Resenha

Future Past

Álbum de Duran Duran

2021

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

24/10/2021



Resgatando a essência do passado sem esquecer a modernidade, carimba que é nota 10!

Com dois lançamentos importantes, fiquei na dúvida entre resenhar “A View From the Top of the World ...do Dream Theater, ao qual apenas uma rápida ouvida bastou para sacar que o disco está no mínimo interessante. No entanto, preferi o porto seguro do Duran Duran, onde a resposta pode ser mais direta sem julgamentos precipitados. 

Como minha convivência com esse pilar do pop oitentista é mais profunda, sinto-me a vontade para soltar cachorros ou elogios.
A história é que Duran Duran reinou como leão nos anos oitenta, num tempo em que a concorrência era pesada. Nem convém apresentar os concorrentes, porque são tantos e a qualidade idem.
Em termos sonoros a virada para os maiores hit makers, entrou em colapso como o emblemático Big Thing, embora carregue na bagagem dois ou três hits. Exatamente a partir desse ponto, o "SER" chamado Duran Duran foi jogado para outro habitat, como se a transição para os anos noventa fosse um mundo paralelo. 
Com talento eles conseguiram apresentar álbuns decentes e manter a média para encaixar pelo menos dois ou três sucessos a cada "produto".
Liberty de 1990, ainda conseguia por alguns palmos ser melhor que o antecessor, enquanto The Wedding Album explodia com Come Undone e Ordinary World. 
Thank You deve ser observado de outra forma, por ser um disco tributo. 
Medazzaland volta ao ponto do "anjo caído" Big Thing - como não gloriosa parte II, ao qual nem Eletric Barbarella é capaz de amenizar.
Depois a trinca pouco brilhante de Pop Trash (2000), Astronaut (2004) e Red Carpet Massacre (2007), Duran Duran prova que os tempos eram outros e teríamos que ser seletivos com tais discos para peneirar aproveitamentos. 
All You Need Is Now tem sua questão em separado, engrena aos poucos com faixas resgates aos saudosos, vide a maravilhosa Safe e o baixo dançante de John Taylor, afora outras que realmente valem o disco. Enquanto Paper God (2015) também não faz feio. 

Feito o resumão sob minha ótica, a qual muitos podem não concordar, vamos enfim para Future Past no bom começo com Invisible. Com méritos de sobra a reerguer-se pela recente e boa fase. Simon Le Blon está com a voz intacta em timbre e os teclados atmosféricos conferem-lhe sempre uma força extra. Ouvimos sem o menor suplício e esse é um bom sinal. 
All for You parte para o lado mais agitado, a parte que amamos em Duran Duran. reescrevendo sua página ao dar uma workshop de pop, passeando pelo cemitério e pisando em coisas mortas do R&B americano pasteurizado, chutando túmulos de divas fabricadas pela indústria americana amoitadas como espíritos que deveriam ter sido reencarnados e desaparecer do negócio.

Give It All Up passa bem pelo teste e a sequência segue alta. Lembrando que são discos com várias participações que realçam o protagonismo de Simon. Então, não citarei sobre os participantes a fim de não estender o texto, não é um relatório de CPI, só uma resenha.

Anniversary capta os bons momentos do debut aliando a atualidade para encantar o ouvinte. Alguém duvida de John Taylor quando o mesmo está a fim de fazer o que sabe ?. 

Agora é hora de sair da pista e apreciar de fora a faixa título, de preferência num sofá tomando uísque. Está bem mais tranquila em relação as demais. Como um testamento dúbio entre estória amorosa e a trajetória da banda em conjunto com um futuro que deve ser vivido como presente, já que é algo Inalcançável. 

Beatiful Lies é a mão do gênio Giorgio Moroder agindo sobre a produção. Por isso as batidas eletrônicas ficam em evidencia. 
Ainda com a boa Tonight United, temos Wing como a faixa homônima parte II em instrumental. 

Hammerhead além de viciante, tem um baixo assustadoramente lindo, e nem o rap em seu interlúdio, é capaz de tirar o sabor de quero mais.
Estamos quase no fim e Duran Duran acerta novamente em More Joy! (featuring Chai). O vídeo é o maior barato e as batidas para quem não tem preconceito com o novo. 

Falling (feat. Mike Garson) dá seu start um tanto monótono, mesmo com belas notas de piano. Aos poucos ganha espaço e perde o suposto acanhamento ao andar por cima da mesma melodia, agora de forma mais livre. 

O que percebo friamente em Future Past, é um grupo que se reencontra com a coroa perdida, e faz seu melhor trabalho desde Notorius. Parece pouco para você ?, uma lacuna de 35 anos? A esse que escreve a alegria de ver esses caras com um lançamento assim é indescritível, trilhas que passam rápidas por levar o ouvinte junto como surfista que não sente o tempo e sim a emoção. 
Os elogios são exagerados, eu sei. Porém, não tem como esconder a satisfação de ver quem acertou absolutamente tudo e construiu um clássico em pleno 2021, ano em que o pop arrasta-se com muito sacrifício. 


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Sobre Marcel Dio

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Sobre o álbum

Future Past

Álbum disponível na discografia de: Duran Duran

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,67 - 3 votos

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