Resenha

Forsaken Innocence

Álbum de Drifting Sun

2021

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

29/10/2021



Um álbum de músicas cheias de beleza, energia, impulso, entusiasmo, técnica e criatividade extrema

Forsaken Innocence é o sétimo álbum do projeto multinacional de neo progressivo, Drifiting Sun, sendo ao menos até esse momento, o seu maior feito na opinião desse que vos escreve. Me senti simplesmente oprimido pelo brilho musical de cada uma de suas faixas, pois se trata de um verdadeiro passeio pelo paraíso de um neo progressivo genuíno, fazendo parecer que a essência de gigantes do gênero como IQ, Marillion e Pendragon foram destiladas e agregadas em performances calorosas, que variam entre momentos de pura força e energia a outros de delicadeza e elegância. De música profunda e diversificada, o disco flui naturalmente, onde além do seu som, destaca-se também seu conteúdo lírico de muita riqueza. Fúnebre e enigmático, a banda expressa uma luta entre o bem e o mal, além de uma busca pela inocência perdida dentro de nós.  

“King Of The Country” já abre o disco demostrando o clima que será encontrado por todo o álbum. Onírica, delicada e com várias mudanças de andamento durante os seus mais de onze minutos. A peça é desenhada em uma grande azáfama de sonoridades. O trabalho de guitarra varia entre linhas melosas e outras efusivas – com direito a um solo cativante. A teclas são compostas por nuances sutis muito bem construídas. A seção rítmica cria linhas robustas e complexas que agregam muito ao resultado final. Não tem como deixar de mencionar os vocais teatrais que colocam muito mais sentido nas letras tristes e obscuras. Por último, vale ressaltar a participação de luxo do violinista Eric Bouillette – que ainda vai aparecer em mais duas faixas do disco.  

“Insidious” começa por meio de uma batida média, com leves toques de guitarra e um teclado mais imponente antes que os primeiros vocais cantados em tons lamentosos entre na peça pela primeira vez. Sinto que muitos momentos desse disco devem ser apreciados de olhos fechados e bons fones de ouvidos, fica mais fácil de captar o sentimento muitas vezes sinistros e sombrios encontrados em suas letras. Adoro a forma como o refrão é cantado aqui. O piano clássico que encerra a peça pode ser considerado a cereja do bolo.  

“Dimentium”, começando por meio de um belíssimo piano, a banda se mantém dentro de uma atmosfera musical muito melancólica. Na verdade, as teclas aqui no geral é o que mais brilha – incluindo Ben Bell que acrescenta belos hammond em uma participação mais do que especial. Apesar de instrumentalmente a peça possuir vários níveis de intensidade dos sons, além de muito bem construída e direcionada, vale mencionar também os vocais de John Jargon, sem dúvida se trata de um dos grandes interpretes da cena progressiva atual, aqui o vocalista mais uma vez soa muito expressivo.  

“New Dawn”, mais uma vez algumas ideias belíssimas de piano de Pat Sanders dão início a faixa, onde logo em seguida tem a companhia de algumas notas robustas de baixo e mais alguns vocais excelentes. A bateria entra por volta de um minuto e meio e direciona a peça para um caminho que confirma a construção de uma balada por meio de algumas batidas contidas. O solo de guitarra é melancólico e consegue representar bem uma sensação de perda – assim como os vocais.  

“Forsaken Innocence (Part I)” é a primeira parte da suíte de duas partes e que dá nome ao disco. Se até aqui o sarrafo estava alto, agora a banda simplesmente extrapolou em uma criação musical que vai muito além de um simples neo progressivo. Ao mesmo tempo em que soa melódico e sentimental, também é complexo e multifacetado, porém, sem deixar de ser acessível e muito rítmico. Teclados vibrantes, guitarras e cordas agudas sobre uma base dinâmica e em constante mudança. “Forsaken Innocence (Part II)” mantém a temperatura da música elevadíssima. Sem precisar de muitos rodeios, trata-se de uma música progressiva moderna no seu melhor, tocada de forma impetuosa que logo no seu início agride o ouvinte com rajadas furiosas de sintetizadores até que as coisas se transformam em algo mais sereno e apaziguado, além de belíssimo. A maneira como cada um dos instrumentos se abraça para a criação de um todo sublime é incrível e mostra o quanto cada um dos segundos dos seus mais de vinte e cinco minutos valem a pena.  

“Time To Go” é a última e com menos de três minutos, a faixa mais curta do disco. Parece ter sido feita para que o ouvinte recupere o fôlego depois de uma peça tão avassaladora como a anterior. Voz, violão e piano delicado sob uma letra que reflete uma perda pessoal. Uma música bucólica e muito emocional que encerra o disco lindamente.  

O álbum ainda conta com a faixa bônus, “Hand On Heart”, que aparece apenas nas versões digital e vinil. Acho que poderiam ter deixado essa como uma faixa comum, pois ela encaixa perfeitamente em tudo o que foi apresentado até aqui. Um som bastante acessível e muito cativante. A banda consegue entregar uma música com algumas excelentes variações em menos de cinco minutos.  

Não há absolutamente nada nesse disco fora do lugar, suas melodias, complexidade e musicalidades são simplesmente incomparáveis. A produção é maravilhosa e o desempenho de cada um dos instrumentistas é algo de pura excelência. Poderia citar mais algumas das qualidades presentes no disco, como o fato de ser um álbum de músicas cheias de beleza, energia, impulso, entusiasmo, técnica e criatividade extrema. Resumindo, uma obra-prima do Neo Prog – ainda que o seu som vá muito além disso.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Forsaken Innocence

Álbum disponível na discografia de: Drifting Sun

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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