Resenha

Chinese Democracy

Álbum de Guns N' Roses

2008

CD/LP

Por: Diogo Franco

Colaborador

07/04/2022



Demora extrema e tortura aos ouvidos

Após 15 anos sem lançar um disco de estúdio (17 se contar apenas músicas inéditas), o sucessor do pavoroso The Spaghetti Incident?! viu a luz recheado de expectativas. Uns aguardavam um disco esplêndido, garantindo que Axl Rose e sua nova trupe iriam arrebentar a ponto de não sentirmos falta dos membros originais, enquanto outros apostavam num retumbante fracasso. O fato é que o nome do grupo ainda causa alvoroço, mesmo sem lançar nada e continuou assim mesmo após lançar essa bomba que sabe-se lá por que resolveram chamar de música.

O disco até que possui momentos razoavelmente bons, como a bela balada Street Of Dreams. Talvez seja esse o momento "Queen" que Axl tenha falado em entrevistas anteriores ao lançamento. O que torna tudo tão incômodo nesse disco é que, devido ao tempo que levou pra ser concebido, é inaceitável que o nível de exigência do chefe-mor do Guns com a produção tenha sido simplesmente sido ignorado. Não dá pra crer que uma banda que possuía um vasto repertório de licks e riffs ensandecidos e violentos tenha agora soado como uma espécie de banda cover do Linkin Park tocando no tom errado. Guitarras sem peso nas bases e sem inspiração nos solos, bateria soando como se estivesse sendo tocada dentro de uma enchente e o baixo, bem, se alguém ouviu baixo aí me avise porque o baixo de Tommy Stinson faz o Backstreet Boys parecer o Testament de tão leve e sem brilho.

As canções soam como cópias esparsas de outros grupos e cantores(as). Por exemplo: a péssima If The World, com um começo que parece querer criar um híbrido de Santana/Toni Braxton, errando o alvo miseravelmente nas duas referências. O disco segue o intuito de torturar o ouvinte com músicas deploráveis como a faixa título, um riff tão fraco quanto café de rodoviária. Shackler's Revenge lembra bastante o Linkin Park no riff inicial, para depois entrar num clima meio Korn/Judas Priest na fase Tim "Ripper" Owens. Better vem em seguida e dá a impressão de que o guitarrista que gravou está aprendendo a tocar, tamanha a desconexão da intro com o resto da música. Até que a canção fica melhor quando entra a voz de Axl, mas logo depois alterna bons e maus momentos, tornando essa música uma verdadeira colcha de retalhos, que só funciona devido ao baixo nível do resto do disco. Catcher In The Rye é uma bela canção, apesar dos elementos eletrônicos e a péssima mixagem quase soterrarem a qualidade da mesma.

No fim das contas, nada justifica os milhares de dólares gastos e a demissão de membros amados pelo público para gravar um troço horroroso desses. Axl nunca vai admitir, mas a melhor coisa que ele fez foi demitir essa banda medonha e chamar a formação clássica de volta. Já que sua voz não é a mesma dos tempos áureos, ao menos oferece ao público a chance de ver o pessoal da antiga de novo em cima do palco. Espero que o próximo seja um álbum ao menos digno, que pelo menos chegue perto do alvo, pois esse aqui passou longe. E que não leve 15 anos mais uma vez, lembrando que já tem 14 anos que não lançam álbum de inéditas. Ouça e tire suas conclusões, mas depois não digam que não avisei.


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Sobre Diogo Franco

Nível: Colaborador

Membro desde: 31/12/2019

"Sou carioca de Nova Iguaçu , músico há 25 anos , admirador de AOR , Hard , Glam , Heavy Metal e suas vertentes. Tenho 38 anos."

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Sobre o álbum

Chinese Democracy

Álbum disponível na discografia de: Guns N' Roses

Ano: 2008

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 2,81 - 8 votos

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