Resenha

On The Threshold Of Eternity

Álbum de Ajalon

2005

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

27/07/2022



Mesmo com uma melhoria em relação ao disco de estreia, On The Threshold Of Eternity ainda mostra em grande parte, peças pouco memoráveis e sem brilho

O primeiro disco da banda é muito ruim e deixei isso bem claro na resenha dele que fiz aqui para o site. Mas e em relação a On The Threshold Of Eternity, segundo álbum e lançado 9 anos após o disco de estreia? É um bom disco? Não exatamente, mas não vou negar que ele entrega algumas coisas mais interessantes. Mais uma vez, a banda faz um som pouco ambicioso e, em boa parte, desinteressante, mas a combinação de uma melhor execução instrumental, aliada a alguns músicos convidados, fez com que a banda, ainda que discretamente, desse um passo adiante. As letras é uma pregação ainda maior do que aconteceu antes, mas em todos os outros aspectos possíveis, a banda demostrou ter sofrido uma boa atualização. 

“Anthem of the Seventh Day” inicia o disco trazendo com ela uma sensação celta. Muito diferente, é uma peça instrumental que não diz quase nada sobre o que ocorrerá no restante do disco, mas de qualquer forma, se trata de uma música bonita. “The Promised Land” começa com voz e um violão sutil. Mesmo quando os demais instrumentos se juntam, é uma leveza que permeia por toda a faixa. Em termos de letra, ela seria mais adequada para uma aula de catecismo. “Sword of Goliath” tem no seu início um sintetizador irritante, mas que ao ir embora, alivia a música que passara ter uma progressão de acordes tranquilas e de atmosfera otimista. O refrão é simples e agradável - se não levarmos em conta que liricamente é banal -, além de possuir uma vibe 80’s.  

“Holy Spirit Fire”, no que diz respeito a ser cativante, considero essa faixa o ápice do disco - até mesmo liricamente ela entrega algo mais interessante. Impossível não lembrar de “That Way it Is” do Bruce Hornsby, pois as linhas de pianos soam muito parecidas, talvez isso seja um ponto fraco, porém, mesmo assim, ainda cativa. “Psalm 61”, como o nome sugere, segue uma linha de ideia que artistas cristãos costumam compartilhar, pegar um salmo da Bíblia, onde, usando palavra por palavra, criam a letra de sua música. Embora eu ache esse tipo de música bastante difícil de ouvir, admito que a ideia da banda de colocar as letras na forma cristã contemporânea até que a deixou mais fácil. A música em si é muito otimista, com muita guitarra acústica, além de uma boa harmonia vocal.  

“What Kind of Love” inicia por meio de uma abertura vocal que lembra um pouco o Yes (fase Trevor Rabin). Após mais uma sequência musical simples e direta, há a entrada de uma linha instrumental mais complexa como ainda não havia acontecido no disco. O trabalho de sintetizador é de alto padrão, lembrando muito Rick Wakeman, até porquê era o próprio fazendo uma excelente participação na peça. “The Highway” segue a linha de um disco que embora não há quase nada que o comprometa de forma grave, raramente empolga. Novamente apresenta alguns vocais e instrumental agradáveis, mas que não desperta a vontade de ouvir de novo.  

“Forever I Am”, novamente tem o seu palco preparado por meio de violão. Aqui os vocais parecem estar meio ofegantes, seguindo de forma desajeitada por cima de piano e baixo. O refrão consegue direcionar a peça para um caminho melhor, mas não muito forte. Desta vez, nem Wakeman conseguiu colocar um brilho extra, pois apesar de inicialmente seus metais sintetizadores parecerem apropriados, na prática soam fora do lugar. Com os seus mais de 10 minutos – sendo a segunda maior peça do disco -, pode até ser um dos maiores exemplos de rock progressivo dentro do álbum, mas ao mesmo tempo, é um dos momentos mais esquecíveis. Não é completamente ruim, mas desaponta diante do que inicialmente parecia oferecer. 

“On the Threshold of Eternity” é o épico do disco, que por meio dos seus cerca de 16 minutos, encerra o álbum. Os vocais ficam por conta de Neal Morse, convidado mega especial. É a mais progressiva de todas – mas igualmente como ocorreu com a anterior, tem falhas que poderiam facilmente ser evitadas. Possui inúmeros trabalhos de teclados no seu início, mas não demora muito para se tornar uma faixa mais pacífica, com um piano solitário e vocal sombrio. Quase todas as seções vocais são lentas, um verdadeiro desperdício ter Morse em uma música desse tamanho e só acioná-lo nesses momentos, o que acaba virando um problema, pois arrastam a peça, transformando assim, o que deveria ser um registro inspirador e esperançoso em algo sonolento e cansativo.  

On The Threshold Of Eternity não é um álbum bom, mas também não soa decepcionante como o disco de estreia, possui boas melhorias, porém, ainda há muitas composições sem brilho algum, além de uma temática cristã mais forçada ainda, o que pra mim, é um tiro no pé.   


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

On The Threshold Of Eternity

Álbum disponível na discografia de: Ajalon

Ano: 2005

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 2,5 - 1 voto

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