Resenha

Graveyard Star

Álbum de Mostly Autumn

2021

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

20/10/2021



Graveyard Star é a Mostly Autumn no melhor da sua clássica mistura de rock progressivo com folk, além de uma enorme influência celta

Se muitos foram os artistas e bandas que pegaram a pandemia para que servisse de influência em suas músicas, era mais do que óbvio que um nome como o da Mostly Autumn não fosse ficar de fora, pois a sua sonoridade quase sempre emocionante, climática e nebulosa se completa muito bem com os tempos em que vivemos. A mistura de rock progressivo com folk, além de uma enorme influência celta marca presença por todo o disco. O guitarrista e vocalista, Bryan Josh, no encarte do CD, escreve o que este trabalho representa para ele e pra toda a banda: “Uma documentação em tempo real de como vivíamos em 2020/21 e um forte reflexo de como estávamos nos sentindo enquanto esse tempo passava. Embora muito pessoal para nós. Só posso imaginar que muitos de vocês também podem se relacionar fortemente com esta jornada." 

“Graveyard Star” é a faixa título e também a que dá o pontapé inicial no disco. A peça possui um começo bastante sombrio e atmosférico. Podemos facilmente dividi-la em duas partes com seis minutos cada. A primeira delas é bastante agradável e já mostra os vocais masculinos e femininos trabalhando muito bem de forma compartilhada sobre uma música sinfônica, onde após um solo excelente de guitarra, tudo “desmorona” em uma linha acústica que consegue elevar a música a algo ainda mais especial, dando início a segunda parte – lembrando que essas divisórias foram feitas por mim. Um violão acompanhado de um violino emotivo antecipa um solo de guitarra belíssimo e de grande expressividade. Apesar do solo de guitarra parecer o final da música, a banda ainda regressa com o refrão inesperadamente e em um ritmo enérgico.  

“The Plague Bell”, é possível perceber uma forte influência floydiana nos vocais que parecem cansados enquanto que por baixo deles temos um arranjo novamente sombrio. Com dois minutos, serve bem como introdução da peça seguinte. “Skin of Mankind” começa com uma batida cativante e alguns riffs profundos de guitarra. Quando os vocais de Olivia se juntam aos instrumentos, temos a impressão de estar dentro de algum filme western. Interessante também é contraste entre linhas de violino alegre com letras taciturnas.  

“Shadows” começa de maneira acústica e com um vocal doce de Bryan Josh, mas não demora muito para que a peça se torne mais explosiva - variando nesses dois climas até o seu final. Vale destacar mais um belíssimo trabalho de guitarra. “The Harder That You Hurt” também começa apenas com violão e voz, mas agora cantada por Olívia que mostra o quanto sua voz e incrível e apaixonante. Mais pra frente a música fica mais enérgica e emocional. Sem dúvida alguma um dos momentos mais belos do disco.  

“Razor Blade” mantém toda a delicadeza apresentada no álbum até aqui. Começa com um piano e algumas pinceladas de violão criando um clima quase que doloroso. No seu núcleo possui uma harmonia mais pomposa e espacial. Os vocais de Olívia mais uma vez soam maravilhosos e contrastam muito bem com a voz masculina do Bryan. Mais uma peça encantadora. “This Endless War” começa por meio de uma atmosfera pensativa e triste criada pelo piano e sintetizadores. Os vocais de Olívia aqui soam de uma maneira tão delicada e frágil que por um instante o ouvinte pode pensar que ela vai chorar em algum momento. Melancólica e onírica é coroada com o solo de guitarra mais belo do disco.  

“Spirit of Mankind” é uma música mais direta e reta que se desenvolve por meio de batidas pulsantes, teclados altos e boas performance tanto de guitarra quanto de violão, porém, tudo soa muito linear e previsível. Não é uma peça ruim, mas é o que o disco tem de menos atrativo. “Back in These Arms” direciona o disco para um tom mais alto astral. Se trata de mais uma peça de começo bastante atmosférico, até que entra uma bateria eletrônica que confesso ter me surpreendido. Bastante dinâmica e sólida com um dueto vocal soando muito poderoso enquanto canta letras otimistas e alegres sobre a vida enfim estar voltando ao normal.  

“Free to Fly” começa por meio de um piano que serviria muito bem em uma caixinha de música. Bastante melancólica, Olivia mais uma vez consegue colocar muito sentimento em sua voz encantadora. “The Diamond” começa por meio de um violão tocado de maneira forte, até que a voz sensível de Olivia apareça pela primeira vez. A música vai desenvolvendo enquanto que os demais instrumentos vão entrando separadamente. Apesar de não haver uma grande variação, a peça consegue soar celeste e hipnótica.  

“Turn Around Slowly” é o outro épico do disco e que também o encerra, reunindo alguns temas anteriores, assim como letras repetidas. O começo é de influência na música renascentista por meio de um piano e violão que parecem dançar um com o outro em um ritmo de muita sutileza. A peça então explode com a entrada dos demais instrumentos e os vocais de Bryan. Assim como aconteceu com a faixa título, aqui podemos dividir a música em duas partes também. A primeira parte encerra por meio de mais um solo de guitarra belíssimo entregando ao ouvinte um dos momentos mais pesados do disco. Então que a peça ganha um novo direcionamento com direito a uma reprise em “Skin of Mankind”. A seção nesse momento se torna pulsante e em um ritmo de marcha, além de bastante sinfônica, ficando assim por cerca de dois minutos, quando então ela parte para um tema mais rock clássico com Olivia cantando seus últimos versos no disco enquanto que um solo de guitarra energiza ainda mais o fim da faixa.   

Mostly Autumn nunca foi uma banda conhecida por ter um som complexo, logo, Graveyard Star não foge dessa regra. Porém, tudo soa bastante sólido e o talento de cada um dos integrantes da banda é inegável. A banda já está na estrada a um bom tempo e possui uma discografia bastante consistente, onde não parecem querer atingir mais pessoas do que atingiram até hoje, por isso, caso você não tenha se encantado com nada feito pela banda nesses seus mais de vinte anos, não vai ser agora que isso vai mudar, agora se você já tem uma afeição pelo som do grupo, não vou me admirar que esse passe até mesmo a ser o seu álbum preferido deles.  

E só pra concluir, vale ressaltar que esta resenha é baseada na edição simples do disco, pois há uma edição limitada de 2000 cópias que contém um CD2 trazendo mais oito faixas extras, faixas essas tão boas que poderiam facilmente estar no CD1.  


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3 comentários:

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Expedito Santana 20/10/2021

Colaborador

20/10/2021

Discaço!!

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Tiago Meneses 20/10/2021

Colaborador Top Notch

20/10/2021

Certamente estará na minha de lista melhores do Universo Progressivo de 2021 ;)

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Expedito Santana 22/10/2021

Colaborador

22/10/2021

De fato, é um dos grandes lançamentos do ano.

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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Top Notch

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Graveyard Star

Álbum disponível na discografia de: Mostly Autumn

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 2 votos

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