Resenha

Voyage Of The Acolyte

Álbum de Steve Hackett

1975

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

28/09/2017



Musicalidade fina, requintada e de extremo bom gosto

Steve Hackett é o tipo de guitarrista que agrada qualquer pessoa que goste de um estilo refinado e elegante de se tocar guitarra. Muito mais do que lembrar ou principalmente conhecê-lo como o ex-guitarrista do Genesis, todos deveriam tentar se aprofundar na obra solo do músico que construiu uma carreira de trabalhos de extrema qualidade e versatilidade, nunca se prendendo a rótulos, mas sempre soando de forma única, não importando com qual gênero esteja flertando, se com o jazz-rock, pop, rock progressivo, música brasileira, blues, violão clássico ou música erudita. O que acontece de fato é que pra Steve Hackett, pouco importa qual seja o campo musical que ele pise, no fim, ele sempre vai fazer brotar música de extremo bom gosto. 

Voyage of the Acolyte fez com que o mundo de fato conhecesse aquele músico que trabalhava muito bem no Genesis, mas que devido a sua timidez, passava despercebido em alguns momentos. Com o lançamento do seu primeiro álbum solo, foi oficialmente apresentado um dos guitarristas mais talentosos e clássicos da história do rock progressivo. Inclusive, algumas pessoas enxergam Voyage of the Acolyte como um álbum perdido do Genesis, pois seus antigos companheiros de banda, Mike Rutherford e Phil Collins fizeram parte do grupo formado por Steve, de certa forma isso faz sentido e compreendo, afinal, é uma grande parcela do Genesis juntos, mas Steve Hackett também soube usar de um tempero próprio.  

O álbum começa com "Ace of Wands, uma faixa de tirar o fôlego desde os seus primeiros segundos, onde a guitarra complexa é o selo, apoiada pela incrível bateria de Phil Collins e seu irmão John Hackett tocando flauta de forma muito mais agressiva, digamos assim, do que seu antigo parceiro Peter Gabriel fazia no Genesis. Mudanças radicais de andamento, sinos e incríveis passagens de guitarra são apenas parte dessa obra notável, a primeira música do primeiro álbum de uma longa e sólida carreira solo que estava apenas começando

"Hands of the Priestess Part I" é liderada por uma bela flauta, possui também uma guitarra em tom misterioso e assombrado, lembra o que ele desenvolveu durante sua carreira no Genesis, mas com uma abordagem totalmente nova, simplesmente deliciosa de ouvir.

“A Tower Struck Down" é outra faixa agressiva do disco, onde Mike Rutherford faz uma estrutura de baixo poderosa, apoiada por Percy Jones em um baixo extra. Novamente, há um incrível trabalho de guitarra de Steve, que em determinado momento é misturado com uma multidão gritando, explosões e outros sons que anunciam a seção final, onde o Mellotron faz o encerramento da música. 

"Hands of the Priestess Part II" é ainda mais suave do que a parte um, teclados ajudam a dar um pouco de luz no humor melancólico e sombrio do álbum, mas sem perder o mistério e tristeza, apenas 1:34 minutos de duração, mas o suficiente para fechar e complementar muito bem a parte I. Uma menção especial para John Hackett, que novamente toca sua flauta com habilidades singulares.

"The Hermit" é outra música suave e melancólica, mas desta vez, com um vocal muito competente por parte de Steve e que casa muito bem com sua incrível guitarra, este título me lembra o som que seria proeminente em  A Trick of the Tail, com uma atmosfera de tristes contos de fadas. 

"Star of Sirius" é uma faixa muito complexa, onde os vocais de Phil Collins soam melhor do que nunca, provavelmente porque ele estava soando como a si mesmo e não tentando copiar o estilo de Peter Gabriel. Inicia suave, mas de repente o teclado de John Acock anuncia uma mudança total para algo mais Jazzy e violento, onde a guitarra que faz a parede de fundo é perfeita. A música sofre novamente mudanças, indo para um estilo suave em que teclados e flautas fazem um belo casamento para em seguida levar o ouvinte a uma complexa passagem de bateria, Mellotron, teclados, além, claro, da guitarra de Steve tocando no estilo acústico sem deixar para trás sua marca atmosférica. Um verdadeiro exemplo dado na prática do significado de rock progressivo. 

"The Lovers" é uma faixa acústica, curta e que dá um descanso depois de toda a complexidade da faixa anterior e faz uma preparação para a música de encerramento. 

O álbum encerra com "Shadow of the Hierophant", um verdadeiro épico. Começa com Sally Oldfield e seus vocais cristalinos e característicos que faz com que o ouvinte viaje em variações musicais complexas e suaves. Uma passagem instrumental dramática interrompe a voz de Sally pela primeira vez por alguns segundos. Isso se repete mais outras vezes, até um momento quase psicodélico, onde toda a banda toca junta. Chegando a mais uma mudança de andamento, Steve introduz o ouvinte para a seção final da faixa, então que a partir deste momento, até o seu término, o que temos é uma sequência de mudanças e atmosferas diferentes que se complementam, de final requintado e incrivelmente dramático, com Steve tocando em seu estilo único apoiado pelo Mellotron, sinos e resto da banda. Um dos finais de música mais espetaculares que já ouvi na vida. Simplesmente sensacional.

Muitos foram os bons álbuns lançados por Steve Hackett nesses mais de quarenta anos de carreira solo, mas nenhum ainda hoje conseguiu ser tão perfeito como o seu álbum de estreia. Uma musicalidade fina, requintada e de extremo bom gosto, executada por verdadeiros profissionais. Exímio trabalho do mais produtivo músico solo vindo de uma grande banda de rock progressivo da década de 70.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Voyage Of The Acolyte

Álbum disponível na discografia de: Steve Hackett

Ano: 1975

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,9 - 5 votos

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