Resenha

Culpeper's Orchard

Álbum de Culpeper's Orchard

1971

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

06/05/2022



Um verdadeiro caldeirão de influências para construir um disco matador e de personalidade própria

O disco autointitulado de estreia dos dinamarqueses da Culpeper’s Orchard - na verdade, a banda era liderada pelo vocalista e guitarrista inglês, Cy Nicklin e os demais eram do país nórdico - é de uma qualidade impressionante, sendo que pode ser considerado facilmente um dos melhores da era progressiva/pós-psicodélica. Composto por músicas melosas e caprichadas, todos os instrumentistas mostram grande talento na arte de desenvolver peças psicodélicas sombrias, turbulentas e encharcadas de melancolia, além de trilhar muito bem vários estilos ao mesmo tempo, como o rock, folk, blues e muito mais, que inclui também alguns acenos ao Led Zeppelin – principalmente nas partes mais pesadas de guitarra. O nome da banda foi uma homenagem a Nicholas Culpeper, famoso botânico herborista, médico e astrólogo inglês que passou a maior parte de sua vida no exterior, explorando e catalogando centenas de ervas medicinais. 

“Banjocul” é a faixa de abertura e que possui menos de um minuto, confesso que não entendi bem o que a banda queria com ela, talvez mostrar um pouco o deles pela música folclórica - algo que ficaria mais evidentes nos discos seguintes da banda. Com “Mountain Music Part 1” o disco faz algo que eu não gosto muito, que é o fato da primeira faixa – se não levarmos em conta a vinheta anterior – ser também o destaque do disco, isso sempre me faz acreditar que todo o álbum será nivelado por ela, engano meu. Bom, como já deixei claro, é a minha música preferida do álbum, cheia de peso e agressividade, ao mesmo tempo que há uma grande profundidade. Guitarras – tanto base quanto solo - incendiárias e seção rítmica pulsante, sem contar com os vocais extremamente adequados para a música.  

“Hey You People” só tem cerca de 1:30, é a daquele tipo de música que exala os anos 60 nela, seus vocais em camadas são excelentes, e mesmo sendo bastante curta, entrega uma peça maravilhosa. Inclusive, ganha um bom peso na sua parte final – seus últimos trinta segundos. “Teaparty For An Orchard” começa com o peso das bandas de hard rock da época até os vocais entrarem. Possui um refrão melancólico e emocional – gosto muito dos vocais desse disco. Tem o seu momento de experimentalismo, mas que dura pouco, pois logo a guitarra toma a frente de tudo. Vale destacar também o órgão que ajuda bastante nos momentos de mais peso da música.  

“Ode To Resistance” começa em uma linha bastante folk com violão e voz, além de uma flauta de fundo, mas então, que de repente, há uma “explosão” heavy que deixa tudo muito pesado. A música então vai variando entre riffs e solos pesados de guitarra e partes folk. Após a última parte de peso, ela continua em um final folk com cordas e flautas com reminiscência ao Jethro Tull. “Your Song And Mine” inicia com uma boa linha pesada de guitarra. O violão tem uma ótima batida e combina perfeitamente com a guitarra e o baixo. É mais uma peça com claro espirito do hard clássico dos anos 70. Por volta dos 3 minutos, tem um solo de guitarra muito empolgante e que eleva a temperatura da música às alturas. Como comentário negativo, mesmo eu adorando piano, as aparições dele aqui nos refrãos - ainda que timidamente e em um curto período – foram meio chatinhas.   

“Gideon's Trap”, em sua abertura traz notas de piano antes de ganhar algumas batidas e os vocais entrarem pela primeira vez. Consigo imaginá-la em algum disco dos Beatles. Confesso que nunca me prendeu muito, sendo a peça menos inspirada, porém, tem um ótimo solo de guitarra que a tira de um marasmo total. “Blue Day's Morning” é uma peça acústica com pouco mais de 2:00. Um dedilhado de violão sob vocais na maioria das vezes em camadas. Uma música muito bonita. ”Mountain Music Part 2” encerra o disco com a mesma profundidade da primeira parte e é quase tão boa quanto. Começa meio melancólica, mas logo se transforma em uma música alegre. Possui dois excelentes solos de guitarra, sendo ambos em uma veia bastante blues-rock – principalmente o primeiro. O álbum chega ao fim da maneira que começou, por meio de um banjo.  

Um disco cheio de virtudes, entregando composições sólidas e de muita energia, sempre de uma maneira direta e sem muita pompa – vale destacar que os vocais em inglês são excelentes. Além dos Beatles e Jethro Tull citados, ainda é possível perceber em seu som, bandas como Moody Blues, Procol Harum e Crosby, Stills, Nash & Young, além de rajadas do melhor do hard rock da época. Um verdadeiro caldeirão de influências para construir um disco matador e de personalidade própria. 


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Culpeper's Orchard

Álbum disponível na discografia de: Culpeper's Orchard

Ano: 1971

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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