Resenha

Freedom

Álbum de Journey

2022

CD/LP

Por: Diogo Franco

Colaborador

09/07/2022



Flerte com a modernidade e resultado acima da média

Se nós, enquanto pessoas únicas, mudamos nossa maneira de pensar ao longo dos anos, imagine uma banda que possui diversos indivíduos com formações e cabeças diferentes. Some-se a isso o fato de encarar uma pandemia de 2 anos (que ainda não acabou), e algumas trocas de integrantes e várias situações de stress do ponto de vista legal e no relacionamento entre membro, você verá que esse disco é uma grande vitória.

Após travar batalhas judiciais com Ross Valory e Steve Smith, parece que Neal Schon e Jonathan Cain encontraram a paz para compor um trabalho honesto e inspirador ao lado de seus colegas Arnel Pineda, Deen Castronovo e a espectacular volta de Randy Jackson aos graves da banda, que trouxe segurança e precisão à cozinha do Journey. Dito isso, vamos às músicas: O disco abre com Together We Run, que apesar de ser uma boa música, o ritmo forçado e pretensiosamente moderno do refrão acaba por soterrar uma boa canção. Aliás, essa abertura soa desanimadora, pois a bateria moderninha e a mixagem tosca só funcionaria se fosse um disco do Jonas Brothers, tamanho bom mocismo e assepsia ao tocar. Na segunda faixa porém a coisa muda de figura, pois a faixa, chamada Don't Give Up On Us, lembra instantaneamente um dos maiores clássicos do grupo, Separate Ways (World's Appart), mostrando porque os caras são unanimidade em se tratando de rock de arena. Still Believe In Love começa num clima meio Toto, lembrando também as baladas da época do disco Arrival. Uma balada tocante, emocionante, como só o Journey faz, sem dúvida uma das mais belas baladas AOR já compostas. You Got The Best Of Me chega com tudo, nos levando direto a outro clássico dos caras: Anyway You Want It, só que um pouco mais desacelerada. Excelente canção para se tocar ao vivo e garantir a energia contagiante dos anos 80, provando que quando querem os velhinhos são imbatíveis. Destaque para o virtuosismo de Neal Schon, preciso e cirúrgico tanto nos riffs e solos quanto nos timbres. Live To Love Again segue a linha romântica já característica de alguns trabalhos dos caras, com um vocal soando como o Chicago dos anos 80 e uma melodia pra lá de bela. Música perfeita para dar um descanso aos ouvidos daquela namorada que não gosta muito de rock. O single The Way That Used To Be parece uma canção saída diretamente da trilha sonora de filmes como Falcão ou Stallone Cobra, então se você ama os anos 80, ouça no último volume e não irá se decepcionar. Come Away With Me parece figurar aqui apenas para tapar buraco apesar do bom riff. A canção parece uma mistura de Black Crowes com Aerosmith, porém sem muita inspiração. After Glow é mais uma balada, dessa vez com um ritmo xexelento, que lembra um iniciante tocando bateria. Canções como Let It Rain e Holdin' On mostram porque o estilo não volta mais às paradas, pois para serem fracas têm que melhorar muito, especialmente na timbragem, que parece ter sido feita por uma criança de 3 anos. O disco vai caminhando pro final, com algumas boas idéias, mas nada de espetacular, pois a primeira metade do disco é o que realmente importa.

O maior pecado aqui é a produção extremamente amadora, algo assustador nos dias de hoje em várias bandas do gênero. O Journey sempre estará no topo do rock de arena, mas o que fizeram ao mixar esse disco seria passível de uma ação judicial, pois tudo é tão estéril e sem vida que nem de longe lembra aquela atmosfera pulsante que estávamos acostumados a ouvir/sentir e que hoje sentimos falta. É lamentável que uma banda com esse grau de importância tenha uma produção tão fraca a ponto de soterrar a qualidade de algumas canções. Mesmo assim, é um disco que fica na média, bem longe de ser ruim, mas que tinha tudo para ser espetacular se não fosse esse vacilo com a produção.


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1 comentário:

user

André Luiz Paiz 28/07/2022

Webmaster

28/07/2022

Confesso que os singles me influenciaram negativamente. Mas, assim como você, dei uma chance e me surpreendi. É de fato um ótimo disco e que provavelmente será remixado daqui um tempo, pois o som final aqui é inexplicável. Mas é bem melhor que o álbum anterior, e Pineda é um dos grandes destaques.

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Sobre Diogo Franco

Nível: Colaborador

Membro desde: 31/12/2019

"Sou carioca de Nova Iguaçu , músico há 25 anos , admirador de AOR , Hard , Glam , Heavy Metal e suas vertentes. Tenho 38 anos."

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Sobre o álbum

Freedom

Álbum disponível na discografia de: Journey

Ano: 2022

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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