Resenha

The Quest

Álbum de Yes

2021

CD/LP

Por: Marcel Dio

Colaborador Sênior

07/10/2021



Cheiro de café requentado?

A primeira dúvida é ... devemos chamar essa banda de Yes? Uma vez que, logotipo estampado em capa não quer dizer muito, a exemplo do Pink Floyd pós The Wall e os seguidos trabalhos solos de David Gilmour ou mesmo The Final Cut, esse, obra de Roger Waters.
Chris Squire faleceu em 2015, para a maioria, incluso o que digita, o fim deveria ser decretado ali. 
Agora com duas frentes e o nome flutuando, corremos o risco de degustar dois Yes genéricos, e doa a quem doer a verdade deve ser dita : The Quest não impressiona e hoje percebemos o quanto Jon Anderson faz falta.
Como fã calejado não carregarei o peso de elogia-los ou recomendar que ouçam The Quest por cem vezes seguidas a fim de encontrar um disco melhor, é apenas um restauro progressivo doce e sem tanta graça, assim como Heaven & Earth, embora, bem melhor.
Quem salva The Quest é o combatente Steve Howe, só que seus solos não fazem tanto sentido em canções que giram em torno de uma órbita sem força, a exceção de Leave Well Alone e seu bom pedaço de notas empolgantes. Contudo, e reforçando a genialidade de Howe, são as guitarras que fazem o retorno as formidáveis canções do Yes nos idos da década de setenta, matando a sede de quem ainda ama a lenda inglesa. 

The Ice Bridge tem o papel inicial dos teclados endereçados ao ELP, é realmente ótima, por isso a opção de ser a primeira divulgação. 
Ora, os fãs devem ter pensado : "estamos vendo o renascimento do Yes". Na peça está a tradição de linhas de baixo com a marca Chris Squire, viagens sonoras e um novo espelho progressivo. Eis quê, caímos do cavalo novamente, não pela bela The Ice Bridge e sim pelo restante requentado e sem direcionamento, sendo que as faixas são um tanto parecidas e nem a pau a vontade de repetir vem ao pensamento. The Bridge poderia nortear o disco, ficaríamos animados com esse tributo ao finado Yes. Se não usassem o sagrado nome em vão, teriam mais créditos.

Em Dare to Know a falta dos vocais de apoio de Squire só reforçam a falta que o baixista faz, e por mais que Howe se esforce, não tem comparação. A partir desta, que por sinal é muito boa, o Yes espalha seus tentáculos sobre a maioria e dá algumas escorregadas, enchendo o restante com algumas baladas ou adjacentes. O típico: Ei! Vamos dançar o mesmo tango com notas diferentes? 
O que recomendaria para os cortadores de caminho é que ouçam a agitada Leave Well Alone, Dare to Know, Damaged World e The Bridge. O resto fica por sua conta. 

A moral da história é que o Yes não pode transformar-se em banda empresa, no intento de seguir com o cartaz, assim como Kiss pensa em fazer, tudo tem seu começo meio e fim. Agora se quiserem jogar a história gloriosa na lata do lixo, que assim façam, passem a marca para os filhos, conhecidos e netos. Nesse caso meu "voto" não ultrapassa três estrelas.

Membros :
 Steve Howe (guitarra)
 Alan White (bateria)
 Geoff Downes (teclados)
 Jon Davison (vocal)
 Billy Sherwood (baixo)

CD1:
1 - The Ice Bridge
2 - Dare To Know
3 - Minus The Man
4 - Leave Well Alone
5 - The Western Edge
6 - Future Memories
7 - Music To My Ears
8 - A Living Island

CD2:
1 - Sister Sleeping Soul
2 - Mystery Tour
3 - Damaged World


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1 comentário:

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Márcio Chagas 16/10/2021

Colaborador Sênior

16/10/2021

Sua resenha reflete exatamente a minha opinião. O grupo deveria ter acabado com a morte de Squire e este disco é muito mais um álbum solo de Howe que qualquer outra coisa. E digo mais: Duvido que Alan White tenha tocado essas linhas de bateria. Me parece que Jay Schellen, creditado como percussionista adicional, gravou todos as linhas do instrumento.

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Sobre Marcel Dio

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Sobre o álbum

The Quest

Álbum disponível na discografia de: Yes

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 3,38 - 4 votos

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