Resenha

La Marche Des Hommes

Álbum de Morse Code

1975

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

08/11/2021



Uma combinação rica de teclados analógicos com a interação distinta de baixo, guitarra, flauta e bateria

Antes de lançarem este disco da resenha, nos anos de 1971 e 1972, a banda já havia lançado dois discos cantados em inglês quando ainda levavam o nome de Morse Code Transmission, sendo dois esforços decentes, mas nem de longe podem ser considerados itens essenciais no quesito discos da cena progressiva de Quebec. Agora quando falamos de La Marche des Hommes de 1975, sem dúvida estamos falando de um álbum essencial dentro da cena – que estava na sua era de ouro naquele momento. Ao contrário dos dois anteriores, em que eles cantaram em inglês, aqui a banda optou por incorporar de fato a marca progressiva de outras bandas canadenses do período, como, por exemplo, Harmonium, Pollen e Maneige e decidiram cantar em francês.  

Considero este o disco onde a banda deixou o seu lado sinfônico mais em evidência por meio de músicas muito inspiradas. Entre as suas principais influências, é fácil notar bandas como Genesis, Yes e Ange, porém, eles fazem isso de uma forma diferente. Não há como destacar algum dos instrumentistas mais do que o outro, sendo que todos são extremamente necessários para dar o contexto geral do trabalho.  

“La Marche des Hommes” é a faixa título e também a principal do disco com os seus mais de onze minutos de duração. Começa por meio de um rock progressivo pesado e com ênfase nos órgãos, o que nos remetem instantaneamente ao Uriah Heep. Guitarra, órgão Hammond, piano, sintetizador e uma seção rítmica consistente e sólida conduzem muito bem a peça até que em determinado ponto acontece uma mudança abrupta e a fonte inspiradora passa a ser o Yes – parece até mesmo que mudou de música. Mesmo que seja uma faixa com uma grande complexidade e muitas mudanças de acordes, ela nunca perde o seu senso de continuidade e coesão.  

“Le Pays d'Or” é uma balada que fornece um grande contraste em relação a peça anterior. Considero uma das melhores melodias do álbum. Há também um bom uso de mellotron e uma guitarra tensa e áspera conforme ela vai ganhando força emocional. “La Cérémonie de Minuit”, Christian Simard não esconde que uma das suas grandes influências nas teclas é Tony Banks, algo que fica mais evidente aqui. Começa por meio de um violão intrincado e algumas sonoridades de fundo que criam um clima espacial para a música. Quando toda a banda se une, o instrumento central passa a ser um órgão pulsante. Também há um bom trabalho de guitarra no terceiro terço de música.  

“Cocktail” é uma faixa instrumental com um belíssimo trabalho de flauta. Vale destacar também as linhas de baixo pulsantes e o mellotron bastante destacado. Contém um groove tão intenso que na época a gravadora pediu para que a banda a remixasse para que pudesse ser lançada como single e tocada em danceterias. “Une Goutte de Pluie” direciona o disco para um território de muito relaxamento, além de soar bastante agradável. Leve e delicada, destaca-se pelos vocais de Simard e o bom uso das teclas em geral.  

“Qu'est-Ce Que T'As Compris?” se contrapõe em relação a faixa anterior, se mostrando mais dinâmica em uma levada bem hard rock. Linhas fortes de baixo junto da bateria pungente criam uma seção rítmica empolgante, enquanto isso, mellotron e órgão se acomodam categoricamente em pontos cruciais da faixa. “Problème”, com pouco mais de dois minutos, é a menor faixa do disco – assim como também é a que o encerra. Começa com uma bateria crescente até que os vocais, baixo, bateria e mellotron se juntam a ela, além de algumas boas linhas de guitarra. Uma pena ser tão curta, mas mesmo assim, fecha o disco muito bem.  

La Marche Des Hommes pode e até deve ser encarado como um recomeço para a banda, onde eles escolhem deixar no passado ainda recente, as suas influências psicodélicas, e assim, escolhem buscar uma sonoridade progressiva sinfônica. Possui todos os elementos e movimentos certos que podem agradar qualquer amante de rock progressivo 70’s. O som no geral é muito profundo, fazendo com que tudo que é entregue pelo disco seja uma ótima experiência de audição.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

La Marche Des Hommes

Álbum disponível na discografia de: Morse Code

Ano: 1975

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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