Resenha

Elements

Álbum de Atheist

1993

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

31/03/2022



Um dos discos mais inovadores e essenciais não apenas da história do Death Metal, mas do metal como um todo

Após, Unquestionable Presence, a banda conseguiu elevar a sua música ao seu mais alto padrão - mesmo já tendo feito um disco incrível dois anos antes. Talvez para os fãs mais puristas de Death Metal, em Elements o grupo perdeu um pouco da sua sagacidade, algo que eu não tiro a razão, tendo em vista que suas influências Jazz parecem mais acentuadas e até mesmo o Samba tem o seu momento no disco. Mas nada disso é o suficiente, muito pelo contrário, a música construída no álbum faz com que estejamos diante de um dos discos mais inovadores e essenciais não apenas na história do Death Metal, mas do metal como um todo.  

Elements apresenta algumas mudanças em sua formação, sendo o baterista Steve Flynn substituído pelo baterista de estúdio Josh Greenbaum. Outra mudança veio a partir do momento em que o vocalista e guitarrista, Kelly Shaefer desenvolveu a síndrome do túnel do carpo, ficando impossibilitado de solar, e como Rand Burkley não havia saído da banda e Frank Emmi foi contratado, o disco foi gravado com três guitarristas.  

“Green” mostra logo no seu começo, a sonoridade de uma banda de Death Metal tentando tocar Jazz, mas não demora muito para que um som tipicamente de Death Metal tome de conta do ambiente. Agressiva e cheio de “sutilezas escondidas”, a peça ilustra muito bem o que o grupo vai mostrar durante boa parte do disco. “Water”, apesar do peso, é fácil perceber que possui um ritmo quase latino. Uma espécie de Death Metal latino, com direito a umas salpicadas até mesmo de violões flamenco.  

“Samba Briza”, se na peça anterior, a influência latina estava um pouco camuflada no peso da banda e podendo passar despercebida, aqui tudo está evidente. Uma música instrumental latina de dois minutos, inclusive com o uso de piano que conseguiu dar uma pegada dançante à peça. “Air” sem dúvida é um dos destaques do disco. Tem um começo jazzístico, com direito a guitarra emulando um trompete até a peça ser abraçada por um ritmo enérgico e dançante. Ao longo da faixa, o trabalho de guitarra é uma espécie de parceria entre Judas Priest e Slayer. “Displacement” é uma peça com menos de um minuto e meio. Uma guitarra chorosa por cima de algumas notas limpas de guitarra base e um baixo de linha simples.  

“Animal”, outra das melhores peças do disco. Soa como uma marcha vagamente real. Na hora do solo de guitarra, há uma mudança em seu andamento, caindo para um estilo jazzístico mais descontraído. Os vocais estão ótimos e com uma excelente interpretação. “Mineral” começa com uma bateria solo seguida por um riff comum de guitarra e que dá a peça uma regularidade praticamente mecânica, mas que conforme vai se desenvolvendo, também vai se transformando em um caos sensacional.  

“Fire”, após uma breve instrumental que parece que vai levar a música para um Death Metal clássico, eles puxam a alavanque que muda completamente a direção da peça, e os trazem para uma vibe Blues-Metal, para aí sim, depois levar tudo para o lado mais típico do Death Metal. Basicamente a música é uma espécie de “vai e volta” dentro de todas as suas partes diferentes, se mantendo sempre bem direcionada e coerente. “Fractal Point” é uma vinheta com menos de cinquenta segundos. Novamente uma guitarra chorosa – agora mais ao fundo – e outra com algumas notas limpas de solo simples e que direciona a peça em sua breve duração.  

“Earth”, enquanto a guitarra toca o estilo Death Metal o baixo incrementa na mistura boas linhas Funk. Mais à frente é possível captar mais uma vez alguns estilos dançantes que influenciaram o Death-Jazz. Uma bateria eletrônica aparece de forma abrupta e em seguida a música volta para o seu peso normal. Em termos composicionais, certamente – ao lado de “Fire” - é a peça mais complexa do disco. “See You Again” é mais uma faixa curta, com pouco mais de um minuto e dez. Guitarra e baixo criam uma bela harmonia que prepara o ouvinte para a faixa título e que encerra o disco. “Elements” possui um riff ao melhor estilo Funk-Metal 90’s. A banda usa do Funk e o Death Metal em doses que não poderia ser melhor. Todos trabalham muito bem para entregar um final de disco no mesmo nível do que tudo o que foi feito até aqui. Com a banda tocando de forma consistente do começo ao fim, Elements termina na mesma voltagem que começou.  

Infelizmente, em mais de trinta anos desde sua estreia, não se tem muitos discos da banda para ser comparados uns com os outros, mas dentro da sua história, considero Elements o seu maior feito. Uma musicalidade inquestionável, onde eles usam o rótulo de instrumentistas técnicos, não necessariamente por tocarem rápido, mas por conseguirem tocar em uma harmonia incrível enquanto juntos, criando assim, uma obra surpreendentemente orgânica para uma banda de som de gênero tão pesado.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Elements

Álbum disponível na discografia de: Atheist

Ano: 1993

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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