Resenha

The Serpent And The Sphere

Álbum de Agalloch

2014

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

17/05/2022



Faixas que funcionam muito bem juntas, além de trazer uma nova incursão e forma de abordagem do Black Metal em seu som

Agalloch pode ser considerada uma banda de resultado incomum de uma visão e estilo bastante rígido. O que isso quer dizer? Que ainda que a banda nunca tenha se deixado prender em apenas um tipo de som, sua identidade é forte e distinta. A cada álbum, a Agalloch parecia ter encontrado o equilíbrio perfeito entre permanecer fiel à sua própria estética e mudar o estilo a ponto de cada álbum parecer uma nova jornada. The Serpent & The Sphere foi o canto do cisne da banda e que encerrou as suas atividades em Maio de 2016. Apesar de considerá-lo o disco menos expressivo do grupo, ainda carrega com ele momentos impressionantes e que em nada mancham uma das discografias mais consistentes do metal – ainda que só tenham 5 discos. 

“Birth And Death Of The Pillars Of Creation” é um mini épico e que dá início ao álbum. Possui uma atmosfera que me faz lembrar um pouco de “In The Shadow Of Our Pale Companion” do disco Mantle. A peça está encharcada de uma atmosfera que faz com que o ouvinte se sinta no meio do espaço ou mesmo do nada. Eu a considero uma abertura perfeita para o disco, pois define muito bem o clima para o resto do álbum. O destaque fica por conta do uso de guitarras limpas e de sussurros ao longo da peça, com a capacidade de causar arrepios no ouvinte.  

The Serpent & The Sphere possui três interlúdio, “(Serpens Caput)”, “Cor Serpentis (The Sphere)” e “(Serpens Cauda)”, sendo todos eles compostos e interpretados por Nathanael Larochette, um dos integrantes do trio canadense de música folk, Musk Ox. Embora sejam três belíssimos momentos do disco, fica aquela indagação do porquê uma banda como a Agalloch, traria alguém de fora para compor simplesmente interlúdios. De qualquer forma, as contribuições de Nathanael são bastante minimalistas, além de muito bem escritas e evocativas. “The Astral Dialogue” direciona o disco para um ritmo mais acelerado. Possui melodias intensas e imbuídas de uma onda de bastante agressividade. A bateria por vezes triturantes e as linhas estáveis de baixo, criam uma seção rítmica rochosa, enquanto que melodias e solos de guitarra, mesmo que tocados intrincadamente, se entrelaçam muito bem e sem esforço algum.   

“Dark Matter Gods” se destaca como uma das melhores peças do disco. Possui alguns riffs mordazes, além de marcações de tempos menos convencionais e uma vasta gama de ideias que são extremamente bem organizadas. Em meio ao seu peso, é possível perceber toques de Pink Floyd que são fundamentais para que a música seja elevada à uma ótima atmosfera. “Celestial Effigy” consegue manter o disco em um belo senso de unidade e firmeza, sendo mais um dos destaques de The Serpent & The Sphere. Bateria, baixo e guitarra soam incrivelmente bem. É construída por meio de algumas ótimas passagens de guitarra em torno principalmente de uma seção rítmica que funciona de forma constante, até que em alguns instantes tudo fica mais rápido e ela atinge o seu ponto mais alto.  

“Vales Beyond Dimension” em seus primeiros segundos mergulha o disco em um mar de melancolia – embora eu ache que ele já estivesse mergulhado bem antes disso. Possui riffs de guitarra extremamente marcantes, além de ter excelentes acordes melancólicos e melodias ondulantes, onde sempre acabam quebrando em poderosas ondas de tristeza. Uma excelente deixa para a peça que encerra o disco - não estou contando com o interlúdio do fim, pois já comentei sobre os três mais acima. “Plateau Of The Ages”, com mais de 12 minutos é a faixa mais longa do álbum. Uma incrível peça instrumental, de sonoridade épica, apaixonante e triste que se desenvolve em uma série de movimentos entrelaçados que conseguem combinar maravilhosamente bem, potência hipnotizantes e contenção cativante. Do começo ao fim, o que se escuta em “Plateau Of The Ages”, são notas brilhantes e acordes esplêndidos que ecoam com enorme beleza de um lado para o outro. 

Como eu já disse lá no começo, The Serpent & The Sphere, pode até ser o disco menos expressivo da banda, mas quando estamos falando de um grupo que só tem trabalhos de alto nível na carreira, o valor de “menos expressivo” acaba não sendo tão baixo assim. A banda segue abordando um conceito interessante, entregando ótimas faixas que funcionam muito bem juntas, além de trazer uma nova incursão e forma de abordagem do black metal em seu som. Assim como acontece com os seus outros discos, seja cauteloso, não use sua música simplesmente como um pano de fundo e nem divida seu espaço com outra coisa, foque 100% em The Serpent & The Sphere e o escute de uma vez só, do primeiro ao último acorde.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The Serpent And The Sphere

Álbum disponível na discografia de: Agalloch

Ano: 2014

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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