Resenha

E

Álbum de Adrian Belew

2009

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

16/03/2022



Altamente experimental, mas surpreendentemente agradável e mais acessível do que você imagina

Adrian Belew formou um grupo para tocar e gravar músicas que poderiam ser agrupadas além de seus trabalhos solo. Este grupo, foi chamado de Adrian Belew Power Trio e consistia em Belew na guitarra, Julie Slick no baixo e seu irmão Eric Slick na bateria. Belew ficou impressionado depois de vê-los tocar com a Paul Green School of Rock e formou o trio com o propósito de fazer uma turnê e apresentar seu material solo junto com material de King Crimson e Frank Zappa. 

Se chamando simplesmente, E, o disco lançado em 2009 é o primeiro do projeto. Apesar de possuir onze faixas, na verdade elas representam cinco mini suítes, onde cada uma delas é denominada pelas cinco primeiras letras do alfabeto. Nas palavras do próprio Belew, as músicas aqui podem ser ouvidas como peças individuais, mas obviamente, elas também se relacionam por meio do tema geral que as une.  

 “A” é uma pequena suíte dividida em três partes e que dá início ao disco. A primeira parte possui apenas trinta segundos e se trata apenas de um solo de guitarra em uma velocidade média. A segunda parte já deixa tudo muito mais interessante, com o trio entrando em ação e trazendo com eles uma música experimental e muito boa, lembrando até um pouco o King Crimson – mas sem perder sua singularidade. Todos os três músicos tocam brilhantemente, o baixo complicado e imprevisível ao lado de um trabalho complexo de bateria cria uma seção rítmica de tirar o fôlego, enquanto isso, a peculiaridade da guitarra de Belew dispensa qualquer tipo de apresentação. Se você gosta de uma música que soe dentro da sonoridade comparável aos momentos menos acessíveis do King Crimson, isso foi feito pra você. A terceira parte mantem o alto nível, com Belew navegando com a sua improvisação sobre os mares criados pela seção rítmica dos irmãos Slick.  

“B” também é dividida em três partes e a mais longa de todas, passando dos dez minutos. Logo na primeira parte o trio mostra uma sonoridade mais robusta por meio de um riff pesado de guitarra. As linhas de baixo são surpreendentes e quase tão loucas quanto as ideias de Adrian Belez na guitarra. Na verdade, os irmãos Slick começaram muito jovens na música, Erick tinha somente incríveis onze anos quando foi contratado como baterista regular na Paul Green School of Rock, enquanto que Julie, começou a tocar baixo aos treze, não demorando para se mostrar um baixista super talentoso. Na segunda parte tudo soa mais descontraído, com Belew fazendo algumas frases que conectam sua guitarra com uma grande tensão atmosférica. A terceira parte encerra a suíte por meio de uma música incendiária e veloz, com cada instrumento sendo tocado de maneira enérgica e excelente.  

“C” possui apenas uma parte, porém, possui mais de seis minutos. A bateria nessa peça é bastante estável, sem – ou quase nenhuma - variação, enquanto que baixo e guitarra conforme a música vai avançando, vão se tornando mais intensos. “D” possui duas partes. A primeira tem Belew tocando um staccato repetitivo. A bateria quando aparece o faz de uma forma quase sinfônica e com os intervalos desiguais. A música passa a ficar com uma estrutura complexa e mais uma vez muito intensa. Certa vez, Belew disse que gostaria muito de ouvir essa peça executada por uma orquestra, onde basta ouvi-la uma vez para entender o motivo dessa ideia, ficaria sensacional. A segunda parte traz o trio para uma música mais linear, acabando por se tornar uma espécie mais compacta da primeira parte.  

“E” possui duas partes e encerra o disco, sendo a primeira apenas uma improvisação de Belew de menos de um minuto. A segunda parte é a maior do disco, passando dos sete minutos. Começa com o bumbo e baixo fazendo uma marcação antes que Belew entre com a sua guitarra, que em algum ponto passa a soar como um sintetizador. Então que a banda começa a tocar escalas ascendentes, improvisando e criando uma peça cheia de mistério. As camadas criadas por Belew são excelentes, enquanto que a seção rítmica segura as pontas de forma brilhante. Destaque também para a linha de piano que soa com deslumbre, enquanto que o baixo vibra em um padrão rítmico. O disco termina com a sua melhor e mais empolgante peça.  

O que temos aqui é uma coleção de músicas altamente experimentais, agradáveis e mais acessíveis do que vocês possam imaginar – algo que não é nenhum pouco fácil de fazer. Em um registro Instrumental do começo ao fim, o trio entrega um disco do mais alto nível e que pode ser considerado até mesmo como o melhor disco do King Crimson não gravado pelo King Crimson. Ouvindo E, não fica muito difícil de entender o motivo de Fripp e Zappa terem trazido Belew e sua maneira inovadora de tocar guitarra para suas bandas.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado pela música progressiva em todas as suas facetas."

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Sobre o álbum

E

Álbum disponível na discografia de: Adrian Belew

Ano: 2009

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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