unidade multicultural. Um grande álbum e que há nele uma mensagem para a aceitação de nossas diferenças culturais nestes tempos sombrios, com cada música impulsionando o ouvinte para uma viagem musical ao redor do mundo. É como visitar vários países sem necessariamente pisar neles e ter como plano de fundo uma trilha sonora esplendorosa. Steve Hackett mais uma vez acerta em cheio.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The Night Siren

Álbum disponível na discografia de: Steve Hackett

Ano: 2017

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,67 - 3 votos

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