Resenha

A Tower Of Silence

Álbum de Anubis

2011

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

29/09/2017



Um álbum belíssimo e de narrativa extremamente condizente com sua musicalidade

A Tower os Silence é o segundo álbum dos australianos da Anubis. Como é costume da banda, a música é liderada principalmente por fortes guitarras e sintetizadores. Às vezes com assinaturas de tempos complexos e em outras vezes a melodia domina com uma progressão de acordes mais simples. O álbum possui paisagens sonoras de temas pungentes e também gloriosas e longas pausas instrumentais. A banda agracia o ouvinte com uma variação de tons tensos e menos tensos sob uma atmosfera sonora que varia o estilo entre o de bandas clássicas sinfônicas e bandas de neo progressivo.

O álbum é conceitual, onde o tema é sobre uma garota de 11 anos que viveu e morreu em um asilo para menores na Inglaterra do século 19, estando agora presa em um limbo. Então que muitos anos depois, um grupo de adolescentes invade um dos edifícios abandonados, mais precisamente na parte das enfermarias e começam uma sessão de um jogo, levando à aparição da garota, que passa a contar sua vida, morte e sua incapacidade de passar para qualquer forma de vida após a morte. O álbum pode servir como metáfora sobre qualquer tipo de aprisionamento, seja depressão, perda ou doença terminal. O tema de ser apanhado entre dois lugares no desconhecido é o conceito central. No caminho, o álbum aborda a alienação, a divisão social entre ricos e pobres e até mesmo o próprio conceito de vida após a morte.

Começa com "The Passing Bell', música que traz uma avalanche de estruturas magníficas, cheias de momentos ímpares e fluindo de maneira orgânica, abrangendo muitas ressonâncias emocionais. Particularmente, adoro a forma como a faixa muda os seus segmentos. Algumas passagens nos fazem remeter a King Crimson, outros momentos mais suaves à Pink Floyd, coros ao estilo Genesis, enfim, mas sempre soando da sua maneira e não apenas emulando esse e/ou outros grandes medalhões. Todos os instrumentos são executados de forma inspirada sob um vocal bastante emotivo. Mas vale destacar principalmente o momento em que uma guitarra gilmouriana toma a frente em um solo lindo sobre um belo piano.

"Archway of Tears" começa com um delicioso trabalho acústico, possui uns vocais limpos, apaixonados e vibrantes. Tem clara influência em bandas de neo progressivo como IQ, Arena e Pendragon. Frases acústicas casam muito bem com o Mellotron. Música de cadencia simples e de ótimo resultado final.

"This Final Resting Place" é uma música de melodia forte. Um órgão faz excelente cama de fundo. A faixa possui um som dinâmico que é gerado utilizando várias camadas instrumentais, desde o já citado órgão, aliado a outros timbres de teclas e uma guitarra poderosa. Trata-se da música do álbum com maior reflexão sobre a morte.

"A Tower of Silence", música homônima ao álbum, é uma faixa melancólica, com letras fortes sobre a tragédia da morte e do espírito que olha em silêncio para fora de sua torre, invejando os seres humanos que vivem. Inicia por meio de um piano muito bonito, a guitarra sobre um órgão exuberante também dão o tom, enquanto a percussão vai se moldando. Possui mudança de camadas de picking guitar e sintetizadores acústicos. A letra é sobre a forma que lidamos com a dor e como o tempo tem o poder de ameniza-la. É uma faixa de musicalidade bem dentro do conceito do álbum, onde sentimos a tristeza e reflexões de um espírito que está preso em uma tumba sepulcral e não é capaz de detectar os sentidos humanos. Uma canção assombrosa que tem o poder de crescer cada vez mais em quem a ouve.

A faixa mais curta do álbum é "Weeping Willow". Carrega bela musicalidade, harmonias suaves e melodia extremamente agradável, principalmente por parte dos vocais quando cantados em camadas. Também traz uma sonoridade space pontuada por uma guitarra acústica e teclados atmosféricos.

"And I Wait for my World to End" se inicia com uma sonoridade espacial e que logo dá início a um forte riff de guitarra, baixo pulsante, além da bateria enérgica em um tempo incomum. Tem uma melodia memorável em uma ponta incrível com guitarra distorcida, além de um vocal aos moldes de Roger Waters em seus momentos mais "maníaco" de cantar. O refrão gruda facilmente na cabeça. 

"The Holy Innocent" é uma música de mudança métrica com um ritmo constante. Aqui é um lamento da protagonista implorando desesperadamente por ajuda devido ao fato de não conseguir ouvir uma voz que a chame e a leve pra um lugar melhor, somente conseguindo permanecer paralisada. Possui um piano lindo unido a guitarra igualmente bela que cria uma atmosfera extremamente melancólica. A música carrega uma mistura de Porcupine Tree com IQ em determinadas partes. Sobre essa instrumentação forte, os vocais emotivos de uma personagem que está presa e enterrada pra sempre em um mundo agoniante. A música termina com um solo de saxofone simplesmente sensacional, levando a faixa para outro nível, trazendo sem sombra de dúvidas a parte mais bela de todo o álbum, transformando essa canção em um clássico da banda. A forma como o saxofone e teclado vão desaparecendo, remete um pouco ao usado pelo Pink Floyd em Money.

O álbum finaliza com a faixa "All That Is". É uma suíte dividida em três partes. A primeira, "Light of Change", tem como instrumento dominante o Mellotron, até que entram riffs mais acentuados de guitarra e uma bateria esporádica. Também possui vocais reflexivos e um órgão hammond que complementam bem a música, além de sintetizadores oníricos que conduz a faixa para a segunda parte. O segundo capítulo, "The Limbo of Infants", é a parte mais simples, possui uns vocais de boa cadência e enérgicos, pouco depois a música sofre outra quebrada pra que entre na última parte. "Endless Opportunity" finaliza a faixa e o álbum, possui ótimas entonações corais, lindas harmonias em crescente, fazendo desse final algo espiritualmente edificante. Ótimo solo de guitarra seguido de um belo coral. Tudo soa como se finalmente os anjos tivessem chegado e libertado o espírito sepultado.

Um álbum belíssimo de narrativa extremamente condizente com sua musicalidade. “A Tower of Silence” é uma peça pouco conhecida, mas com potencial de se tornar um verdadeiro clássico do rock progressivo sinfônico.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

A Tower Of Silence

Álbum disponível na discografia de: Anubis

Ano: 2011

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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