Resenha

Accountable Beasts

Álbum de Bill Ward

2015

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

22/07/2022



Arte ou lixo? Faça a escolha!

Quando o assunto é Bill Ward e Geezer Butler a imprensa não dá muito enfoque. Bem, os discos solos de Geezer são meio chatos. No caso de Bill Ward é diferente, captura ideias aonde nem escavadeira ou detectores de metais encontram. 
É bom deixar claro, Bill aprontou uma obra totalmente fora do tom, ainda que a produção seja um fiasco. Se querem saber é bom mesmo assim, surpreendentemente carrega o pântano do doom com especiarias longe de pratos conhecidos. Realmente é um trabalho estranho em que as sensações dobram o cérebro, por ora pode-se achar uma merda gravada em garagem, por outra o lado menos padronizado diz que é genial. 
Certo que é mais pesado que os anteriores. Dependendo do conceito não temos mérito nem demérito nisso, First Day Black por exemplo ? quase alienígena a caminhar sobre nossa passarela.
Os vocais de Bill remetem ao homem de preto ao final de carreira, leia-se: Johnny Cash. 
O instrumental a grosso modo engloba o doom e o próprio pai Black Sabbath, o que muda são os entornos pra lá de esquisitos e legais.
Individualmente o resenhista tem uma escala lógica para notas, se por espécime pegarmos um Master of Reality - traçaremos uma avaliação entre quatro e cinco estrelas. Com Accountable Beasts a percepção expande, se disserem que o disco tem ares de fossa sem tampa ... bom, não dá para aponta-los como loucos, se disserem que é genial a opinião também tem sentido.
Certo que Bill Ward vem trabalhando no álbum desde 2008. 
Não consegui decifrar quem canta em cada faixa, pois além de Bill temos Keith Lynch, e, convenhamos que ambos não são grandes "coisas" cantando. 

A abertura com "Leaf Killers" já causa estranheza pela densidade e pianos de fundo, também vozes estranhas na escola Paul Chain e Coven. 
Quase como emenda a faixa título surge, harmonicamente não distancia de "Leaf Killers", só o tempo acelerado em alguns momentos. 
Melancólico e perturbador - vamos adiante com "Katastrophic World", com mais sentido em bandas como Saint Vitus (um dos filhos sabbathicos espalhados pelo mundo). 
"Katastrophic World" mantem-se até o meio tempo e dispara numa sequencia especial de guitarras e frases incríveis no contrabaixo de Paul Ill. Uau!!, totalmente fora de padrão, e que bom ouvir isso, esse é o sentimento!

"D.O.T.H." inverte os papeis, teclados funcionam como riffs enquanto a guitarra vai a outro setor. Soa repetitiva mesmo com as seis cordas usando semi-improvisos.

"First Day Back" tem vocal sofrível. Lembra o comentário sobre Johnny em seus últimos dias? Depois de alguns segundos ganha um groove totalmente cavernoso e a repulsa sobre a vocalização já não é tão espinhosa, impossível não se divertir com a criatividade de Bill, no mundo dele as chaves não existem. 

Passemos a soturna "As It Is in Heaven" para cair nos riffs invocados de "Ashes".  Nessa altura já aprendi que a linha entre o tosco e o genial é estreita, como a mulher muito magra ao tomar banho, tem que faze-lo de pernas abertas para não cair no ralo. Ashes não tem rosto ou identidade, apenas segue para tirar-nos da zona de conforto. 

Obra do experimental pode ser "Straws", partindo de Beatles ao rock alternativo como se atravessa a rua. Os vocais são carregados de reverb ou ecos, como se o Oasis fizesse um som no fundo de um porão e não filtrassem imperfeições. Oferece uma narrativa dramática de um homem desesperado para proteger sua família enquanto a guerra estoura ao seu redor. ("Como vou salvá-lo, neste caos?/ Agarrado, por favor, não morra/ Onde estão as defesas que nos foram prometidas?/ Oh, espero que tenham chegado."). 

O fechamento com "The Wall of Death" contempla o caótico e tudo que a mente algemar ao redor. Finda-se como a melhor do disco, é a confusão que o doom metal contemporâneo não consegue obter. Bill Ward consegue arrancar entulhos e com eles fazer grande escultura, vence ao reciclar a si mesmo. 
O que mais posso dizer ?. Vá e experimente, para o bem ou para o mal! 


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Sobre Marcel Dio

Nível: Colaborador Sênior

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Sobre o álbum

Accountable Beasts

Álbum disponível na discografia de: Bill Ward

Ano: 2015

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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