Resenha

Planet X

Álbum de Derek Sherinian

1999

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

08/11/2021



Planet X mostra equilíbrio entre musicalidade e a habilidade de compor excelentes melodias

Antes de escrever qualquer coisa, tenho que ser sincero e dizer que pra mim, Derek Sherinian nunca lançou - em carreira solo - um disco que podemos chamar de obra-prima ou que nos mostre algo de fato impressionante e fora da curva – espero que ninguém me entenda mal aqui -, mas também não tem como negar que a sua carreira solo é bastante consistente e sem furos, onde Planet X, seu álbum de estreia, considero o seu maior feito. É bom deixar claro também, que quando falo sobre algo impressionante, me refiro a suas ideias, e não suas performances, pois essas sim sempre são fantásticas e sempre impressionam. Com isso quer dizer que eu não o acho um grande compositor, mas apenas um músico técnico? Óbvio que não, quero apenas dizer que o álbum por mais que seja excelente, está abaixo do que eu sei que poderia estar. 

A princípio, quando ouvi esse disco pela primeira vez – e talvez ligando o músico com a sua passagem pelo Dream Theater naquela época -, eu tinha absoluta certeza que estaria diante de um disco de metal progressivo, porém, apesar de eu não estar completamente errado e ser possível notar alguns elementos do gênero, a entrega musical aqui é muito mais voltada para um fusion com alguns elementos pesados – assim como em todos os seus discos solos. Os músicos que acompanham Derek em Planet X são Brett Garsed  na guitarra, Tony Franklin no baixo e Virgil Donati na bateria, inclusive, Donati é um dos destaques do álbum, fornecendo uma mistura perfeita de ritmos furiosos e grooves interessantes, além de ter composto todas as faixas com Derek – exceto “Brunei Babylon”, onde eles tiveram a ajuda de Brett Garsed.  

O disco começa por meio de uma suíte dividida em três partes chamada, “Atlantis”. Os nomes de cada uma dessas partes são, “Apocalypse”, “Sea of Antiquity”  e “Lost Island”. Durante o seu desenvolvimento, a peça vai apresentando uma métrica estranhamente interessante e complexa, além de por muitas vezes soar em alta voltagem. A princípio, a composição parece ser inteiramente bombástica, porém, Derek usa de uma inteligente baixa de frequência para sair de uma instrumentação intrincada para algo mais atmosférico e em camadas, mostrando uma incrível noção composicional por meio de arranjos riquíssimos. O trabalho de guitarra de Brett Garsed nesse ponto é brilhante. A música vai crescendo em intensidade, as teclas de Sherinan retornam à frente da peça, enquanto Franklin e Donati criam uma seção rítmica intensa – como foi durante toda a faixa. O último minuto do épico é lindo ao mesmo tempo que soa assombroso. Se todo o restante do disco seguisse nesse nível, Planet X seria indiscutivelmente uma obra-prima, mas não é o que acontece – ainda que siga em alto nível. 

“Crab Nebulae” começa por meio de teclas atmosféricas antes que o restante da banda apareça tocando em um ritmo médio. Possui algumas ideias muito boas, mas que não soam marcantes. Há alguns intervalos melódicos e solos habilidosos que impressionam inicialmente, mas parece que possuem prazo de validade – ou ao menos precisa de um longo intervalo para que ele soe fresco novamente. “Box” logo em seu início apresenta um groove sensacional. Derek usa seus sons inconfundíveis de sintetizadores enquanto baixo e bateria constroem uma seção rítmica extremamente empolgante. Por volta dos dois minutos e dez, há uma mudança de ritmo que a direciona para uma linha mais lenta e de notas obscuras, nesse momento a guitarra cria um solo emocional. Aos poucos a peça vai regressando ao tema central antes de chegar no seu fim. 

“Money Shot” logo no seu início mostra Donati entregando ao ouvinte uma batida bastante rápida de bateria de bumbo duplo. Os teclados de Sherinian deslizam de uma maneira muito bem fluída, Franklyn por meio de linhas ferozes de baixo acompanha fielmente Donati. Uma peça muito visceral que não possui muitos rodeios, simplesmente mira um ponto e vai. “Day In The Sun” é mais uma peça em que os teclados de Sherinian  preenchem os seus arranjos em grande estilo, isso enquanto os demais instrumentos criam uma seção rítmica de luxo e muito bem acabada.  

“State Of Delerium” possui menos de três minutos e é a menor faixa do disco. Começa com uma sonoridade bastante pesada e que caberia muito bem em qualquer um dos discos do Ozzy com Zakk Wylde na guitarra. A seção rítmica é pulsante, a guitarra carregada de peso e as teclas de Sherinian conduz a peça em uma direção musical ácida. Nos cinquenta segundos finais, a faixa entra em uma sonoridade atmosférica e que esfria um pouco as coisas, o que inclusive eu não achei uma boa ideia, pois acabou tirando um pouco do brilho da faixa.  

“Space Martini” começa com Donati massacrando a bateria de uma maneira que me lembra um pouco Ian Paice no início de “Picture of Home” do Deep Purple. Considero o momento mais progressivo e menos fusion do álbum. Tudo acontece de uma forma bem constante – ou quase - até próximo dos dois minutos, quando Sherinian entra com um solo bastante característico do seu vasto repertório, seguido por outro de guitarra antes de voltar ao tema principal e chegar ao fim. “Brunei Babylon” já começa com alguns ataques impetuosos de sintetizadores enquanto o restante da banda segura as pontas por meio de uma base pesada – sendo basicamente essa, toda a estrutura da música, exceto por momentos em que Derek cria alguns strings de fundo em momentos que a faixa para pra “respirar”. Um excelente final de disco.  

Como eu já mencionei mais acima, se todo Planet X tivesse o nível de “Atlantis”, certamente estaríamos diante de uma obra-prima indiscutível, mas as músicas que a sucedem não conseguem manter o sarrafo tão alto – embora sejam impressionantes em sua maioria. No geral, em todas as peças a banda consegue chegar ao ponto certo e de forma assertiva. No fim das contas, Derek – junto do seu time de peso -, entrega uma excelente aventura sonora. Como no site não temo a nota 4,25, acho que o disco merece ter sua nota arredondada mais pra cima do que pra baixo.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Planet X

Álbum disponível na discografia de: Derek Sherinian

Ano: 1999

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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