Resenha

Colors

Álbum de Between The Buried And Me

2007

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

17/05/2022



Um testemunho de que o metal pode ser eclético ou criativo, mas também brutal e técnico ao mesmo tempo em que é emocional

Se você não suporta rosnados e guturais, além de não possuir uma boa conexão com as nuances mais extremas do metal, bom, já deixo logo avisado que Between The Buried And Me não é o tipo de banda feita para você. Considero Colors um dos grandes feitos da carreira do grupo, onde eles mostram uma incrível habilidade de composição, em que música e musicalidade assumem um compromisso uma com a outra e entregam um disco tecnicamente perfeito, fazendo assim, com que o álbum prenda o ouvinte do começo ao fim. As partes de metal são pesadas, brutais e rápidas, enquanto que as partes mais limpas são bonitas e incrivelmente bem escritas. 

O disco nos leva a um verdadeiro passeio por diferentes emoções musicais, cheio de construções distintas, clímax e reviravoltas. Do começo ao final do disco, há uma entrega de músicas diversificadas e interessantes, tendo espaço também para passagens acústicas e jazzísticas, vocais mais limpos e passagens eletrônicas. Tudo pode ser tão surpreendente, que até mesmo espaço para um pouco de Bluegrass bem humorado e muito adequado, é adicionado à paleta de sons de Colors. Vale destacar, que as músicas mais longas permitem que mais experimentações sejam usadas em suas estruturas, criando assim, composições com sonoridades épicas.  

Colors é certamente um disco que consegue causar várias sensações em quem o ouve, algo entre a felicidade e a raiva no mesmo segundo. Os vocais guturais sobre uma tapeçaria de guitarras de jazz metal criam uma sensação e som muito interessante, enquanto isso, as passagens instrumentais mais longas entre si, confeccionam de forma brilhante algo dentro do metal progressivo tradicional, porém, em momento algum podemos chamar tudo que acontece aqui de metal progressivo tradicional – ao menos, não como um todo. A evidencia do contraste entre o agressivo e o afetuoso é extremamente evidente, dando uma sensação distinta ao resultado final do disco. As sensações são bastante suaves e mistas entre os estilos contrastivos, onde a banda consegue ser chamativa tanto no âmbito brutal, quanto melódico.  

“Foam Born (A) The Backtrack” começa o disco por meio de uma sonoridade suave, até que ela se desenvolve no típico som da banda. Um começo de disco intrigante e que faz com que o ouvinte fique sedento pelo que estar por vir. “(B) The Decade Of Statues” tem um início pesado, mas em seguida vai progredindo para alguns sons mais melódicos e lentos, voltando em seguida a entregar um som pesado. Mais próximo do fim, ainda há algumas linhas de guitarra muito boas. Excelente música do começo ao fim.  

“Informal Gluttony” talvez seja a música de Colors que menos empolga – ao menos inicialmente. Começa com um som típico do Oriente Médio, mas vai gradualmente ficando mais pesada. Até tenho a teoria de que, um dos motivos dela agradar menos é por ser em sua maior parte um metalcore direto demais – com exceção de um momento mais suave. Mas também acho bom deixar claro, que ela não chega a comprometer em nada o disco. Em “Sun Of Nothing”, diferente da peça anterior, tudo é absolutamente incrível. Os contrastes musicais encontrados aqui é o que faz de Colors algo tão único. Contastes que movem a música para diferentes lados, mas sem que, em momento algum, ela soe sem direção ou perca a sua coerência. Sensacional.  

Quando o assunto é a música mais técnica do disco, sem dúvida alguma que estamos falando de “Ants Of The Sky”. A peça contém um enorme número de linhas de guitarra, todas sempre cativantes. Há um excelente solo com influencias jazzísticas. Lembra do momento Bluegrass que eu disse lá no segundo parágrafo da resenha? Pois então, aqui é onde ele aparece de forma surpreendente. A música na sua parte final, encerra essa jornada musical incrível, com as mesmas linhas cativantes do tema de guitarra lá do início. “Prequel To The Sequel” começa por meio de uma passagem instrumental poderosa, com todos os instrumentos soando de forma robusta – com direito a um curto momento sinfônico, mas arrepiante. Tem algumas belíssimas linhas de guitarra, além de uma seção em que a banda simula um acordeão no teclado e obtém um excelente resultado.  

“Viridian”, por meio de um solo de baixo, serve apenas como uma transição para a música de encerramento do disco. “White Walls” é a conclusão que um disco desse nível merece, ou seja, perfeita. Uma peça bastante emocionante e com muitas seções diferentes. Na sua parte final há grandes linhas de guitarra. O disco termina em algumas notas suaves de piano.  

Se você gosta, ou ao menos não tem problema com músicas mais pesadas calcadas em um death metal técnico e com toque de progressivo, mas ao mesmo tempo, desconhece Colors, bom, então você está perdendo tempo em ainda não ter conhecido essa obra de arte. O tecnicismo e a complexidade das estruturas das músicas são muito bem elaborados e as transições entre as músicas e até mesmo suas partes individuais são perfeitas. Um testemunho de que o metal pode ser eclético ou criativo, mas também brutal e técnico ao mesmo tempo em que é emocional. 


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Colors

Álbum disponível na discografia de: Between The Buried And Me

Ano: 2007

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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