Resenha

Fuzzy Duck

Álbum de Fuzzy Duck

1971

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

11/02/2022



Apesar de não apresentar nada novo, é atraente o suficiente para que o ouvinte obtenha satisfação instantânea

O único disco dessa banda inglesa é muito consistente e interessante, onde mesmo não oferecendo qualquer grande surpresa ou algumas ideias novas na sua composição, possui o seu valor, trazendo uma musicalidade de muito boa qualidade. Do aspecto instrumental, o disco tem como destaque alguns diálogos entre guitarra e órgão Hammond que sem dúvida alguma agrada qualquer fã de hard rock com boas doses incursões progressivas. Os dois instrumentos são os mais evidentes e estão sempre muito bem amparados por uma seção rítmica encorpada.  

Se na época eles não foram muito notados, o motivo foi bem simples, haviam uma infinidade de artistas e bandas que soavam da mesma forma naquele período, logo, para se destacar deveria entregar algo a mais – algo que não tem aqui. Deixando bem claro que não estou questionando a qualidade da música do álbum, mas a pouca originalidade. O que é encontrado aqui, já havia sido feito anteriormente – mesmo que pouco antes – por bandas como Atomic Rooster, Paladin e Cactus. Sendo a Fuzzy Duck uma banda que pouco se diferia das outras muitas bandas de rock pesado da época, acabou não durando muito – assim como muitas outras bandas também não duraram.  

“Time Will Be Your Doctor” é a peça de abertura, uma boa e saudável dose de rock and roll tipicamente britânico em seu melhor estilo sólido e bombástico. Os teclados são dinâmicos e a guitarra fuzz é selvagem, enquanto que baixo e bateria criam uma cozinha poderosa. Otimista e acelerada, começa o álbum em alta voltagem. “Mrs. Prout” é mais uma música explosiva e a cara do rock pesado 70’s. Possui um ritmo forte e pulsante, além de descarregar mais uma vez uma energia explosiva. A sua segunda metade são três minutos de um instrumental de hard rock clássico e com um ótimo suingue.  “Just Look Around You” mantem o disco em um ritmo implacável. Mais uma vez o melhor do rock pesado britânico é entregue aqui. Tão sólida quanto um bloco de granito, a peça não deixa a atmosfera incendiária do disco esfriar.  

“Afternoon Out” marca a metade do disco. Por meio de um ritmo pulsante, a banda cria aquela que é definitivamente a faixa mais “sombria” do disco. O solo final, mesmo me fazendo ter um déjà-vu, não deixa de ser excelente. “More Than I Am” começa bastante suave por meio de algumas notas de órgão, seguido pela guitarra até que toda a banda se junta em uma sonoridade otimista. Mais uma faixa em que o seu poder maior está em suas investidas de órgão Hammond.  

“Country Boy” vem mostrando que o disco não dá descanso momento algum. Uma seção rítmica cheia de energia, licks de guitarra muito bem harmonizados, belas partes de órgão, além de solos - órgão e guitarra – que são verdadeiros “chutes na cara”. “In Our Time” é um rock roll do tipo divertido, do tipo direto e reto que deve ser tocado sempre em um volume bem alto. Guitarra e órgão mais uma vez se revezam no protagonismo da peça. “A Word From Big D” com menos de dois minutos é a faixa que encerra o disco. Uma peça lúdica e hilária que é o tema da banda. Não é pra ser levada a sério, apenas ouça e entre na brincadeira.  

Fuzzy Duck apesar de não apresentar nada novo – como já foi dito -, compensa com uma avalanche de sons implacáveis do começo ao fim do disco, e que o mantém atraente o suficiente para que o ouvinte obtenha satisfação instantânea, tendo como protagonistas, poderosos sons de órgão Hammond e guitarras – solos e riffs – às vezes pesadas e às vezes psicodélicas.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Fuzzy Duck

Álbum disponível na discografia de: Fuzzy Duck

Ano: 1971

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,5 - 1 voto

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