Resenha

Attahk

Álbum de Magma

1978

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

20/01/2022



Por meio de uma faceta diferente, em Attahk a banda ainda entrega um trabalho enérgico, fascinante e gratificante

Em 1978, quando Attahk foi lançado, o Magma já tinha em sua discografia algumas verdadeiras obras-primas que haviam despejado nos ouvidos de todos aqueles admiradores de Zeuhl - MDK e 1001° Centigrades, isso pra citar apenas dois exemplos. Mesmo quando falamos de Üdü Ẁüdü, seu disco anterior e que marcou uma mudança de direção no som da banda, também estamos falando de algo significativo. Vendo por essa ótica, o que imaginamos é que Attahk tinha como exemplos um alto padrão de qualidade musical para ser seguido, onde mesmo não conseguindo ser exatamente tão grande quanto qualquer um dos seus predecessores – exceto Üdü Ẁüdü, -, mostra que até em um dos seus discos menos aclamados, a banda ainda tinha muito a oferecer.  

As linhas de baixo que ainda seguem cheia de vigor e a bateria precisa e furiosa desempenham a sempre forte seção rítmica encontrada em discos anteriores, mas algo aqui soa diferente, dando uma sensação geral muito mais funk e soul do que o Zeuhl clássico. Porém, embora isso possa parecer um problema, no geral, pode ser relevado, afinal, estamos diante de uma música extremamente bem composta, além de possuir uma energia furiosa e incrível.  

“The Last Seven Minutes” começa o disco de maneira incrível, com a bateria já se destacando. Inclusive, eu considero uma das melhores performances de bateria da carreira de Vander. Os vocais são incríveis e a instrumentação é direcionada para uma linha otimista. No fim ainda possui um piano arrepiante. O disco inicia sem qualquer tipo de falha. “Spiritual” é uma música gospel em Kobaian, inclusive bem chatinha, sem qualquer tipo de experimentação ou ingrediente que me faça não ter vontade de pulá-la sempre que escuto esse disco. A peça simplesmente não funciona e acaba sendo o único momento que considero realmente ruim no álbum. 

“Rind-ë” é uma peça em que os vocais de Stella é o grande destaque. Por cima de um piano celestial, a faixa inicialmente é interessante, mas os seus pouco mais de três minutos dão a impressão de uma peça que só possui introdução e que não chega a lugar algum. É bonita? Sim, mas parece incompleta. “Liriïk Necronomicus Kanht”, aqui o Zeuhl se mostra presente de uma forma que não havia acontecido ainda no disco. Possui os clássicos vocais estranhos – ao menos para quem não é acostumado com o gênero - por cima de uma fusão de sons excelentes e muito bem tocados por toda a banda.  

“Maahnt”, assim como aconteceu na faixa anterior, a banda apresenta novamente um bom e honesto Zeuhl. Desde a sua abertura eles entregam uma faixa de sonoridade assombrosa e vocais estranhos – o que não é nenhum problema, muito pelo contrário. “Donda”, em relação as duas faixas anteriores, temos agora um tema mais pacífico. Após uma introdução por meio de algumas notas de piano, uma linha de baixo e batidas suaves ditam o ritmo da faixa. Os vocais são divididos por dois solistas que cantam com maestria e colocam vozes por cima de uma construção musical lenta e extremamente eficaz. Com linhas hipnóticas, o baixo é o grande destaque da peça – apesar de todos desempenharem muito bem suas funções. “Nono” chega para finalizar o disco de maneira enérgica. Começa por meio de uma linha de baixo cativante de Guy Delacroix  e que logo é seguido pela bateria e vocais de Vander, além das teclas de Benoit. O ritmo é bastante acelerado pelo chimbal. A mudança de ritmo é incrível, acelerando o baixo e entregando um solo de sintetizador que coloca um espirito sinfônico na peça. Tudo termina como começou, mas com um vocal dramático e repetitivo. 

Se você está atrás de um clássico disco de Zeuhl, certamente esse aqui jamais pode ser encarado como opção para começar a sua jornada dentro dessa música tão desafiadora, principalmente sendo esse um disco composto pela – literalmente - mãe do gênero. Mas independente disso, a qualidade musical aqui é presente durante quase todos os seus trinta e oito minutos. Attahk, de uma maneira diferente, também entregou um disco de musicalidade rica, com muitas camadas de sons para serem descobertas, composições intrincadas, ótimas harmonias vocais, bateria muitas vezes enlouquecida, mas sempre bem direcionada, linhas de baixo incríveis - o grande destaque do disco – e muito mais. Como lamento, fica o fato de que segundo palavras no próprio Christian Vander e escritas no encarte do CD, as faixas “Dondai” e “Maahnt”, inicialmente teriam cerca de 25 minutos. Fico imaginando como seria as coisas se isso tivesse ocorrido.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Attahk

Álbum disponível na discografia de: Magma

Ano: 1978

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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