Resenha

Bay Of Kings

Álbum de Steve Hackett

1983

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

12/11/2021



Se durante sua época de Genesis, o músico nunca escondeu suas influências clássicas, a partir de Bay of Kings, Hackett decidiu escancarar essa paixão

Particularmente, eu gosto dos discos mais intimistas do Steve Hackett, com peças feitas de maneira solo ao violão ou no máximo na companhia discreta de outros músicos - inclusive, Bay of Kings, foi o seu primeiro disco nessa ideia. Acho que o músico consegue caminhar muito bem por cima da linha tênue que existe em obras dessa natureza, onde o disco pode soar chato e maçante ou interessante e estimulante, neste caso em especial, as músicas se estendem por ambos os territórios, porém, tendendo muito mais ao lado agradável. Mas há algo em que todas as peças tem em comum, são muito bem executadas por Hackett.   

Outra questão que deve ser levantada, é que em discos como esse, a comparação com Anthony Phillips é inevitável, pois além de tudo, ambos tocaram no Genesis. Em relação a música produzida por ambos, apesar de eu adorar o som do Phillips, vejo na música do Senhor Hackett, algo mais estruturado, fluido, acessível e cativante.  

“Bay of Kings” inicia o disco com algumas notas de violão maravilhosa. A forma com que Hackett trabalha a sua música acústica, se compara consideravelmente bem ao seu trabalho elétrico. Um belíssimo som e que começa o disco de forma vibrante. “The Journey” possui uma linha musical mais melódica por conta do acréscimo de alguns teclados – em tons de orquestra - em camada tocados por Nick Magnus.  

“Kim”, para aqueles que acompanhavam a carreira solo do músico, não foi algo tão inédito, sendo apenas um rearranjo da peça originalmente composta para o seu disco Please Don't Touch de 1978. A diferença aqui é linha de flauta de John Hackett, além do timbre de Steve que está mais vibrante e intenso. “Marigold” possui um violão de aço em oposição a um violão clássico. Por meio de uma harmonia muito bem acabada, Hackett cria uma ilusão no ouvinte como se estivesse tocando um violão de 12 cordas. Vale mencionar que esta também é uma peça encontrada primeiramente no disco Please Don't Touch.  

“St Elmo's Fire” é uma excelente experimentação de progressão dissonante em que Hackett constrói uma peça edificante. Serviria facilmente como introdução de alguma música do Genesis na era Gabriel. “Petropolis” possui alguns linhas de guitarra uníssonos, além de carregar um sentimento de melancolia e angustia. “Second Chance” destaca-se mais pelas suas linhas de flauta, mas mesmo assim não há como deixar de reparar em Hackett que entrega um belo trabalho subjacente de violão.  

“Cast Adrift” mantem o guitarrista submerso em temas atmosféricos e minimalistas de violão, se saindo muito bem novamente, Hackett cria uma paisagem alegre e pastoral sem muito esforço, como se essa musicalidade já estivesse impregnada no seu DNA. “Horizons” é uma música que dispensa apresentações a qualquer fã de Genesis, pois é a peça acústica que precede o épico “Supper’s Ready” no clássico disco Foxtrot da banda. Assim como aconteceu com o rearranjo anterior, aqui a faixa tem como sua maior diferença o fato de soar mais vibrante.  

“Black Light” começa por meio de algumas notas mais rápidas, apresentando também alguns acordes cluster – nesse caso alguém pode me corrigir se eu estiver errado. Hackett também usa de alguns belos arpejos de influência na guitarra flamenca. “The Barren Land” possui uma aura musical mais consternada. Os temas de violão clássico aqui são lindíssimos. “Calmaria” é a faixa que encerra o disco – a menos que você tenha a versão em CD lançada em 1998, que nesse caso haverá 3 faixas bônus. Um final “ok”, bom violão é algumas ideias legais de teclado ao fundo, mas é uma peça inferior a qualquer uma das três faixas bônus do lançamento em CD. O disco merecia um final melhor.  

Aqui estamos falando do primeiro disco de Hackett totalmente clássico, o que fez deste um trabalho bastante original no geral. Não vou dizer que algumas peças não possam soar semelhante a outras, mas ainda assim, vale muito a pena se você gosta de discos dessa natureza. Se durante sua época de Genesis, o músico nunca escondeu suas influências clássicas, a partir de Bay of Kings, Hackett decidiu escancarar essa paixão.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Bay Of Kings

Álbum disponível na discografia de: Steve Hackett

Ano: 1983

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,83 - 3 votos

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