Resenha

Icon Of Sin

Álbum de Icon Of Sin

2021

CD/LP

Por: André Luiz Paiz

Webmaster

03/05/2022



"Icon Of Sin" traz Raphael Mendes como grande destaque, mas carece de originalidade

Com a já conhecida proposta da Frontiers em recriar bandas clássicas, "Icon Of Sin" é mais uma de suas apostas. Se Geoff Tate aceitou o projeto Sweet Oblivion para trazer a atmosfera do seu período no Queensryche de volta e Zak Stevens o mesmo com Archon Angel/Savatage, difícil seria conseguir Bruce Dickinson para fazer um novo Iron Maiden, principalmente porque a banda segue em atividade. Então, que tal trazer um clone? Foi assim que a gravadora viu em Raphael Mendes a possibilidade de um novo projeto e, é claro, faturar.

Raphael Mendes é um clone de Bruce Dickinson em termos vocais. E faz isso com uma perfeição absurda. Nota-se que, assim que percebeu a semelhança entre timbres, um trabalho foi feito para aprimorar os ataques e técnica usadas por Bruce. E o fato de soar igual não parece negativo para mim, pois, insisto, é feito com muita, muita competência. Tanto que Mendes brilha a todo instante em "Icon Of Sin".

A banda foi estruturada pela Frontiers e traz como compositores os brasileiros Sergio Mazul (SEMBLANT) e Marcelo Gelbcke (LANDFALL). O time que registrou o álbum é composto também por Sol Perez (g), Mateus Cantaleãno (g), Caio Vidal (b) e CJ Dubiella (d). A ideia era aproveitar o talento de Raphael, descoberto pela Frontiers através do seu sucesso no YouTube, para fazer um disco de heavy metal. E bem que poderia ser apenas heavy metal, mas acabaram tentando soar como NWOBHM e principalmente como Iron Maiden, o maior tropeço do material.

Um disco demasiadamente longo e com uma única faixa matadora: "Icon Of Sin". A música que dá nome ao álbum é pesada e precisa. Muito, muito boa! No restante do álbum, temos a comprovação de quanto o Iron Maiden é foda. Não é fácil soar como os caras e isso está bem claro aqui. "Shadow Dancer" tenta algo como "Tailgunner" e não consegue. Já que é para soar como a donzela, onde estão os refrãos pegajosos e com vocais dobrados fantásticos como "The Prisoner", "Wasted Years", etc.? Senti falta, pois é nos refrãos que falta ataque. Só me vem à cabeça a boa faixa "Survival Instinct". Veja só, não estou aqui para desmerecer o trabalho dos caras. A execução é excelente, guitarras fortes e há bastante entrega. A energia de "Virtual Empire", por exemplo,  é ótima, sendo outro ponto positivo. 
Seguindo adiante, "Pandemic Euphoria" tem seus bons momentos, principalmente o refrão, apesar de também trazer clichês da donzela da fase "The Wickerman". "Clouds Over Gottham" é o novo Maiden, com as longas introduções dedilhadas. Depois, a mesma tenta emular algo como "Alexander The Great" em uma faixa de oito minutos que tenta trazer diferentes progressões. Outra que gosto da pegada é "The Last Samurai", bem pesada. No mais, a falta de refrãos cativantes e estruturas similares, somadas a um disco de treze faixas, acabam se tornando um desafio para o ouvinte.

A meu ver, "Icon Of Sin" não falhou, pois permitiu mostrar ao mundo quem é Raphael Mendes, grande destaque do álbum. Se as composições ficaram devendo em termos de originalidade, não faltou entrega. Tenho certeza também que as resenhas irão contribuir para que consigam direcionar e trilhar o próprio caminho, pois, mesmo com o coincidente timbre vocal de Raphael com Bruce, certamente dá para explorar novos territórios.

Tracklist:
1.  Icon Of Sin
2.  Road Rage
3.  Shadow Dancer
4.  Unholy Battleground
5.  Nightbreed
6.  Virtual Empire
7.  Pandemic Euphoria
8.  Clouds Over Gotham
9.  Arcade Generation
10.        Hagakure (Intro)
11.        The Last Samurai
12.        The Howling
13.        Survival Instinct

Line-up:
Raphael Mendes – Vocals
Caio Vidal – Bass
Sol Perez – Guitar
Mateus Cantaleãno – Guitar
CJ Dubiella - Drums


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Sobre o álbum

Icon Of Sin

Álbum disponível na discografia de: Icon Of Sin

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,5 - 1 voto

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