Resenha

The Zealot Gene

Álbum de Jethro Tull

2022

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

01/02/2022



Um solo excelente de Anderson com o nome Jethro Tull

Pink Floyd e Jethro Tull fizeram um percurso similar no acesso aos anos oitenta. Roger Waters usou o nome Pink Floyd para o solo The Final Cut e por divergências saiu passando o bastão para David Gilmour. O mesmo ocorreu com o velho Jethro Tull e seu capitão e também criador de salmão. 
The Zealot Gene é muito bom, não importando o nome impresso, pois quando o patrão é o mesmo, geralmente as carreiras andam de mãos dadas.
Querendo ou não, Ian Anderson escreve mais um capitulo legal. 
Se descontarmos o disco natalino de 2003, desde Dot Com (1999) não dava as caras com seu filho Tull. Homus Erraticus (ultimo solo) não errou e a sequencia vem sem grandes surpresas com esse, um fruto sem conservantes e que não espantará por mudanças drásticas, apesar de agradável do começo ao fim.

A tradição tem a flauta como instrumento mãe, ninguém soube usa-la tão bem como Ian Anderson, a maneira como toca é celestial e também como canta. Prova que seu gogó não necessita de técnicas mirabolantes, sem as mesmas esmagam alguns que pecam pelo excesso de firulas.
The Zoalot Gene tem a receita da vovó tradicional com pitadas de prog, folk e a massa divina que é guardada a sete chaves, como pastel de Belém.

Mrs Tibbets tem beleza surreal, para ouvir dez vezes seguidas e compreender a genialidade de Anderson, num involucro moderno sem afastar-se do passado. O sorrateiro teclado ao fundo faz toda a diferença!
A faixa título tem começo sombrio e segue o mesmo enquadramento melódico de Homus Erraticus. O que pega mesmo é a letra politica a qual dizem ser direcionada a Donald Trump, para mim, destinada a todos os políticos e a nós que fazemos parte do eterno circo. É bem sobre o extremismo que reina o mundo e a fantasia da esquerda e direita a separar o homem de uma realidade a qual o mesmo dorme enquanto aristocratas contam dinheiro. Permeia o que somos ou fomos doutrinados a ser, seres que rotulam tudo ao mesmo tempo agora, não tão diferente dos cafajestes que elegemos. O vídeo de divulgação deixa claro nossa escravidão ante as regras dos "grandes", o que não é novidade, somente mais latente e ardente na atualidade. 

Barren Beth, Wild Desert John tem levada atrativa e "vocais respostas" interessantes. Intercala o peso médio das guitarras com o folk mais alegrete. Atenção especial ao excelente solo de guitarra e as geniais frases de flauta.

Não é necessário dissecar o álbum todo, de bom tom que o ouvinte não vislumbre o passado heroico e assim busque algo mais delicado em instrumentais. A ausência de Martin Barre sempre pesará na balança, por mais que o mago flautista tente superar a si mesmo. É como um Rolling Stones sem Keith Richards, pode ser pedra rolante, mas, num um molde um pouco genérico. 
No geral, temos um álbum melhor que Dot Com, se bobear a frente de Homus Erraticus ou num empate técnico com The Secret Language Of Birds.


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Sobre o álbum

The Zealot Gene

Álbum disponível na discografia de: Jethro Tull

Ano: 2022

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 3 votos

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