Resenha

The Parallax II: Future Sequence

Álbum de Between The Buried And Me

2012

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

18/05/2022



Prog Metal cativante, pesado, peculiar, mas acima de tudo, misturado em um coquetel musical acessível e que o deixa muito bem equilibrado

Uma obra-prima de proporções épicas? Se você já leu a minha resenha sobre, The Great Misdirect, disco anterior da banda, provavelmente me viu fazer essa pergunta em minhas considerações finais sobre o álbum. Bom, naquela ocasião, apesar de também considerá-lo um disco 5 estrelas, achei essas palavras fortes demais para serem usadas, pois bem, aqui elas caem perfeitamente bem.  

Muitos são os fatores que fazem com que The Parallax II: Future Sequence possa - e deva - ser visto como o maior feito da banda até hoje – ok, sei que isso é subjetivo. Se trata de um disco de muita originalidade, que entrega uma miscelânia de emoções, possui grande capacidade de contar sua história e ao mesmo tempo criar músicas condizentes com a narrativa. Quando conectadas ou entrelaçadas, as músicas fazem conexões suaves e excelentes, os sons de todos os instrumentos são nítidos e transparentes, havendo sempre um grande equilíbrio e cuidado para que em momento algum, a banda perca a faceta do seu som característico. O disco sempre consegue entregar algo novo a cada escuta e/ou se mostra atemporal e sempre vai dar o mesmo prazer ao ouvi-lo. No geral, um álbum que chama atenção logo nos primeiros segundos e tem capacidade de prender o ouvinte até o final.  

Em termos do quão alto uma banda pode elevar um gênero extremamente flexível como é o caso do Metal, ao mesmo tempo em que consegue mantê-lo dentro dos limites da acessibilidade, The Parallax II: Future Sequence é onde se encontra o ponto perfeito para que isso aconteça. Talvez esse seja o maior trunfo do disco, ter a capacidade de explorar o extremo de possibilidades dentro do metal e ainda assim, conseguir atrair até mesmo ouvintes que não são entusiastas do gênero.  

“Goodbye To Everything” é a peça de abertura, com pouco mais de um minuto e meio. Apresenta um bonito dedilhado de violão e vocais limpos e melancólicos. Se eu não soubesse, diria que estava diante de uma faixa de abertura de algum disco de alguma banda britânica de progressivo moderno. “Astral Body” possui um começo que nos faz remeter um pouco à Devin Townsend. Logo de cara, em relação aos discos anteriores, é perceptível um foco da banda em soar mais melódica, porém, sem deixar o peso de lado. Instrumentação complexa, vocais gritados e refrãos que soam bem compostos. 

“Lay Your Ghosts To Rest” é uma música com dez minutos de duração, que inicialmente é tocada em alta voltagem, com muito tecnicismo, peso e vocais gritados, mas de repente, muda para uma levada com mais groove. Depois de mais de seis minutos de “agressão”, a banda diminui o ritmo para uma espécie de valsa liderada por guitarra e alguns vocais mais limpos. As transições encontradas na faixa são excelentes. “Autumn” é uma vinheta com pouco mais de um minuto e que serve apenas como transição para a peça seguinte.” Extremophile Elite” é uma das músicas mais incríveis de todo o catálogo da banda. Possui algumas escalas e acordes exóticos de influência do Oriente Médio. O refrão é muito cativante e há nessa música uma espécie de emoção envolvente em que todas as vezes que escuto, parece ser a primeira. Em uma música bastante progressiva e agressiva, também vale destacar uma mudança abrupta que a leva para um momento inofensivo que parece ter sido tirado de algum filme do Tim Burton, para depois voltar para sua natureza técnica e pesada novamente.  

“Parallax” e “The Black Box” são outras duas peças curtas e que servem mais como transição para a música longa que as sucedem. “Telos” retorna o disco para ambientes pesados. De ritmos inicialmente quebrados, possui até um momento “pseudo samba” por volta do início do segundo minuto. Então que um groove mais suave desembarca na faixa, seguido de alguns vocais mais limpos, permanecendo assim por mais de 3 minutos, mas vale destacar também, que nessa parte, a música está crescendo muito lentamente em intensidade. Então que os vocais rosnados regressam, junto da instrumentação pesada da primeira parte. “Bloom” carrega com ela uma das performances vocais mais incomum da banda. Possui o tema na linha – mais ou menos – de um surf rock, além de uma técnica progressiva de rock and roll dos anos 50. Uma peça divertida em sua totalidade. 

“Melting City” é mais uma das peças que ultrapassam os 10 minutos de duração. Possui uma adição de flauta pouco depois dos 3 minutos que é maravilhosa – até mais por conta da ideia de acrescentar um som de flauta que ninguém espera, do que pela própria melodia de flauta em si. No momento em que a banda cai em notas melódicas e em ritmo lento, aliado com vocais limpos, tudo soa belíssimo. “Melting City” se destaca mais pelas suas passagens instrumentais amenas. Após os 7 minutos, há um momento conduzido pelo baixo antes que os vocais apareçam pela última vez e que é puro deleite.   

“Silent Flight Parliament”, com mais de 15 minutos, é a maior faixa do disco e também a peça que marca o início do fim de The Parallax II: Future Sequence. Uma verdadeira avalanche de técnicas de muito metal progressivo do mais alto nível, podendo ser considerado também, um dos momentos mais cativantes da história da música pesada moderna. Em momento algum, ela parece arrastada demais ou faz com que o ouvinte tenha a sensação de que ela esteja muito longa. Minha música preferida do disco e uma das minhas três preferidas entre todas da banda. “Goodbye To Everything Reprise“, como o nome já diz, se trata de uma reprise da peça que inicia o disco. Particurlamente, eu acho que ficaria mais interessante se a sonoridade bombástica do início, ocupasse toda a música, mas de qualquer maneira, o encerramento mais lento também foi adequado.  

The Parallax II: Future Sequence é um disco que não só mantém uma excelente consistência por meio de transições e fluidez, mas ao mesmo tempo, cada uma de suas faixas também soam muito bem de forma independente. É cativante, pesado, peculiar, mas acima de tudo, é misturado em um coquetel musical acessível e que o deixa muito bem equilibrado. E claro, como eu já disse em outros discos da banda, mais de uma audição é imprescindível para realmente absorvê-lo. Um álbum para ser guardado no mais alto escalão a música pesada e progressiva moderna. 


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The Parallax II: Future Sequence

Álbum disponível na discografia de: Between The Buried And Me

Ano: 2012

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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