Resenha

The Great Misdirect

Álbum de Between The Buried And Me

2009

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

18/05/2022



Uma entrega musical de coleção incrível e bem estruturada de partes agressivas, jazzísticas, solos e riffs matadores, além de momentos épicos

Por meio de The Great Misdirect, a Between The Buried And Me pareceu ter acabado com muito do seu metalcore – mais do que aconteceu em Colors, sendo possível notar aqui uma sensibilidade progressiva maior ainda. Na primeira audição, já somos impactados com um disco que nos leva por um passeio musical complexo e bem ornamentado, onde tudo é bastante original, habilmente escrito e extremamente bem tocado. Seus riffs são memoráveis, solos incríveis, letras profundas, além de possuir uma aura psicodélica, brutal e épica.  

Colors havia sido um disco tão impressionante, que não seria nenhum tipo de loucura que alguns fãs estivessem esperando um Colors parte 2, mas a banda decidiu não apenas entregar uma sonoridade que também foi encontrada em Colors, mas também, chegar em uma culminação de misturas entre todos os seus discos anteriores - além de buscar mais uma vez, algum tipo de novidade em seu som. Novamente a banda encontrou um enorme equilíbrio entre o obscuro e o brilhante, melodias pesadas e serenas, além de brutal e afável.  

“Mirrors” é a música que abre o disco e também a menor delas – com pouco mais de 3:30. Começa com alguns toques suaves e melódicos de guitarra, além de alguns vocais em tons tristes. Então que a peça ganha um ritmo mais acelerado e algumas linhas agradáveis de baixo passam a se destacar. “Obfuscation”, aqui é onde os ataques instrumentais pesados começam no disco. Uma guitarra e bateria avassaladoras fornecem uma espinha dorsal para a música, enquanto alguns vocais estrondosos golpeiam a peça com força. A transição que foi feita em termos de melodia da faixa anterior para essa é simplesmente impressionante. Mais uma vez, algumas linhas de baixo se destacam. Só há como achar algum problema nessa música, se você não gosta de vocais guturais violentos – o que o afasta não apenas dessa música, mas da banda -, pois os seus riffs de guitarra são incríveis e a seção rítmica poderosa.   

“Disease, Injury, Madness” começa de forma mais pesada do que a anterior. Esse momento explosivo dura por cerca de dois minutos, até que a banda adentre em um som mais silencioso – inclusive, um dos mais silenciosos e plangentes de todo o álbum. Nesse momento, os vocais se transformam, cobrindo a música agora com tons obscuros e sutis, enquanto que a guitarra acústica desfila de forma graciosa, sobre uma seção rítmica agradável. Quando a música regressa para suas linhas mais pesadas, há um solo de guitarra muito bem desenvolvido e muito bem acompanhado por um órgão Hammond, sendo que esse momento também sempre me remete à parte mais enérgica de “Money” do Pink Floyd.  

“Fossil Genera - A Feed From Cloud Mountain” possui uma introdução que me transporta à alguma trilha sonora de algum filme antigo. Ou seria a músicas de cabaré? Enfim, digo isso, principalmente por conta do piano honk-tonky. De qualquer forma, a banda direciona o seu som para uma linha bem diferente. Então que o peso tradicional do grupo aplaca a peça, vocais rosnados e guitarras distorcidas tomam a liderança da música. Na peça, também há um “momento Dream Theater”, com teclado e guitarra integrados em uma sonoridade complexa e singular, enquanto que bateria e baixo criam uma seção rítmica de enorme vigor e robustez. Os pouco mais de dois minutos finais são feitos em cima de um clima bastante influenciado pela Porcupine Tree.  

“Desert Of Song” inicia-se por meio de algumas bonitas notas no violão. Quando os vocais entram, há uma grande surpresa, a banda soa com um belo espirito country/western, confesso que na primeira vez que ouvi esse disco, essa foi a maior surpresa que tive, mas ainda bem que uma grata surpresa. Quando todos os instrumentos se unem, percebemos que estamos na parte pop do disco, o seu refrão é poderoso – entre um e outro ainda há um solo de guitarra reconfortante. “Swim To The Moon”, a música que encerra o disco é um épico de quase 18 minutos. Tem seu início por meio de uma percussão exótica e sintetizador, mas que logo são interrompidos por uma enxurrada de guitarra, baixo e bateria que colocam a peça em uma direção tecnicamente complexa – beirando o caótico em alguns pontos. A musicalidade de toda a faixa é excelente, os vocais são voláteis, com melodias que vão de basicamente gritadas ao completo rugido. Esse tipo de som extremo, permanece presente por quase a totalidade da música. Talvez o fato de possuir alguns momentos – principalmente na parte central – excessivamente técnicos, possa fazer com que algumas pessoas demorem para pegar o espirito de tudo o que acontece aqui, seus solos de guitarra trituradores e até mesmo um ataque raivoso de órgão Hammond que pega a todos de surpresa, tudo em “Swim To The Moon” soa implacável. Um final de disco incrível.  

Uma obra-prima de proporções épicas? Chamá-lo assim seria um exagero, mas certamente é um disco brilhante e obrigatório em qualquer coleção de metal progressivo. Você não gosta de vocal gutural? Ok, mas ainda assim, o escute ao menos uma vez e desfrute do que esses músicos são capazes de fazer. Um disco maravilhoso, que entrega para o ouvinte uma coleção incrível e bem estruturada de partes agressivas, jazzísticas, solos e riffs incríveis, além de momentos épicos.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The Great Misdirect

Álbum disponível na discografia de: Between The Buried And Me

Ano: 2009

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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