Resenha

Konom

Álbum de Konom

2021

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

26/10/2021



Um disco de ideias bem desenvolvidas e executadas, que passa de um estilo para outro com muita facilidade e destreza

Já comentei em outras resenhas, mas ratifico aqui, quando falamos de metal progressivo, talvez seja o tipo de música progressiva onde mais vamos encontrar bandas genéricas e que pouco irão nos dizer, soando muitas vezes como cópias mal faltas daquelas que as influenciam, porém, também sempre digo que vez ou outra aparece algum nome que surpreende, dando uma boa oxigenada no gênero, não sendo apenas mais uma em meio a tantas, e sim algo que merece uma atenção diferenciada, onde dentro desse contexto, se encontra os ingleses da Konom. 

Em seu primeiro disco, a banda não entrega ao ouvinte algo necessariamente novo, inovador e único, mas um som moderno e até mesmo divertido, de melodia fácil e ao mesmo tempo bem construída. As influências são muitas, mas alguns nomes podem ser Porcupine Tree, Haken e Frost*. Eu não consigo nem mesmo me lembrar quando foi a última vez que ouvi o disco de estreia de uma banda e que me soou tão bem direcionada como este. Do começo ao fim eles realmente sabem o que estão fazendo. Vale destacar também a excelente produção e que dá espaço suficiente a cada um dos instrumentos, de modo que nenhum deles fique escondido ou mais aparente que os demais.  

“A Welcome Change” começa com um som atmosférico com alguns pássaros cantando ao longe antes que entre o tema principal. Lodo de cara a banda mostra riffs de guitarra bem encorpados, além de uma seção rítmica cheia de vigor que representa muito bem o metal progressivo feito com avidez. Escolhendo seguir um caminho menos linear e mais sinuoso, a peça ganha ainda mais beleza. As variações vocais também merecem menção, pois trata-se de uma interpretação bastante pessoal e ao mesmo tempo tipicamente do gênero. Extremamente envolvente, não tinha uma maneira melhor de começar o álbum.  

“Birotunda” tem o início por meio de violão e um vocal suave que logo depois se transforma em um som mais energizado e de linha progressiva. Novamente os vocais demonstram muita personalidade. Musicalmente a peça apresenta linhas de muita cumplicidade entre teclados e guitarra, enquanto que a seção rítmica mais uma vez faz um trabalho muito primoroso. Mudanças de tempo e demonstração individual de técnica - sempre a serviço do todo - são mais dois fatores que elevam a faixa a um alto nível.  

“As the Waters Rise” começa por meio de alguns tambores e riffs de guitarra, além de um teclado que vai crescendo ao fundo até que toda a banda entreaem sintonia, sendo possível notar nesse tema em particular um pouco da música progressiva 70’s. A faixa segue com guitarra e seção rítmicas pesadas, além de um teclado orquestral de fundo que lhe dá um toque extra muito interessante. Mais uma vez é impossível de não perceber a facilidade com que a peça muda de direção - nunca perdendo a coerência. Em relação aos vocais anteriores, aqui ele soa de uma maneira mais apaixonada. Vale ressaltar também o fato de possuir um refrão muito marcante.  

O que vem em seguida é “The Great Harvest”, uma peça com mais de vinte e um minutos e dividida em cinco atos.  

I - “Epiphany” começa por meio de um arpejo acústico, mas que não demora para se transformar em uma peça de metal progressivo muito bem construída. É possível perceber alguns acenos para a música do Haken. A banda decide mostrar aqui a faceta mais taciturna do seu som, mas sem precisar diminuir o ritmo ou buscar alguma linha instrumental mais lenta.  

II - “Dilate My World”, apesar do final do ato anterior fazer parecer que começaremos esse aqui de forma mais enérgica, a peça regressa de maneira abrupta a uma linha instrumental mais calma por meio de um piano no qual são inseridos os primeiros vocais. Os teclados soam vintage e a guitarra aqui tem um brilho de certa forma discreto, mas fundamental para o desenvolvimento da canção. A variação entre linhas sinfônicas e de peso mais direto é excelente.  

III - “Mutating Light” é o menor ato da peça, com menos de três minutos, em que diferentemente das duas anteriores, já começa em alta voltagem por meio de um riff acelerado e efusivo de guitarra, tendo logo em seguida o ritmo diminuído e liderado por um violão de influência no flamenco. Mesmo curta, a faixa é bastante forte e consegue passar tudo o que um ouvinte de metal progressivo espera de uma banda do gênero.  

IV -”Reflections” em contrapartida coma faixa anterior, é a mais longa da suíte. Se inicia em forma de uma balada por meio de uma boa e simples linhas de baixo e bateria, soando inclusive de forma muito profunda. Os vocais assim que entram pela primeira vez, mostram que aqui serão muito emocionais. Esse ritmo no meio da canção é trocado por um metal progressivo mais agressivo e com variação de solos de teclado e guitarra, bem como costuma mandar o figurino em bandas do gênero.  

V - “Heedless Breath” é a faixa que encerra o disco, onde a banda escolhe soar muito mais metálica do que progressiva. Possui grande intensidade e mais uma vez uma excelente mistura de teclado e guitarra. Um dos grandes atrativos da banda é a forma como constroem a sua mudança de andamento, sempre com melodias cativantes. Em determinado ponto, há uma grande ênfase na orquestração e sintetizadores. Um excelente final de disco e que não poderia ser melhor. Seu fim é por meio de algumas notas de piano como quem fecha a cortina tranquilamente após um espetáculo musical muito enérgico.  

Um ótimo disco de estreia que traz uma peça central em que as qualidades dos músicos são muito bem exploradas e outros três títulos que possuem as suas próprias particularidades. Por meio de uma grande gama de passagens instrumentais melodiosas, o ouvinte em momento algum vai ter a sensação de que os músicos colocam suas técnicas a frente das canções - algo que muitas vezes é o motivo principal de bandas de metal progressivo serem execradas. Um disco onde sua qualidade se mantém sempre constante, apresentando ideias bem desenvolvidas e executadas, passando de um estilo para outro com muita facilidade e destreza.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Konom

Álbum disponível na discografia de: Konom

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 1 voto

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