Resenha

Synthetic

Álbum de Hemina

2012

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

08/01/2022



Metal progressivo concentrado em atmosferas sombrias, melodias fortes e arranjos robustos

Quando ouvi Hemina pela primeira vez, eu já havia escutado discos das também australianas Voyager e Caligula’s Horse, logo, percebi que o século XXI havia colocado o país de vez no cenário mundial no que diz respeito a formação de grandes bandas de metal progressivo. Synthetic é o primeiro disco da banda e uma belíssima coleção de músicas incrivelmente maduras, complexas e emocionais, além de muito bem desenvolvidas e polidas. Embora às vezes um pouco áspero na produção, a composição foi profundamente desenvolvida e inteligente, e as performances tecnicamente impecáveis. 

As canções são épicas, com uma qualidade dinâmica muitas vezes ausente no progressivo moderno, fazendo o ouvinte se lembrar do disco Remedy Lane do Pain Of Salvation. Metal progressivo com uma compreensão natural de fluxo e refluxo e também de luz e sombra, onde nada é exagerado e nada é estendido além do que é bem-vindo, um feito incrível considerando que o álbum tem 79 minutos de duração. 

“This Hour Of Ours” é uma curta peça de abertura, trazendo uma sonoridade assustadora de sintetizadores enquanto barulhos de chuva ajudam a criar a atmosfera necessária, ainda possui alguns vocais cristalinos e emocionantes. “To Conceive A Plan” com mais de onze minutos é o primeiro dos três épicos do disco. Por alguns segundos, um piano é o que dá início à faixa até que os outros instrumento explodem em um ritmo pesado. A guitarra principal é fervorosa junto de um forte desempenho de bateria. O baixo possui linhas muito bem executadas enquanto que os teclados vão criando uma cama sinfônica que completa tudo perfeitamente. É impressionante o poder no som da banda, um metal progressivo incrível com longos intervalos instrumentais e excelentes solos de guitarra. Um começo de disco incrível para um álbum épico.  

“The Boy is Dead” começa por meio de uma instrumentação bastante pesada e um solo de teclado claramente influenciado pela intensidade do estilo de Jordan Rudess. Quando a peça se estabelece, ela fixa por alguns segundos em uma passagem silenciosa até sofrer mais um ataque de metal – algo que vai acorrer outras vezes. Alguns vocais são silenciosos e etéreos, mas a música sempre acaba explodindo repentinamente em um riff implacável. “For All Wrong Reasons” traz uma mudança muito boa para o disco, quebrando o peso das faixas anteriores. Os duetos vocais entre Douglas Skene e a baixista Jessica Martin criam lindas harmonias. O solo de guitarra cheio de emoção também ajuda com que esse seja um dos destaques do disco. 

“And Now to Find a Friend” é o segundo épico do disco e também tem mais de onze minutos. Começa com uma seção de corda que logo em seguida é substituída por uma bateria firme, riffs distorcidos de guitarra e um solo bastante dinâmico de sintetizador que eleva bastante a atmosfera da música. Os vocais são apaixonados e a paisagem sonora estão em algo entre Queensrych ou Symphony X. Durante toda a música o ouvinte é levado em muitas direções do metal e do rock sinfônico. “With What I See” começa por meio de um suave piano acústico, além de cordas e algumas notas de violão. Então que um riff pesado de guitarra assume o controle agora sobre um instrumental agitado. É o metal mais clássico até aqui, um som que apesar de ótimo, parece com algo visto mil vezes em outro lugar, exceto em relação à maneira que ela termina por meio do uso de feedback e alguns sintetizadores especiais. 

“Hunting Is for Women” segue a partir de onde a faixa anterior terminou, começando com algumas batidas isoladas. Quando toda a banda entra na peça, sinto uma instrumentação meio estranha e até desajustada - não que ela esteja desajustada, mas eu particurlamente senti isso. Os vocais melosos seguem uma melodia mais experimental. Apesar de um bom trabalho de guitarra e sintetizador, talvez seja o momento menos inspirado do disco. “Even in Heaven” faz com que disco retorne com a guitarra e teclado tipicamente metal. Inicialmente em um ritmo mais lento, logo a banda adentra em uma batida veloz com destaque para o riff matador de guitarra. Quando os primeiros versos chegam, tudo fica mais silencioso, mas o que parece ser uma canção de amor volta novamente para uma seção rítmica veloz e uma guitarra em chamas. Vale destacar também a pausa instrumental que é maravilhosa com teclas de estilo mellotron e um solo de teclado rápido e alucinante sobre bateria e guitarra pesadas. Uma das faixas destaques do álbum.  

“Conduit to the Sky” com pouco menos de três minutos é a segunda menor faixa do disco. Apresenta alguns teclados assustadores e coros celestiais. Serve como uma peça de transição para “Haunting Me!”, que acompanha a elegância deixada pela faixa anterior, porém, de uma forma mais enérgica. Os vocais são sombrios e o trabalho instrumental muito bem conduzido. O solo de guitarra em duas camadas é excelente, além de uma seção etérea com efeitos e entonações vocais. “Divine” com mais de treze minutos é o terceiro épico do disco e também a faixa que o encerra. Na sua primeira seção, o que predomina é um clássico riff de metal, mas depois há uma quebra de ritmo que se antecipa a um excelente solo de guitarra, tendo em seguida um solo de teclado que lembra muito Jordan Rudess – provavelmente a grande influência de Phill Eltakchi - antes dela se estabelecer por alguns segundos em uma passagem praticamente solo das teclas, mas logo a banda regressa de forma completa e enérgica. Mais à frente a peça fica acústica e com os vocais mais suaves – destaque também para o belo solo de guitarra em camadas. Novamente um riff de metal leva a música para uma linha agitada, onde o guitarrista, Mitch Coull, mostra que em “Divine” é onde encontra seus momentos mais inspirados no disco. Após tantos vocais limpos, aparecem alguns grunhidos perturbadores. Os vocais limpos retornam novamente e agora podendo perceber também a voz de apoio da baixista Jessica. O final da faixa é por meio de uma vibração sombria.  

Criar um disco de metal progressivo usando praticamente todos os 80 minutos do tempo disponível para a gravação de um CD é bastante arriscado, mas eles bancaram a ideia e provaram logo em sua estreia que aqui estava nascendo uma banda que veio pra ser grande. Uma jornada épica cheia de guitarras e teclados incríveis, além de uma seção rítmica muito bem direcionada e robusta, enquanto que os vocais ainda que não chamem a mesma atenção, são muito apropriados. Metal progressivo feito principalmente para ouvintes que não querem ser constantemente bombardeadas com riffs rápidos e passagens instrumentais complexas, dando espaço também para muitos enfeites sinfônicos e espaciais.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Synthetic

Álbum disponível na discografia de: Hemina

Ano: 2012

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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