Resenha

The Uncrowned King - Act 1

Álbum de Evership

2021

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

19/09/2021



Uma mistura de influências da era clássica do rock progressivo com sons remodelados que implementam um frescor genuíno

Como o nome já sugere, estamos diante apenas da primeira parte de uma busca em dois atos pela verdade. Evership é aquele tipo de banda estadunidense de rock progressivo que certamente teria um lugar maior ao sol se tivesse sido formada no Reino Unido – Inglaterra de preferência. Um disco conceitual de progressão sinfônica que tem como tema o livro de Harold Wright, The Uncrowned King, lançado em 1910. Um livro sobre a busca pela verdade e como a verdade real não pode ser encontrada apenas com os nossos cinco sentidos, sendo uma bela alegoria sobre a vida, religião e como percebemos tudo isso. 

The Pilgrimage é a primeira faixa e faz com que o disco se inicie por meio de um trabalho de teclado um tanto místico e também influenciado pelo continente asiático, que toma cerca quase dos três primeiros minutos da música, antes que os primeiros ataques instrumentais a direcione para um caminho mais enérgico. Como de costume, Shane Atkinson mostra toda a sua versatilidade desempenhando de forma muito talentosa tanto a função de tecladista quanto a de baterista – que em alguns pontos chega a flertar até mesmo com o heavy metal. A peça soa de forma imponente até mesmo em seus momentos mais delicados. Um começo de jornada bastante poderoso para o nosso peregrino.  

“The Voice of the Waves” é uma peça de pouco mais de três minutos que funciona muito mais como uma ponte para a seguinte do que como um número musical propriamente dito. Mas ainda assim, possui uns vocais que se misturam muito bem com a atmosfera criada pelas teclas. “(a) Crownshine / (b) Allthetime” é outra faixa belíssima, que começa pegando o gancho do teclado deixado pela anterior. O trabalho de teclado é simplesmente sensacional, mais riffs - além de um belo solo – de guitarra e uma seção rítmica pulsante também são imprescindíveis para a construção de mais um mini épico incrível.  

“The Tower” traz no seu início novamente alguns vocais em camadas, mas agora em um efeito que eu confesso não ter curtido muito. A música então segue por uma levada bastante simples, onde guitarra e piano em tons divertidos direcionam o álbum para uma balada bastante forte. Mas ainda assim a música não deixa de ter – nem que sejam poucos - momentos técnicos e de certa forma até mesmo intrincados. “The Voice of the Evening Wind” é o momento mais sereno e calmo do disco, uma atmosfera sombria e alguns sinos vão amaciando o terreno da peça antes da voz celestial de Poem Atkinson impregná-la de sentimento. Vale destacar também algumas pinceladas acústicas que dão mais poder a obra.  

“(a) Yettocome / (b) Itmightbe” é o grande épico do disco com mais de dezesseis minutos. Começa de uma maneira bastante forte com ótimas linhas de guitarra e os demais instrumentos unidos criando uma ambientação na linha progressiva sinfônica.  Os primeiros vocais são por meio de um coro antes que a voz de Beau West brilhe solo por cima apenas de um violão. É uma música que possui uma grande diversidade, além de voltas e mais voltas – como um épico deve ser. A forma como se misturam passagens instrumentais adoráveis, melódicas e progressivas é simplesmente brilhante. Momentos instrumentais fortes que dão espaço para interlúdios de piano e temas de violão clássico pontuam um contraste muito bem definido. Aquele tipo de música em que o ouvinte tem que relaxar e deixar que ela prossiga naturalmente, o presenteado com algo diferente e a mais sempre que ouvi-la de novo. “Wait” começa por meio de umas notas constante e de sonoridade otimista ao piano. Uma peça bastante apropriada para fechar o disco e já deixar o ouvinte curioso pela parte 2 da obra. As camadas vocais estão belíssimas - como foram em todo o disco. Há também um solo excelente de guitarra. O disco termina com a sua peça mais “pop” e que me fez lembrar um pouco do Camel em sua fase 70’s.  

No fim das contas o que o ouvinte pode esperar de The Uncrowned King - Act 1? Bom, musicalmente acho que os dois discos anteriores da banda estão com sarrafos um pouco acima, o que não quer dizer que aqui também não estamos diante de um ótimo trabalho. Ao mesmo tempo em que podemos perceber um som derivado, também possui originalidade em um grau até mesmo surpreendente. Um rock progressivo mesclado entre momentos bombásticos e melodias mais tranquilas. Uma jornada que vale muito apena, pois o que não há de forma alguma aqui é uma escassez de composições de qualidade em todos os seus mais de 60 minutos. Uma mistura de influências da era clássica do rock progressivo com sons remodelados que implementam um frescor genuíno.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

The Uncrowned King - Act 1

Álbum disponível na discografia de: Evership

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 1 voto

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