Resenha

Kezia

Álbum de Protest The Hero

2005

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

30/04/2022



Se por um lado existem discos que a tendência é crescer no ouvinte a cada audição, infelizmente também existem aqueles que fazem o caminho inverso

Protest the Hero é uma banda que chegou até mim a pouco tempo, quando o filho de um amigo me perguntou se eu a conhecia e eu lhe disse que não. Não apenas me indicou, como naquela mesma ocasião, me fez ouvir pelo menos um dos seus álbuns. De uma coisa eu tinha certeza, conhecendo aquele garoto muito bem, eu sabia que seria um som pesado, sendo que logo nos primeiros segundos de Kezia, primeiro disco da banda, eu pude confirmar a minha certeza. Um resumo curto logo de primeira impressão, foi que, apesar de serem jovens talentosos em seus respectivos instrumentos e que se divertem no território progressivo do metal praticado, as coisas quase sempre soam mornas.  

Por mais que eu admita que eles tenham me impressionado na primeira vez que ouvi a banda, infelizmente não demorou tanto para que tudo começasse a ficar cansativo. Não vou negar que há momentos de brilho em alguns momentos, mas também me faz questionar o quanto vale a pena peneirar essas partes menos inspiradas para encontrar esses momentos.  

Agora falando um pouco sobre o vocalista Rody Walker, bom, devo dizer que ele não possui o tipo de voz que eu gosto de ouvir e isso também acaba me desanimando um pouco, porém, não questiono o seu alcance e poder evidente, problema é tão e somente o som dela, talvez eu esteja me tornando um velho chato, mas em muitos momentos ela não passa de um ganido adolescente e isso me incomoda, principalmente em seus momentos mais expressivos. Outro ponto, sua voz me remetem a bandas de hardcore, metalcore e outros cores existentes, o que acaba sendo mais um motivo para eu não conseguir apreciá-la, pois não suporto esses gêneros e seus vocalistas chorosos. Há algumas passagens que a banda muda inteligentemente o ritmo e traz alguns vocais femininos e gritos, que embora não torne as coisas muito melhor, ao menos faz com que tudo seja um pouco mais tolerável.  

Mas dito isso, não há mais nada aqui que possa ser considerado aquém no que diz performance da banda. Se pegarmos o quanto os músicos eram jovens no lançamento - todos estavam com 18 anos -, fica impossível de não tecer muitos elogios a eles, principalmente ao trabalho dos guitarristas Tim Millar e Luke Hoskin, embora baixo e bateria também entreguem uma seção rítmica sólida. Para que seja evidenciado essas habilidades de cada um, cada uma das peças do disco é muito bem arranjada, possui várias camadas de guitarra e muitas ideias diferentes, além de uma grande propensão em entregar momentos leves e pesados no meio de uma música de forma muito coerente. 

Queria voltar um pouco lá no que eu disse no primeiro parágrafo, sobre eles muitas vezes soarem morno. Mesmo que estejamos diante de quatro excelentes instrumentistas tocando com grande precisão, alguns problemas fizeram com que no fim das contas, Kezia soasse de forma subdesenvolvida aos meus ouvidos, onde fica perceptível que a ideia é soar complexo e agradável, mas no final das contas, a maioria das vezes tudo carece de profundidade e ficando mais superficial a cada escuta, sem contar que em alguns momentos, eles caem facilmente em padrões que soam muito mais como tributos a outras bandas do que um trabalho original coerente. Embora essas últimas palavras pareçam duras demais, lembre-se que elas são construídas dentro de bons atributos já mencionados anteriormente. 

Se por um lado, existem discos que a tendência é crescer no ouvinte a cada audição, infelizmente também existem aqueles que fazem o caminho inverso. Após ouvir Kezia pela primeira vez, as coisas parecem bem claras e não deixam nenhum indício que vai haver algo para ser absorvido em escutas futuras e que não tenha sido assimilada na primeira. Com isso, a tendência é o álbum ficar cada vez mais fraco para aqueles que não gostaram inicialmente. Ainda assim, acho mais justo dar a ele uma nota de bom disco, que inclusive, inicialmente chegou a me dar até um choque inicial – principalmente pelo talento dos quatro jovens.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Kezia

Álbum disponível na discografia de: Protest The Hero

Ano: 2005

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3 - 1 voto

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