Resenha

One To Zero

Álbum de Sylvan

2021

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

13/09/2021



Diversidade melódica, Intensidade e emocionalidade em um disco que desperta uma amalgama de sentimentos no ouvinte

One to Zero é o décimo disco da banda alemã de neo progressivo – tem quem a catalogue como metal progressivo, o que eu particularmente acho bem estranho -, Sylvan. Tudo aquilo que podemos esperar da banda é encontrado aqui, suas belas melodias criadas com muita sensibilidade por meio principalmente de uma grande variação de teclado, guitarras melódicas e vocais de muito requinte. Outro ponto importante a ser citado em relação a One to Zero, é que ele soa de uma maneira mais convencional, podendo atingir em cheio o ouvinte de forma imediata, enquanto que, por exemplo, seus dois discos anteriores, Home (2015) e Sceneries (2012), precisam de um pouco mais de paciência para que cada uma das suas texturas musicais seja apreciada de forma plena.  

Novamente, se trata de um álbum conceitual, onde a história aborda a autobiografia de uma IA de sua própria perspectiva, uma vez que foi criada para salvar o meio ambiente, reparando o que a humanidade danificou ao longo dos anos. A IA é movida por uma auto otimização eterna, e passa por um amadurecimento, mas o tempo todo lida com seus criadores humanos, conflitos internos e imperfeições que não levam à autodestruição, mas ao início de um novo ciclo de vida. 

“Bit by Bit” começa com algumas notas de teclado que criam uma melodia sombria. A banda então entra completa, sintetizadores espaciais lideram a peça antes de alguns riffs melódicos de guitarra também tomarem o “protagonismo”. Os primeiros vocais são bastante serenos enquanto que a atmosfera sombria o acoberta. Na sua parte final é onde a faixa ganha um pouco mais de peso. Um excelente começo de disco. “Encoded at Heart” começa por meio de um piano belíssimo em um tom bastante melancólico. Os vocais soam bastante afetuosos. Conforme a peça vai se desenvolvendo, ela vai mudando a atmosfera, como alguém que ao se mover por um túnel escuro, passa a enxergar uma luz no seu fim. Ainda há tempo para um solo de guitarra excelente.  

“Start of Your Life” começa com um rock mais direto e de riff pesado de guitarra. O seu ritmo constante leva a banda para uma linha mais pop. Possui mais uma melodia muito boa e do tipo que após ouvir apenas uma vez, não é estranho passar o resto do dia a cantarolando. “Unleashed Power” é mais uma peça que se inicia por meio do piano em algumas texturas de acordes maravilhosas, sendo seguido por algumas notas simples e vocais sentimentais – que durante a música consegue transmitir entre outros, raiva e desespero. O refrão dessa música é muito lindo. Um momento bastante comovente do disco.  

“Trust In Yourself” é uma música em que é possível notar algumas pinceladas de rock industrial. O refrão é mais um dos excelentes refrãos que podemos encontrar no disco. Apesar da linha industrial mencionada, também é entregue algumas cordas que conseguem incrementar um ar mais leve à peça. O solo de guitarra nessa música é na linha space rock. “On My Oddyssey” começa com uma combinação de notas muito bonitas em forma de orquestração. Apresenta alguns tons sinistros e uma linha de baixo muito constante e bem evidente. As incursões de violino fazem com que o seu caráter sinfônico fique mais amostra. No seu pouco menos de um minuto final, a banda mostra uma passagem instrumental simples, porém, do tipo que é impossível ficar parado sem mexer as pernas e/ou balançar a cabeça.  

“Part of Me” é mais das músicas do disco que começa por meio de algumas notas melancólicas de piano. A melancolia dos vocais unidos as cordas e toda a atmosfera criada, nos remetem um pouco ao Porcupine Tree. Então a bateria também entra em ação de forma suave, a guitarra entrega riffs repetidos – que em momento algum cansam o ouvinte -, os teclados criam paisagens sonoras orquestrais incríveis. Conforme vai se desenvolvendo a peça vai ganhando uma maior pompa, sendo o ápice o solo de guitarra muito bem construído no fim.  “Worlds Apart” começa por meio de uma melancolia bastante agradável, além de uma melancólica progressão e acordes. Em alguns momentos, esse tom é substituído por algo mais raivoso. O refrão é o de sonoridade mais otimista do disco, sendo fortalecido por um belo trabalho de backing vocal. 

“Go Viral” começa por meio de algumas teclas que soam como se fossem bateria eletrônica, sendo que depois ela explode com um riff de guitarra, além dos demais instrumentos que deixam a peça mais enérgica. Mas então há um recuo conduzido pelas teclas. No meio há um interlúdio atmosférico ao piano seguido por uma jam que soa quase como um heavy metal, onde podemos perceber algumas reminiscências de Tool e Steven Wilson. Se o começo era uma simples brincadeira nas teclas, no fim, a música já se encontra em uma linha sombria. “Not a Goodbye” é a maior faixa do disco e a que marca o seu encerramento. Possui inicialmente um limpo trabalho de guitarra junto de vocais expressivos. É mais uma peça do tipo que se constrói de forma lenta e demora um pouco para entregar o seu melhor. No fim, acaba sendo uma música com uma gama variada de dinâmica. Um final de disco excelente.  

Mesmo sendo uma banda que eu considero bastante consistente ao longo dos anos e a cada lançamento, ainda assim, One to Zero me parece soar mais especial do que a maioria dos seus discos anteriores. Sylvan certamente é uma das bandas mais criativas e talentosas dentro do âmbito moderno do rock progressivo, sendo esse disco, mais uma prova disso, onde apesar de possuir um tom principalmente triste, também há momentos para se entregar a outros sentimentos como a esperança e felicidade.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

One To Zero

Álbum disponível na discografia de: Sylvan

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 2 votos

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  • 17
    ago, 2021

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