Resenha

Voyage

Álbum de ABBA

2021

CD/LP

Por: João Pedro Feza

Usuário

05/11/2021



ABBA 2021 se inspira no ABBA 1981 em novo álbum

Quando coloquei meu vinil “The Visitors”, do ABBA, para ouvir num domingo ensolarado, há uns anos, tive uma estranheza e uma certeza. Era estranho ouvir aquele ABBA pouco leve e sem euforia. E era uma certeza de que, ali, imperavam perfeccionismo e melancolia. Afinal, era não só o oitavo, mas o último disco do grupo. Lançado em novembro de 1981, e pioneiro no formato CD, causou impacto, mas não foi um estrondoso êxito em rádios. 

Pule o disco para hoje. 

Passaram-se exatos 40 anos até “Voyage”: é o novo álbum dos suecos que, enfim, chegou às plataformas digitais nesta sexta-feira, 5-11. O que o ABBA ficou fazendo entre 1981 e 2021? Sucesso. 

Porque, apesar de o trabalho derradeiro até então não ter estourado nos meses seguintes, a carreira já estava mais do que consagrada. E os hits eternos continuaram a tocar vorazmente pelos quatro cantos do planeta. 

Sem contar o filme “Mamma Mia!” (2008), que renovou o interesse geral sobre o quarteto formado, na década de 1960, por Anni-Frid Lyngstad e Benny Andersson (casal que se separou justamente em 81) e Agnetha Fältskog e Björn Ulvaeus (casal separado desde 1980). 

Eis que “Voyage” é, assumidamente, uma espécie de “The Visitors 2". Por isso mesmo, mais pontuado por baladas contidas do que por alegria rasgada. O que não significa que ignore canções tipicamente “ABBA de pista”. 

Você pode dançar feliz ao som da nova “Just a Notion” – que tem ares de alguma canção da banda britânica Eletric Light Orchestra (ELO), do adorável Jeff Lynne.

Ou você pode se deixar levar pela “Dancing Queen” da vez, a faixa “Dont’t Shut Me Down”. Um trecho: “Sou como um sonho dentro de um sonho que foi decodificado”. 

Os fãs precisam estar bem acordados para apreciar, com a necessária paciência, as músicas mais lentas. Que, às vezes, começam leeentas até demais, mas deslancham.

No geral, tanto letras quanto melodias estão bem coerentes com o conjunto da obra que o ABBA criou. Ah, e tem até uma com citação a uma cachorrinha no meio de um casal meio perdidão em “I Can Be That Woman”. 

Não há nada inovador no som. Tudo é ABBA em estado bruto e sensível: seja no marcante cantar feminino (ora calmo, ora arrebatador); seja nos teclados (sempre protagonistas); seja nas melodias grudentas (grudentas, mas respeitosas com o fiel público planetário). 

Inovação mesmo, e muito arriscada, será a já anunciada sequência de shows com hologramas. Você pagaria para ver um troço desses no palco? Serão avatares (ou "abbatares", conforme escreveu Julio Maria no "Estadão") com a aparência que os músicos tinham nos anos 70.

O ABBA passou algumas semanas cantando de verdade para ter seus movimentos e imagens capturados por dezenas de câmeras. É esse ABBA virtual que será aplaudido pelo público presencial. 

Músicas novas, como “Keep an Eye on Dan”, podem funcionar bem no “concerto” futurista – que se pretende revolucionário. Já “Bumblebee”, que fala de abelhas, humanos e alterações climáticas, talvez não.  

Uma boa para abrir a turnê seria a penúltima do disco novo: “No Doubt About It” – que descreve “reações honestas” e “tolerância com os olhos”. 

Vale ver com bons olhos o novo-velho ABBA. É um acontecimento e tanto dentro da indústria musical. Um fato de relevância na cultura pop.

E vale voltar a 1981 para descobrir, ou redescobrir, via streaming, “The Visitors” – aquele disco com seus intensos momentos que tanto inspiraram “Voyage”. 

“Voyage” que, aliás, termina com “Ode to Freedom”. Meio chatinha, mas com uma bonita frase final: “Gostaria que alguém escrevesse uma ode à liberdade que todos pudéssemos cantar.” 


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Sobre o álbum

Voyage

Álbum disponível na discografia de: ABBA

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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