Resenha

Death Or Glory

Álbum de Running Wild

1989

CD/LP

Por: Tarcisio Lucas

Colaborador

18/10/2018



Os piratas do Metal em grande forma!

Os anos 80 definitivamente representam aquele lado mais "true" do heavy metal. Todos os estilos que se estabeleceriam dentro do gênero estavam ainda em processo de gestação durante aquela década, e hoje em dia é praticamente impossível ouvir qualquer coisa gravada naqueles tempos sem sentir toda a aura de nostalgia que acompanha as músicas daquele período.
Dito isso, cumpre dizer que ouvir esse "Death or Glory" representa uma verdadeira volta ao passado, uma viagem no tempo para uma época de cabelos estilo "mullets", muito couro, e acima de tudo, uma vontade enorme de fazer heavy metal!
A banda Running Wild se tornou famosa, entre outras coisas, por ter escolhido o tema da Pirataria - nada a ver com produtos vendidos e copiados de forma ilegal, mas sim a vida e histórias de piratas e tesouros, tanto da vida real quanto da literatura - como uma linha temática que o grupo segue, com maior ou menor frequência, até os dias atuais.
Verdade é que a banda percebeu que a temática de seus primeiros discos, que abusavam de certos conteúdos líricos satânicos não combinava em nada com o som do conjunto, logo a mudança temática foi super bem vinda, e agregou ao som da banda um elemento épico que até então não existia. 
Em "Death or Glory", o grande condutor das músicas são os riffs de guitarra, precisos, tradicionais, repletos de melodias "dobradas" (oitavadas, sextavadas e por aí vai...), um trabalho muito bem feito. Se duvida, comece a audição pela música "Evilution", e tire suas próprias conclusões.
O Running Wild é definitivamente um dos pais do Power metal, Speed Metal ou seja lá como você queira chamar isso. Ouvindo "Death or Glory" é possível ver como muitas bandas que surgiram no futuro, ou mesmo bandas contemporâneas,  beberam da influência do grupo. Conjuntos como Mob Rules, Crystal Eyes, Gamma Ray, Blind Guardian ( que surgiu mais ou menos no mesmo período), Elvenking e outros devem muito de seus sons ao Running Wild.
Vamos comentar agora algumas musicas do álbum. 
 "Riding the Storm" é uma paulada, rápida, galopante, com riffs contagiantes e um refrão que utiliza coros muito bem realizados e fortes. Não poderiam ter escolhido uma musica melhor para abrir o trabalho.
O disco segue com "Renegade", que mantém a mesma levada e clima da canção anterior, com a diferença que aqui o vocal de Rolf Kasparek realmente se destaca, sendo um misto de melodia e agressividade. O grande Hansi Kursch do Blind Guardian com certeza é um nome que nos vem a mente ao longo dessa faixa.
"Evilution" apresenta uma sucessão de momentos marcantes, uma canção realmente inspirada, assim como o título da musica em si, um trocadilho muito inteligente dentro da língua inglesa. Essa música é mais cadenciada, mais lenta, mas sem jamais perder a energia. Outro trabalho primoroso do vocalista, diga-se de passagem.
"Running Blood" possui uma introdução medieval, mas logo descamba para o metal mais tradicional possível, com excelentes resultados. Uma das melhores do disco, com certeza.
"Highland Glory (The Eternal Fight) é uma musica instrumental que traz uma temática relacionada à fantasia medieval, embora o som não tenha nada que faça referência específica a esse abordagem.
"Marroned" acelera o andamento de tudo (que chegaria até os riffs frenéticos de "Tortuga Bay"), e aí podemos entender porque esse gênero muitas vezes é chamado de Speed metal.
E aí chegamos a musica titulo, e o que temos é um exemplo claro do que é o heavy metal anos 80, em toda a sua essência.
Outras músicas se seguem, todas mantendo a qualidade e a constância das composições.
Muitas pessoas costumam criticar a qualidade da produção de "Death or Glory", mas a verdade é que, tendo em vista o registro ter sido feito em 1989, cumpre bem o papel de apresentar as características do grupo, além de destacar o talento individual de cada um dos integrantes.
Infelizmente, pelo menos aqui em terras tupiniquins, o Running Wild nunca atingiu o status de banda "major". Ainda que a banda conte com uma base de fãs fiéis, nunca atingiu a popularidade de bandas como Manowar, Blind Guardian, Saxon e, logicamente, Iron Maiden.

Trata-se de um disco perfeito? Não.
Podemos sim apontar alguns elementos não tão interessantes, como o fato da banda seguir a mesmíssima estrutura em TODAS as canções, e fato dos timbres de guitarra e o do instrumental de maneira geral serem os mesmos em praticamente todas as músicas.
Mas tudo isso é feito com tanta garra e honestidade que até mesmo esses elementos contribuem para a apreciação do petardo. 
E se hoje esse estilo de música as vezes chega a soar repetitivo ou lugar comum, é por conta de dezenas e dezenas de bandas que "copiaram" essa fórmula de conjuntos como o próprio Running Wild.

Como sempre, eu também gosto de falar sobre a parte estética e visual de cada lançamento. 
A capa é interessante, saindo dos clichês da época que usavam e abusavam de guerreiros musculosos, apresentando de forma inteligente o conceito por trás do título.
As fotos internas do lançamento apresentam a banda, e a conclusão que chegamos é que os membros do grupo realmente gostavam de couro! Todos esse elementos servem para aumentar nossa nostalgia e nossa experiência do que era a cena durante os anos 80.
Em resumo, se trata de um dos melhores lançamentos do Running Wild, e tem qualidades de sobra, de forma que nunca envelhecerá, ou antes: envelhecerá como o vinho, se tornando mais agradável a medida que o tempo passa.
Outra coisa interessante de se dizer é que ao longo dos anos a banda nunca se desviou do seu som original, assim, se você gostar desse disco aqui, existe uma grande chance de você gostar de todo o restante da discografia do grupo..

Vida longa aos piratas do Metal!



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Sobre o álbum

Death Or Glory

Álbum disponível na discografia de: Running Wild

Ano: 1989

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,42 - 6 votos

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