Resenha

English Electric

Álbum de Orchestral Manoeuvres In The Dark

2013

CD/LP

Por: Roberto Rillo Bíscaro

Colaborador Top Notch

13/10/2018



Eletricidade continua a 220

Formado em 1978 por Andy McCluskey e Paul Humphreys, o Orchestral Manoeuvres in the Dark (OMD) quase sempre teve mais membros, mas ouvintes mais casuais sempre se importaram com a dupla-fundadora. Junto com Gary Numan, Ultravox e o Human League dos Primeiros Dias, o Orchestral foi um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da síntese synthpop entre punk music e música eletrônica. O rigoroso álbum Architecture & Morality (1981) é fundamental para entender isso. A primeira faixa, The New Stone Age, espetacularmente mistura Kraftwerk com pós-punk; é uma aula para década que se abria. Lá por 84, o OMD viraria mais pop e antes do fim da década McCluskey e Humphreys ficariam de mal, reatando a parceria apenas em 2006. Em 2013, lançaram English Electric, segundo fruto dessa encarnação século XXI.

Quarenta anos depois do auge do movimento punk e do Kraftwerk, pode-se afirmar com segurança que a Cromossomo K fixou-se definitivamente no genoma do OMD: English Electric tem tudo de Kraft e nenhum resquício audível do (pós)-punk. De modo geral, o LP tematiza certo desgosto com a modernidade; prometida de um jeito, vivida d’outro não tão resplandecente de neon e abundante de tempo livre. Quem lembra dum sociólogo desses de mídia, nos 80’s, profetizando que no futuro a automação permitiria que as pessoas trabalhassem menos? Precarização, insegurança na manutenção dos postos de emprego e gente conectada ao escritório quase o tempo todo são algumas facetas desse futuro não previsto pelo esquecido (Pollyann)acadêmico. E qual sonoridade para falar de perspectivas fracassadas de futuro idealizado do que o bom e velho tecnopop oitentista? Apesar de um par de piscadas para algum truque de produção mais contemporânea, English Electric é para ouvidos mais velhos ou para a moçada que curte vintage.

É provável que o pendor de McCluskey e Humphreys por lindas melodias explique a fixação no Kraftwerk e não no agressivo (pós-)punk. Ouça a boniteza dos riffs de teclado de Night Café e Stay With Me, esse capaz de fazer montanha se avalanchar em lágrimas. Na veia de Enola Gay e Electricity, Dresden traz memorável linha de teclado pra dançar, sustentada e impulsionada por baixo potente e rebolável. Não é à toa: Andy é baixista; Paul, tecladista.

Dresden é uma cidade alemã, pátria do Kraftwerk, inspirador de German, digo, English Electric. Metroland é pura minissinfonia fase Man Machine (1978), que aliás, tem faixa chamada Metroplis. Linda. Kissing the Machine é regravação de uma canção de 1993, do Elektric Music, projeto de Paul Humphreys com Karl Bartos, ex-percussionista adivinha de qual seminal grupo eletrônico germânico? Para completar o domínio teutônico, a faixa conta com vocais de Claudia Brücken, do grupo synthpop alemão Propaganda, que fez sucesso no Brasil, em 1985-6. Paul e Claudia foram casal por vários anos.

Embora expelindo Kraftwerk pelos poros, o álbum não soa como pastiche; é só que os caras amam Kraft desde os 70’s, a música dos alemães está até nos movimentos involuntários. Mesmo assim, sobra espaço para o synth-bolero de Final Song e pra The Future Will Be Silent, onde o OMD mostra que pelo menos ouviu dubstep e trap. Mas, para oitentistas que viveram a acid house, a faixa não soará alienígena.

Entremeado de vinhetas “experimentais”, o álbum não assusta ninguém que passou pelos 80’s, afinal, os tais “experimentos eletrônicos” vinhetados já foram todos feitos. Com os timbres de teclados registrados do OMD, os vocais intocados pelo tempo (será efeito de estúdio? Estão iguaizinhos desde sempre!) e até mesmo uma personagem feminina inspiradora – Helena de Troia, no lugar de Joana D’Arc – English Electric mostrou um Orchestral Manuevres in the Dark no topo de sua forma madura.


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Sobre o álbum

English Electric

Álbum disponível na discografia de: Orchestral Manoeuvres In The Dark

Ano: 2013

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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