Resenha

Remants Of Life

Álbum de Osiris the Rebirth

2009

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

29/01/2022



Mais do que um clone de Hawkwind, a banda entrega uma coleção muito boa de músicas cheia de energia e vitalidade

Como o nome sugere, se trata de um ressurgimento, onde nesse caso, referente um projeto que esteve em hiato por duas décadas. Dave Adams e Milo Black já haviam trabalhado juntos nos anos 80 em uma banda cover de Hawkwind, antes de somente no ano de 2009, lançarem Remnants of Life. Enquanto isso, o disco também traz inúmeros convidados que adicionam camadas complementares de som, porém, de forma sempre guiada pelas habilidades e imaginação da dupla principal.  

“Phase Transition Initiate” tem um começo diretamente relacionado à contagem regressiva do álbum Captain Lockheed and the Starfighters de Robert Calvert. Inclusive parece ser um aceno completamente intencional. Serve como uma introdução. “Colgate Valentine” em seus primeiros segundos já mostra sua influência em Hawkwind. Vai se desenvolvendo sem muitas alterações na rota, soando bem direta. Possui alguns vocais falados e depois uma sonoridade de um rock progressivo mais tradicional – com destaque para o baixo. Um espace rock simplesmente matador. O solo de guitarra apesar de melódico é bastante energizado. “Starlight Scorpio” , baixo e teclado estabelecem um groove bastante interessante, entregando space rock muito bom. Os vocais de Bridget Wishart aparecem de forma linda. Uma peça lenta e discreta, mas ao mesmo tempo delíciosa de ouvir. Considero esse um dos momentos mais dramáticos do disco – mesmo soando suave. 

“Siren” direciona o disco para uma linha space rock mais pesada. Um som matador, parece até que Lemmy – da sua época de Hawkwind – foi convidado para cantar aqui. A parte falada também nos remete a algo da Hawkwind – mais precisamente, Sonic Attack”. Sem dúvida uma das melhores – ou quem sabe a melhor - músicas do disco. “Gymnofeetie”  possui menos de dois minutos, começando com muita suavidade e beleza, dessa vez soando longe de Hawkwind, sendo um som mais orientado para uma música progressiva mainstream. Funciona muito bem em uma combinação de mudança de acordes muito bonitas. “Dragonslayer” começa por meio de uma melodia de piano, enquanto os demais instrumentos vão se juntando a ele, criando um rock progressivo pesado, ao mesmo tempo que emotivo e melódico. A passagem instrumental é composta por um solo de guitarra muito bom. No geral, possui várias mudanças e seções variadas. A peça mais dinâmica do disco e a menos parecida com algo já feito pela Hawkwind. “This Is The Watcher” é uma peça com menos de trinta segundos que possui apenas alguns teclados atmosféricos e um pouco de monólogo.  

“Osiris” começa por meio de uma flauta e logo vai se construindo de maneira atmosférica. Mais um vocal falado é colocado na peça, lhe dando assim, uma carga dramática. Linda e intrincada, se trata de um exemplo clássico de space rock. No encarte, os créditos listam Nik Turner como um dos compositores, logo, nada mais normal do que o ouvinte encontrar vibrações de Hawkwind mais uma vez no disco. A forma como ela desliza em uma melodia simples, mas viciante, é maravilhosa. “Bliss” mais uma peça curta – cerca de um minuto – que traz apenas um som ambiente sob um pouco de palavras faladas. “Karmic Vortex”, algumas guitarras mais barulhentas entram e parecem querer direcionar o disco para uma linha space rock mais pesada, mas não é isso que ocorre, e por volta dos dois minutos, o baixo começa a conduzir a peça. Várias camadas de teclado e uma guitarra de abordagem de mistura entre o fusion e a música espacial dão um ar onírico ao som. Esse direcionamento faz com que ocorra mais um aceno ao Hawkwind, onde logo a banda parte pare um seguimento mais pesado. O space rock se funde com um rock progressivo mais puro de forma muito eficaz. Vale destacar alguns solos de guitarra bastante inspirados. Por mais que novamente existe uma comparação com a Hawkwind, aqui a música possui um som com mais mudanças e alterações. “This Is The Watcher”, são apenas dezoito segundos de efeitos sonoros e um pequeno monólogo.  

“Technology” começa com alguns efeitos sonoros deixado pela peça anterior, mas que logo muda para um arranjo que mistura eletrônico com space rock. Vale destacar aqui um ótimo solo de saxofone e outro de guitarra que são executados enquanto a peça continua a evoluir. Uma linda balada  “End Of Something” começa com alguns solos de guitarra pincelados por cima de camadas de teclados que são colocados de pano de fundo, trazendo para o disco uma influência quase floydiana, mas então a música entra em uma sonoridade mais animada. Quando a música se move novamente para uma linha mais lenta - porém, não tanto quanto a do início - é a flauta que guia os demais instrumentos. Os vocais de Cindee Lee Rule aparecem e trazem com eles uma bela harmonia. Há espaço para uma mudança de direção, a deixando uma música espacial mais pesada. Certamente que “End Of Something” é mais um dos momentos mais dinâmicos do disco, passando por várias mudanças, solos de diferentes instrumentos e em diferentes pontos. Novamente um casamento perfeito entre o space rock e o rock progressivo mais tradicional.  

Bem, o nome da Hawkwind foi usado várias vezes durante a resenha, então, é inegável que em muitos pontos a banda careça um pouco de personalidade, mas seria um engano dizer que se trata apenas de um clone, pois a música de Remnants of Life não é simplesmente carbono, e entrega ao ouvinte momentos muito bons de um space rock cheio de brio no que diz respeito a beleza de suas melodias e arranjos.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Remants Of Life

Álbum disponível na discografia de: Osiris the Rebirth

Ano: 2009

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,5 - 1 voto

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