Resenha

Baśnie

Álbum de Collage

1990

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

06/01/2022



Ao mesmo tempo que demonstra notas do neo prog inglês, também esconde cuidadosamente suas influências sob seu estilo pessoal

Quando lançado em 1990, Baśnie, primeiro disco da banda polonesa Collage era uma espécie de resposta as bandas britânicas do movimento neo prog como IQ, Marillion e Pendragon. Possui uma produção excelente, melodias fortes e alguns temas complexos com instrumentação riquíssima - principalmente por conta dos trabalhos de guitarra e teclado. Poucos são os idiomas os quais eu tenho problemas em relação a vocais, sendo que o polonês não é um desse, então o fato de a banda cantar nele é algo que pra mim não há problema algum.  

Ao contrário do que acontecia com uma legião de bandas de neo progressivo que se inspiravam no Marillion – era Fish – para criar o seu som, podemos dizer que a Collage tinha uma maneira mais particular de apresentar o seu som. Eles não apenas se preocupavam em preservar o som já feito pelo Marillion, mas se preocupavam também em direcionar a sua música para frente.  

“Jeszcze jeden dzien (One More Day)” é a faixa de abertura. Já faz com que o disco comece com força total. Possui uma guitarra inicial bastante estridente, mas que depois soa muito mais poderosa por meio de acordes muito fortes e em outros momentos através de bonitos lamentos que vão crescendo conforme a faixa avança. Vale destacar também algumas ótimas linhas de teclado que dão um belo ar sinfônico à peça. “Ja i ty (Me and You)” possui uma sonoridade mais calcada no folk, tem boa melodia, porém, os vocais deixam a desejar. Mas o saldo ainda é positivo.  

“Kołysanka (Lullaby) (fragment), mesmo sendo na verdade um fragmento de uma fita chamada Change e gravada pela banda em 1987, já é possível notar todas as características que a banda abordariam nesse seu disco de estreia. Belos e melódicos teclados ao fundo que dão alguns ganchos para que mais uma vez a emocional e aventureira guitarra possa desfilar com extrema elegância são os principais regentes da peça.  

“Baśnie (Fairy Tales)” é a faixa título e também a mais longa do álbum, porém, ela me faz fugir um pouco do que costuma acontecer comigo – que costumo ter nas faixas mais longas de disco como esse, sempre algo a mais pra apreciar -, aqui podemos ver uma peça longa, não tão inspirada assim. Começa muito bem por meio de uma melodia extremamente agradável, porém, os vocais quando entram, dessa vez se mostram um pouco tensos e sem combinar muito com a música. Ela vai seguindo de forma bastante animada, mas sem muitas surpresas ou atrativos. Durante toda a peça predominam ambientes coloridos que se alternam com algumas passagens de linhas mais misteriosas. Pode ser vista como uma espécie de dica do que a banda iria criar em Moonshine – seu disco mais representativo até hoje. Uma faceta épica da banda, mas ainda sem o mesmo brilho que atingiriam no futuro. Como maior destaque são alguns solos de guitarra que soam como se Nick Barrett encontrasse David Gilmour. 

“Dalej, dalej (Farther and Farther)” começa por meio de algumas notas de guitarra sobre sons de sintetizadores. Os vocais não demoram para entrar pela primeira vez, sendo que logo de cara mostra-se muito mais interessante que na faixa anterior. Excelentes melodias, solos incríveis de guitarra e sintetizador e seção rítmica deslumbrante é o que marca a faixa por todos os seus sete minutos. Sem dúvida alguma o meu momento preferido no disco.  

“Stare ściezki (Same Old Paths)” inicia-se com alguns leves toques de triangulo enquanto uma harmonia de sintetizadores vai crescendo ao fundo até que o vocal seguido de baixo e bateria também se juntam. A peça possui algumas trocas e explosões de guitarra e vocal muito boas antes de uma mudança de ritmo. O suporte instrumental é muito bom para que o vocal possa mais uma vez soar de forma interessante. Tem o final por meio de uma bela paisagem sonora que se estende até o fadeout.  

“Fragmenty (Fragments)” começa com algumas solitárias notas de guitarra antes que os demais instrumentos entrem na peça com elegância. O vocal aqui está soando bastante apaixonado, baixo robusto, guitarra e sintetizadores criam um ótimo clima sinfônico enquanto que a bateria dita o ritmo brilhantemente. Uma peça que entrega uma dose de energia muito boa, além de melodia cativante. “Rozmowa (Conversation)” é a peça quer encerra o disco. Mais uma vez o trabalho de guitarra é notável, mas também vale mencionar a bateria que é uma das melhores do disco. No meio possui um interlúdio belíssimo por meio de piano e uma guitarra bastante sutil.  

O saldo final da estreia da banda é bastante positivo e considero um ótimo item para se ter em qualquer coleção de neo progressivo. Possui algumas composições poderosas, todos os instrumentos são tocados de forma muito dinâmica e a produção é muito boa – exceto pela bateria que às vezes parece soar um pouco superficial. Porém, o mais importante e relevante aqui é o fato da banda ao mesmo tempo que demonstra notas do neo prog inglês, também esconde cuidadosamente suas influências sob seu estilo pessoal.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Baśnie

Álbum disponível na discografia de: Collage

Ano: 1990

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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