Resenha

Metallica

Álbum de Metallica

1991

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

23/07/2018



Deixando o passado para alcançar o topo do mundo

Antes de mais nada, é preciso reconhecer a coragem e o faro empresarial do Metallica. Não é fácil sair de zero a cem ao deixar um gênero tão cultuado como o thrash metal para trás. Custou a debandada geral dos mais xiitas, no entanto extrapolou as barreiras do rock, deixando a banda conhecida até por quem não era do meio.

A mudança deu muito certo, financeiramente o salto foi gigantesco, assim como a visibilidade e a mudança sonora calcada num heavy mais básico e por ora soando comercial. E foi aí que o Metallica experimentou os primeiros passos rumo ao mainstream, embora a faixa One do disco anterior desse pistas sobre o futuro.

Faixas em destaque :

"Enter Sandman"  - soava "redonda" entre medida exata de um rock pesado e acessível com refrões ganchudos e riff espetacular, modificado estruturalmente por Lars. Era para ter um compasso a menos, como pode ser conferido no documentário Classic Álbuns.
A timbragem da bateria e dos outros instrumentos foi outro ponto alto, tornando-se referencia no meio.
O produtor Bob Rock acertou em cheio. Era de se esperar, afinal, foram 8 meses de gravações e discussões intermináveis.

O segundo single de Black Álbum, conhecido como "Sad But True"  aproxima-se timidamente da sonoridade criada em And Justice For All. Bob Rock resgatou o som do contrabaixo, já que o mesmo foi limado no citado And Justice ... 
Anos mais tarde, Jason deu a desculpa esfarrapada sobre tocar na mesma frequência das guitarras, argumento que não convenceu nem um adolescente iniciante ao rock.

Tive a obrigação de colocar "The Unforgiven" como destaque, apesar de detesta-la, pois cansei de ouvir-la  nas rádios. Talvez a exposição exagerada tenha contribuído o desgosto. Alem do mais, tenho aversão a baladas, são poucas que me cativam.

Acordes iniciais com guitarras imitando o som de cítara, dão um ar climático e oriental a "Wherever I May Roam", ajudada com timbre peculiar de um contrabaixo de 12 cordas que Jason Newsted usou em sua introdução.
O solo de Kirk não deixa pedra sobre pedra. Engraçado observar os aspirantes do metal colocarem em cheque a sua qualidade como musico, fazendo isso até hoje.

"Nothing Else Matters" tem arranjos com suaves orquestrações feitas por Michael Kamen, alem do vocal inspirado de James Hetfield . Olhando pela ótica do fã e analisando tecnicamente, entendo que seja considerada uma ótima faixa. No entanto não consigo digeri-la. Sim, o passado thrash ainda fala alto e agora entendo porque foram tão crucificados a época, eu também pegaria a fila dos descontentes. Esse tipo de balanço choroso não faz parte do meu DNA. Enfim, gosto é gosto.
A letra fala em estar muito tempo em turnê e sentir saudades da noiva. No fundo, fala da distância, laços, essas coisas”, disse o cantor James Hetfield.

"Of Wolf and Man" é um tímido retorno ao disco Master of Puppets, principalmente pelas linhas vocais, mais cadenciada e leve que as faixas do citado disco.

"My Friend of Misery" foi a única composição de Jason para o disco e tem uma das melhores introduções de contrabaixo do rock.
Os solos de Kirk Hammett também se destacam no crescente final.

"The Struggle Within" é iniciada sobre o pesado ritmo de marcha, o rápido andamento retoma os bons tempos de um passado não tão distante e fecha bem a obra.

O sucesso de Black Album foi tanto que a banda  excursionou por quase cinco anos e só lançou outro trabalho de inéditas em 1996, com o controverso Load.
O show indicado pra curtir esse apogeu, é o excelente Live in San Diego (1992)


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Sobre o álbum

Metallica

Álbum disponível na discografia de: Metallica

Ano: 1991

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,34 - 16 votos

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