Resenha

Venus

Álbum de Hemina

2016

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

10/01/2022



Venus varia de forma natural e brilhante de um metal progressivo pesado e trovejante para algumas expressões psicodélicas e atmosféricas

Hemina é uma das bandas de metal progressivo mais variadas e diversificadas que existem. Em cada álbum podemos vê-los experimentando coisas novas e adicionando novos gêneros à sua mistura musical. Em Venus, você ouvirá muito sax jazz e guitarras blues, seções de progressão sinfônica, enormes movimentos orquestrais de teclas, flauta pastoral e inspirações new wave - sim, eles fazem tudo isso. Do começo ao fim, eles fazem todo esse trabalho como poucas outras bandas fariam. Arrisco a dizer que esse seja o seu disco mais variado. Isso o faz melhor que os dois anteriores? Não, mas certamente também é uma pérola do metal progressivo do século XXI.  

Assim como havia acontecido com o seu disco de estreia, mais uma vez a banda cobriu quase os 80 minutos do CD com a sua música, mas novamente sem fazer com que o ouvinte se sentisse sobrecarregado, soando bastante acessível e cativante. As músicas variam de um metal progressivo pesado e trovejante para algumas expressões psicodélicas e atmosféricas com muita naturalidade. Em seu terceiro disco eles apenas confirmam o quanto eles são bons em passear por vários terrenos musicais, mas sem se perder, mantendo o disco sempre coerente.  

“Fantasy” possui um riff irregular de guitarra que se constrói em um ritmo acelerado. A guitarra é acompanhada por algumas ótimas linhas de sintetizadores enquanto que os vocais em camada sempre estão em harmonia com uma melodia cativante – principalmente as de teclado. A peça ainda possui um excelente duelo entre teclado e guitarra que coloca mais poder no resultado final enquanto ambos se apoiam de maneira soberba. “Expect the Unexpected” desacelera o disco por meio de uma balada suave de vocais profundos e letra reflexiva. A paisagem sonora é muito bem realçada com o solo de saxofone do convidado Jymmy Garden, trazendo um ar melancólico e arejado. Os vocais de apoio de Jessica são maravilhosos.  

“High Kite Ride” começa com um riff de guitarra simplesmente matador sobre um tempo quebrado aumentado pela bateria caótica de Nathan McMahon. São mais de nove minutos de muita volta e reviravolta. Há quebras sensacionais de guitarra dupla. Os ritmos de manobra se quebram várias vezes em alguns compassos complexos que começam e param gerando uma atmosfera desconcertante. Uma música cheia de detalhes que é impossível notar todos eles em apenas uma audição. Um dos destaques do álbum. “Moonlight Bride” tem um começo que eu definiria como uma espécie de jazz metal – principalmente por conta do saxofone. A peça possui um solo excelente de guitarra – que aumenta ainda mais a elegância e classe da melodia - e o saxofone romântico sempre presente dá um toque mais do que especial.  

“Venus” é a faixa título e um dos três épicos do disco – faixas que passam dos dez minutos -, contendo pouco mais de onze minutos. Começa com algumas vibrações acústicas e vocais suaves. A banda então sofre um ataque matador de uma guitarra metaleira e teclas orquestrais. Eu consigo sentir uma boa influência em obras do Ayreon. Não tem como não lembrar do momento em que a música é aplacada pelo som doce da flauta da convidada Sarah Henderson, um dos mais belos momentos do disco e que age como uma calmaria antes da tempestade. “Venus” é uma peça arrepiante e uma das melhores de todo o catálogo da banda, sendo perfeita a sua complexidade e justaposição da furiosa guitarra de metal lutando contra o calmo piano e flauta. 

“The Collective Unconscious” inicia-se por meio de uma guitarra distorcida e pesada enquanto que algumas linhas de sintetizadores desfilam por trás de tudo criando uma cama quase sinfônica. O revezamento de guitarras – com ótimos solos - é bastante intenso. É uma das faixas curtas do álbum - com quase três minutos e meio -, mas mesmo assim bastante impactante. “Secret's Safe” tem o seu início por meio de uma melodia cativante que inclui um solo alto astral de sintetizadores, mas quando entram os primeiros vocais a peça ganha um fervor maior – principalmente pelos riffs rápidos de guitarra. As guitarras gêmeas estão sensacionais e as quebras de guitarra solos são lindas, sendo construídas em um ritmo mais pesado.  

“Starbreeze” é mais uma das músicas com apenas cerca de três minutos e meio. Possui notas proeminentes de baixo, guitarra em staccato e vocal estendido e calmo, fazendo com que se crie aqui uma excelente vibração. Mesmo sendo uma faixa com menos tempo para variações, pega o ouvinte por meio de uma sonoridade cativante. “I” com quase onze minutos é o segundo épico do disco. Há aqui um excesso de progressivo – o que eu adoro. Certamente, um dos melhores vocais de Skene e um trabalho de teclas que proporciona uma atmosfera quase gótica. Outro destaque é quando Jessica assume os vocais cantado com algumas harmonias em várias camadas, simplesmente genial. Há uma mudança de direção que leva a peça para uma cadencia mais lenta e sombria, mas que sofre uma mudança com explosões de guitarras gêmeas com palhetadas rápidas.  

“Dream State of Mind” inicia com alguns sinos, por trás uma camada orquestral e sombria vai crescendo em intensidade até que toda a banda se junta. Os sinos que permanecem no mesmo ritmo e um breve solo de saxofone sãos os destaques até entrarem os primeiros vocais. Novamente os riffs de guitarra são fortes, a seção rítmica é muito bem executada e a construção orquestral de fundo é a cereja do bolo. O saxofone não aparece apenas no início da faixa, sendo peça importante também no seu encerramento. “Down Will Come Baby” com quase doze minutos cravados é a maior e também a faixa que finaliza o disco. Acordes brilhantes de guitarra e ótimas passagens instrumentais que casam muito bem com um ritmo musical volumoso, criando uma obra envolta de peso, mas sem perder em nenhum momento o seu brilho ou qualquer sensibilidade. Frenética e de melodia otimista, é uma faixa de sonoridade muito poderosa, destacando-se além da instrumentação, os vocais mais uma vez incríveis.  

No geral, a banda conseguiu triunfar mais uma vez na criação de um disco de quase 80 minutos, mesclando seu gênero principal – metal progressivo – com outros que a deixam com uma sonoridade peculiar, e que faz com que ela não seja apenas mais uma no meio da multidão. Ao contrário do que aconteceu nos dois discos anteriores, precisei de mais de uma audição para ser atingido pela música apresentada, mas isso não chegou a ser um problema. Venus é um álbum apaixonante e cativante em todos os sentidos, e os momentos com sax, flauta, trompete e outros instrumentos o aumentam para muito além da média de um álbum de metal. 


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Venus

Álbum disponível na discografia de: Hemina

Ano: 2016

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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