Resenha

13

Álbum de Black Sabbath

2013

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

09/07/2018



E a longa espera valeu a pena ...

A obra mais esperada do heavy metal, causou um frenesi nos fãs e alavancou altas vendas.
Toda a ansiedade não veio pelo nome Black Sabbath, e sim pelo retorno de Ozzy Osbourne, após o hiato de 34 anos com o conturbado Never Say Die. Nesse meio tempo, duas faixas inéditas feitas para o live Reunion (1998) mataram parcialmente a vontade dos fãs, ainda era pouco e os discípulos sabbathicos exigiam um disco completo de inéditas.
Desejo realizado em 10 de junho de 2013.

Na primeira reunião com os membros, o produtor Rick Rubin pegou os primeiros discos e jogou na mesa, propondo que a banda voltasse as origens mais obscuras, preferencialmente em seu primeiro registro de 1970.
Para tudo ficar perfeito, faltava Bill Ward no projeto, e por questões até hoje mal esclarecidas de ambas as partes, quem ocupou ocupou a vaga foi Brad Wilk (Rage Against the Machine e ex-Audioslave)

End Beggining é uma releitura moderna da canção Black Sabbath, os moldes são exatamente os mesmos, riff similar, linha vocal arrastado, viradas curtas e cadenciadas na bateria, mudança drástica no andamento da segunda parte, alem de ser outra canção de abertura.

A marcante e soturna God Is Dead? pode parecer repetitiva nos dedilhados de Tony Iommy, pois até os cinco minutos intercala somente entre a primeira parte e o refrão. Passado a mesmice inicial, ela começa a fluir de forma variada sobre os riffs que o guitarrista tira da cartola.
A alma blues do primeiro álbum voltou com força, mas não se trata de resgate forçado, rolando perfeitamente como uma boa jam session.

Loner tem similaridade com NIB, apesar das linhas vocais não seguirem a melodia dos instrumentos.

Em Zeitgeist a percussão esta de volta, assim como o solo acústico com as "límpidas" frases de blues / jazz e as vozes carregadas de efeitos, assim como a irmã mais velha, conhecida como Planet Caravan.
A letra é sobre o sinal dos tempos, como se alguém narrasse a tragédia anunciada em um plano maior, lá do alto ...

Após Zeitgeist, voltamos a normalidade com Age of Reason - essa, construída com o peso absurdo dos graves e a participação perfeita de Brad Wilk - aniquilando tudo com viradas e levadas cheias de contratempos na intrincada parte do segundo refrão.

Live Forever é outro ponto forte em 13. Cheguei a tocar sua linha de contrabaixo em uma banda (nada muito profissional). O curioso é que o andamento engana bem, a tendencia é que a bateria adiante sobre o tempo, oscilando e levando por tabela o resto dos instrumentos.

Damage Soul é puro blues setentista, oriundo das centenas de bandas hard blues/psicodélico nascidas junto com o Sabbath, o diferencial se encontra no timbre único e cavernoso do Madman.

Uma certa dose de impaciência pega em Dear Father, não por ser ruim e sim pela similaridade com outras faixas e a longa e desnecessária duração. Se fechasse com 5 minutos, estaria de bom tamanho. 
Nos segundos finais temos a introdução da sinistra Black Sabbath, com direito a barulho de chuvas, sinos e trovões, dando a entender que o ciclo dos criadores do heavy Metal foi fechado.

As faixas bônus de 13 estão quase no mesmo patamar das titulares e saíram em uma edição especial, mas não entrarei no assunto, digamos a grosso modo, que o melhor está aqui mesmo.
A contestada produção de Rick Rubin não compromete tanto como dizem, conseguindo o mais importante: fazer os caras voltarem as origens. E isso foi bom para todos, inclusive a Rick, no caso, obrigado a sair do piloto automático e pôr a mão na massa. Nos últimos anos o produtor usava somente o nome e esquecia o resto.

Gostem ou não, toda a essência dos primórdios foi captada em 13.
E sem deixar a modernidade para escanteio, uma combinação entre o passado e o futuro, na dose exata.


Nota: As publicações de textos e vídeos no site do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do respectivo autor



Comentários

Faça login para comentar

IMPORTANTE: Comentários agressivos serão removidos. Comente, opine, concorde e/ou discorde educadamente.

Lembre-se que o site do 80 Minutos é um espaço gratuito, aberto e democrático para que o autor possa dar a sua opinião. E você tem total liberdade para fazer o mesmo, desde que seja de maneira respeitosa.



Sobre Marcel Dio

Nível: Colaborador Sênior

Membro desde: 14/03/2018

"Sou um amante da música, seja em qualquer estilo, rock, blues, jazz ou pop."

Veja mais algumas de suas publicações:

  • Image

    ResenhaBiquini Cavadão - Escuta Aqui (2000)

    20/04/2022

  • Image

    ResenhaRobby Krieger - No Habla (1989)

    04/11/2020

  • Image

    ResenhaMarillion - Fugazi (1984)

    16/03/2018

  • Image

    ResenhaRondellus - Sabbatum: A Medieval Tribute to Black Sabbath (2003)

    30/08/2018

  • Image

    ResenhaScorpions - Eye II Eye (1999)

    17/12/2018

  • Image

    ResenhaYes - Union (1991)

    16/09/2020

  • Image

    ResenhaStanley Clarke - School Days (1976)

    11/08/2021

  • Image

    ResenhaEZO - Fire Fire (1989)

    25/10/2020

  • Image

    ResenhaJudas Priest - Stained Class (1978)

    12/03/2019

  • Image

    ResenhaDarchitect - Mechanical Healing (2017)

    19/10/2021

Visitar a página completa de Marcel Dio



Sobre o álbum

13

Álbum disponível na discografia de: Black Sabbath

Ano: 2013

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,19 - 13 votos

Avalie

Você conhece esse álbum? Que tal dar a sua nota?

Faça login para avaliar

Veja mais opiniões sobre 13:

  • 12
    jan, 2021

    Continuando a maldição

    User Photo Fábio Arthur

Visitar a página completa de 13



Continue Navegando

Através do menu, busque por álbums, livros, séries/filmes, artistas, resenhas, artigos e entrevistas.

Veja as categorias, os nossos parceiros e acesse a área de ajuda para saber mais sobre como se tornar um colaborador voluntário do 80 Minutos.

Busque por conteúdo também na busca avançada.