Resenha

Human

Álbum de Death

1991

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

05/04/2022



Emparelhado com composições que apresentam um senso raro de ganchos memoráveis, Human é um disco de alta qualidade por completo

Quando falamos de Death, também estamos falando de uma das bandas mais influentes da história do metal. Apesar de eu considerar Symbolic o meu disco preferido, além de também achá-lo o pináculo da banda e que elevou a complexidade – que já estava alta – do grupo ao patamar mais alto atingido por eles, acho que Human é o seu disco mais importante e influente, principalmente pelo momento em que foi lançado, a diferença entre ele e Spiritual Healing – disco anterior - é de um salto assustador. Se o Death foi uma peça importante na criação do Death Metal na segunda metade dos anos 80, com Human a banda se consolidou como uma pioneira no death metal técnico. 

Quando o assunto é Death, falamos basicamente do genial Chuck Schuldiner. Ele recruta músicos diferentes para cada álbum. Em Human, os escolhidos foram os talentosos Paul Masvidal para a guitarra e Sean Reinert para assumir a bateria, ambos da banda de death metal técnico e metal progressivo com influências de jazz-fusion, Cynic. Além dos dois, o disco também contou com o baixista Steve DiGiorgio, se você conhece até mesmo que razoavelmente bem a cena do death e do thrash metal, este nome dispensa qualquer tipo de apresentação.  

“Flattening Of Emotions” começa por meio de uma bateria em fade in, então que um riff melódico de guitarra prepara a música até que todos os instrumentos se unem em um ataque brutal do mais raivoso death metal. Os vocais de Chuck, como sempre, estão sensacionais. “Flattening Of Emotions” é um excelente cartão de visita e que mostra o quanto Human é impressionante. “Suicide Machine” entrega mais alguns riffs avassaladores, bateria de alta qualidade – cortesia de um dos maiores mestres do instrumento no gênero - e linhas sólidas de baixo, tudo contribuindo para a criação de uma peça cativante. Há algumas mudanças de tempo que também ajudam muito na construção e no resultado final da obra. 

“Together As One” se inicia por meio de um breve solo de bateria que nos leva para mais uma música brutal repleta de palhetadas tremolo e ataques instrumentais de muita técnica. A tempestade de riff que se desenvolve um após o outro é simplesmente esplêndida. Novamente a banda entrega algumas excelentes mudanças de andamento. Paul Masdival em entrevista ao Metal Storm afirmou certa vez que esta é a sua faixa preferida do disco. “Secret Face” começa com a mesma tecnicidade deixada pela peça anterior. Possui um dos melhores solos de Chuck e alguns incríveis trabalhos de guitarra de Masdival. Às vezes eu acho difícil falar sobre as faixas desse disco sem soar repetitivo, pra evitar isso – ao menos dessa vez -, digo apenas que “Secret Face” é mais uma composição que agrega lindamente o álbum.  

“Lack Of Comprehension” é a faixa que começa a segunda metade do disco, sendo também a minha faixa favorita. Tem uma abertura na linha de “Destiny” do disco Individual Thought Patterns e de “Empty Words” do disco Symbolic, porém, aqui esse tipo de abordagem era inédito na discografia da banda, logo, além de ser uma peça impecável, também é histórica. É aquele tipo de composição que mesmo sendo extremamente pesada, também é transparente de estrutura e oferece muito espaço para que todos os instrumentistas se destaquem dentro dos seus limites. “See Through Dreams”, ao contrário da faixa anterior, aqui a banda vai direto para o modo death metal – inclusive, como é o normal acontecer. Uma peça brilhante e que soa como um híbrido de jazz/death metal monumentalmente intenso e bem composto, além de possuir um solo melódico belíssimo em um excelente trabalho conjunto de guitarra entre Chuck e Paul.   

“Cosmic Sea” é uma música instrumental e também a mais experimental e progressiva do disco. Muito provável por contar na banda com Masvidal e Reinert, é possível perceber em alguns pontos o mesmo tipo de som que a Cynic faria dois anos mais tarde em seu disco Focus de 1993. Possui influências evidentes de jazz, solos incríveis de guitarra e o melhor trabalho de baixo do disco. “Vacant Planets” marca o fim de Human com a melhor performance do baterista Sean Reinert no álbum e uma das melhores de sua carreira, com muitos bumbos duplos e técnicas extravagantes e jazzísticas - principalmente no uso de pratos. A banda entrega um pacote incrível de death metal, cheio da sua mistura usual de brutalidade, tecnicidade e ótimas melodias. Human encerra sublimemente.  

Human marca o início do melhor período do Death e o surgimento de uma nova maneira de se fazer death metal, onde é fácil perceber a banda saindo de uma zona de sonoridade mais crua, e passando a flertar, por exemplo, com a música progressiva e com o jazz – ainda que este em menor escala. Ao mesmo tempo em que a banda se tornou muito mais complexa, não perdeu o seu poder de força, trabalhando com muito mais brilho os seus riffs, solos, ritmos e até mesmo os vocais de Chuck.   


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Human

Álbum disponível na discografia de: Death

Ano: 1991

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,6 - 5 votos

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