Resenha

Love Cycle

Álbum de The Crome Syrcus

1968

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

07/01/2022



Um dos álbuns 60's da psicodelia estadunidense mais desequilibrados que já ouvi

The Crome Syrcus foi uma banda estadunidense formada em Seattle e que chegou a compartilhar palcos com grandes nomes como The Doors e Grateful Dead, porém, não chegaram a conseguir gravar mais do que este que é o seu único disco. Com um pop rock psicodélico, porém, pouco viajado, a banda não causou o mesmo impacto que tantas outras da mesma época conseguiram, sendo Love Cycle um dos registros mais desequilibrados da música psicodélica americana dos anos sessenta, com alguns momentos em que soa muito bem e outros bastante fracos.  

O disco como um todo é uma decepção? Talvez eu não seja tão duro a ponto de afirmar que sim, mas não há como negar que durante boa parte dos seus trinta e cinco minutos a sensação é a de estar diante de uma obra musical desconexa e sem muita profundidade, carecendo também muitas vezes de um foco e direção.  

“Take It Like A Man” faz com que o disco comece muito bem por meio de um piano que logo ganha a companhia dos demais instrumentos e em seguida um breve solo de órgão. O acontece depois mostra um rock simples e comercial da época, sem muitos atrativos, mas ainda assim, até que soa interessante. “You Made A Change in Me” é uma peça bastante arrastada e sem muita inspiração, fazendo tudo parecer muito preguiçoso conforme vai se desenvolvendo, ou melhor dizendo, conforme vai seguindo pra algum lugar que nunca chega.  

“Crystals” é uma peça com mais energia do que as anteriores e também mais interessante. O grande destaque aqui certamente fica por conta do solo de guitarra fuzz totalmente tingido e dominado por ácido. “Never Come Down” tem em seus primeiros dez segundos algo que me fez lembrar o The Doors, porém, longe do mesmo brilho de Jim Morrison e companhia. Assim como na faixa anterior, aqui também há um solo de guitarra que agrega muito no resultado final, mas ela precisaria mais de que um bom solo para ser memorável.  

“Woman Woman”, com menos de dois minutos, é a menor faixa do disco. A banda aqui mostra o seu lado mais art rock experimental. Uma peça que embora não encante, consegue divertir. “Love Cycle” é a faixa título e também a que encerra o disco com os seus mais de dezessete minutos. Antes de ouvir essa música pela primeira vez, achei que estaria diante de algum tipo de épico que iria fazer com que a nota do disco aumentasse, mas infelizmente a ideia aqui é desconexa e sem profundidade, o que acabou desvalorizando o disco musicalmente. Sem direção, chata, sem inspiração e passa muito longe da minha ideia de rock psicodélico feito por bandas estadunidenses da época, sendo no fim, uma espécie de improvisação de músicos pretensiosos sem uma ideia concreta do que estavam querendo fazer.  

E inegável que o disco tem os seus bons momentos, mas no geral é bastante inconsistente. Se você é um fã da música psicodélica feita nos Estados Unidos no final dos anos sessenta, você pode querer dar uma conferida em Love Cycle, sempre vale conhecer uma banda nova, agora se você é daqueles ouvintes mais casuais, há centenas de outros discos para ouvir antes desse.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Love Cycle

Álbum disponível na discografia de: The Crome Syrcus

Ano: 1968

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 2,5 - 1 voto

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