Resenha

Vol. 4

Álbum de Black Sabbath

1972

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

19/12/2021



Tempos de glória

Tarefa árdua analisar os seis primeiros trabalhos do Black Sabbath e decifrar qual é o melhor. Em analogia com o futebol, é como se um time ganhasse seis títulos importantes em sequencia. Até hoje minha situação quanto a essa fase vitoriosa é itinerante, tamanho o equilíbrio, num dia posso escolher Paranoid, no outro o Sabotage.
Vol 4 também é inquestionável e a porta escancarada para a fase dos entorpecentes, tanto é que o nome dado inicialmente foi Snowblind. 
A gravadora achou pesado e pediu mudanças. Só para ter noção da farra, eles guardavam cocaína em caixas acústicas. A conta pelos excessos cobraria o preço após Sabotage, por enquanto a criatividade convidava os fãs a ouvirem os mais preciosos riffs das mãos do mestre Tony Iommi.
 
Em relação a Master of Reality, o quarto álbum soava ainda mais obscuro, consagrando temas que bandas de stoner e doom metal copiariam pela eternidade, vide o inicio com Wheels Of Confusion em progressões de cadencia com um delirante e genial Bill Ward destroçando as baquetas. Vejam que é arriscado jogar viradas e mais viradas em um ritmo que pede a segunda marcha, outro somente acompanharia as batidas e tentaria no máximo dar uma "chamada" tímida aqui / acolá para não atrapalhar e não ferrar o som, Bill fez a diferença pela ousadia, técnica e noção de aplicação. Wheels of Confusion tem mudanças bruscas e tempo longo para os padrões apresentados até então. 

Tomorrow’s Dream segue a receita clássica do bolo, criar tudo a partir de um riff. Toda a gama de peso aliado a voz de Ozzy, bastariam, no entanto, entregaram dobrado com belos solos e arranjos. 
O único pecado para Vol 4 é descrito por Geezer Butler, pois não gostou da mixagem do contrabaixo. Se não me falha a memória, usou outro instrumento por conta de um roubo ou esqueceu-o em outra cidade, devido a pressa para gravar. Caso similar ao show gravado oficialmente no Hammersmith Odeon (1978) na qual teve o baixo roubado e foi socorrido por ninguém menos que Glenn Hughes, sim, aquele rickenbacker vermelho do vídeo. 
Sobre a gravação, concordemos com o baixista, realmente os graves perderam em definição e ganho. A saída de Rodger Bain fez falta nessa etapa.

Changes é a balada de minha vida. Ouvi pela primeira vez na FM e fiquei de boca aberta sem entender como alguém faria algo tão perfeito. A letra discursa sobre mudanças, precisamente a separação de Bill Ward. 
Quem toca o piano é Tony Iommi, quem diria hein? É bom demais ver um vídeo que circula sobre o período do "13", em que o Sabbath resgata canções como Wicked World, The Wizard e Changes. 
Kelly Osbourne fez uma versão com o pai, e ... ambos assassinaram a mesma. Nunca ouviu? É bom ter estomago. 
Ainda sobre Changes, encontrei um maluco tão fã quanto eu, na verdade um colega que também era doido por Raul Seixas e trabalhava numa loja de discos. E olhem só !, como não tinha acesso aos aparelhos, pediu para que eu gravasse uma K7 com Changes, sim, a fita toda rodando o mesmo som. História antiga que merece lembrete. 

Não há muito o que desvelar sobre os experimentos de FX, apenas um temperinho de estranheza para a entrada de Supernaut. Reza a lenda que Tony Iommi usou o próprio crucifixo para arrancar ruídos. 

Supernaut é outra pedrada! Ozzy brilha de forma soberana e Iommi mereceria uma medalha de honra ao mérito. 
A letra tem seu valor e cabe decifra-la "ad lib". No meu quadro mental, temos uma viajante do tempo ou eremita tentando a iluminação sob efeitos de psicotrópicos primários.

Snow Blind como revelada anteriormente, era para dar nome ao álbum. Por questões lógicas a ideia foi abortada. Uma ótima faixa e pedida certeira nos shows e compilados.

Cornucopia entra no meu top 10. O instrumental é perfeito e pai de muita coisa que o finado grupo Cathedral usufruiu. 
O desempenho de Bill Ward? Algo sobrenatural. As batidas no gongo ao começo da segunda parte arrepiam qualquer um. 
A composição remete ao que passavam na época, toda a fama, luxo e drogas. Mesmo ludibriados pelo jogo e por toneladas de coca, tinham consciência de como funcionava o mundo empresarial e a fabriqueta de ilusões. Contudo ainda tomaram "volta" de um sujeito chamado Patrick Meehan, devidamente "homenageado" ou amaldiçoado em The Writ (Sabotage). 

A beleza acústica da instrumental Laguna Sunrise, fala por si.
St. Vitus Dance é mais simplória e curta, enquanto Under The Sun / Every Day Comes and Goes pega o clima de Wheels of Confusion e amplifica a pegada heavy hard em pleno 1972, quando o termo raramente era usado, servindo de pilar para grupos de todas as facetas e divisões do metal, como o doom, stoner, black metal, e todo apanhado de som cavernoso que vem a mente. Preste bem atenção a sua mensagem, uma ode a quebra de paradigmas. 

Batido o martelo e a nota é 10

Formação:
Ozzy Osbourne – vocal
Tony Iommi – guitarra
Geezer Butler – baixo
Bill Ward – bateria

Faixas:
01. Wheels of Confusion
02. Tomorrow’s Dream
03. Changes
04. FX (instrumental)
05. Supernaut
06. Snowblind
07. Cornucopia
08. Laguna Sunrise (instrumental)
09. St. Vitus Dance
10. Under the Sun / Every Day Comes and Goes


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Sobre o álbum

Vol. 4

Álbum disponível na discografia de: Black Sabbath

Ano: 1972

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,36 - 18 votos

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