Resenha

Blessings And Miracles

Álbum de Santana

2021

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

20/10/2021



Álbum diversificado e prestes a virar clássico

Carlos Santana sempre impressionou pela identidade musical, em alguns segundos e poucas notas até mesmo quem não é fã, aponta o dedo e diz: - Isso é do Santana.
Com uma discografia extensa, ainda falta uma porção de álbuns a serem desbravados, (aproximadamente quatro) juro que farei o mais breve possível, embora conheça a obra completa até Marathon (1979) e outros avulsos.

Como de praxe escolheu alguns vocalistas para jogar com ele e participações como a de Chick Corea e Kirk Hammett.
Quando especulam que Blessing and Miracles é um retorno ao multi-platinado Supernatural (1999), entendo como meia verdade,  julgo menos apelativo comercialmente, sou um dos poucos que não amam Supernatural e convivo com isso tranquilamente. Até acho o mérito comercial aplaudido nos arredores do mundo como reconhecimento tardio da industria musical de massa, pois apesar dos préstimos a arte, Santana ainda era o cara que muitos jovens desconheciam, por mais incrível que possa parecer,  Supernatural apertou essa lacuna.

Santana e seu recente e excelente Africa Speaks (2019) buscou a linha que norteou sua carreira, em Blessing and Miracles concluímos que a mudança pende mais ao pop, porém nem tanto quanto comentam pelos corredores. 
Blessings and Miracles trás as famosas percussões, órgãos, músicas instrumentais e a tradicional peregrinação latina, algumas que encaixariam bem ao clássico Abraxas, ao exemplo de Celebration. 

Whiter Shade Of Pale (Procol Harum) ganha polimento e a colaboração de Steve Winwood. 
Em Joy, Santana aposta no reggae, conseguindo solos que praticamente são "respostas" aos vocais. Perpetuamente o timbre alcançado é suficiente para deixar qualquer um de boca aberta.

Break (feat. Ally Brooke) alça o lado mais pop sem perder um milímetro da essência do protagonista. Faixa doce e agradável, assim como Breathing Underwater, ambas a contar com celestiais vocais femininos. 

America For Sale (feat. Kirk Hammett & Mark Osegueda) é  selvagem como os bons tempos de Ted Nugent, sem deixar a lisergia de lado. Kirk Kammett sacou a proposta e fez um trampo incrível. 

Mother Yes tem sacadas fantásticas que aproximam-se dos anos setenta, cujo o vocal dá a impressão de elemento sobreposto. Como enlaçar trechos vocais antigos e coloca-lo em uma produção moderna, por isso fica estranha para quem ouve pela primeira vez, com o tempo a impressão destoante dilui-se. 

Angel Choir / All Together (feat. Chick Corea & Gayle Moran Corea) começa com lindas vozes em coral, e ludibria pela quebra repentina ao partir para uma rumba ou mambo. 

Chick Corea rouba a cena enquanto o guitarrista pontua seus licks, é a perfeição de duas lendas em ação. O desfeche é com Ghost of Future Pull II, canção curta puxada aos experimentos criados em Borboleta (1974).

Enfim, fosse escolher a faixa menos interessante, ficaria com o moderno RAP / R&B de She's Fire, em razão do vocal desagradar totalmente. Afora She's Fire, não vejo nada a desabonar. 
Santana é o artista em que não se escolhe discos por época, e sim pelo nome, é raro concluir um trabalho abaixo da média. 


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1 comentário:

user

André Luiz Paiz 01/12/2021

Webmaster

01/12/2021

Coloquei na fila pra conferir depois que li sua resenha. Gostei bastante. Estilo único desse talentoso guitarrista. Une facilmente o presente com o passado e também os ritmos latinos. Valeu pela dica amigo palestrino.

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Sobre Marcel Dio

Nível: Colaborador Sênior

Membro desde: 14/03/2018

"Sou um amante da música, seja em qualquer estilo, rock, blues, jazz ou pop."

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Sobre o álbum

Blessings And Miracles

Álbum disponível na discografia de: Santana

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 2 votos

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