Resenha

Of Brine And Angel's Beaks

Álbum de Azure

2021

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

10/09/2021



Of Brine And Angel's Beaks possui composições surpreendentes e que entregam algumas paisagens sonoras fantásticas

Falando de uma forma direta e reta antes de qualquer comentário, em Of Brine And Angel's Beaks o ouvinte tem cerca de sessenta e três minutos de uma bela viagem musical dentro do incrível mundo do progressivo moderno. O disco é de uma músicalidade bastante melódica e diversa, tanto que é bastante difícil fazer comparações com outras bandas, mas acho que Dream Theater e A.C.T podem ser – ou não - dois nomes interessantes para se mencionar.  

Existe uma marca muito distinta quando falamos de Azure, que é o seu brilho nas músicas, unidos a algumas camadas de drama e boa teatralidade, mesmo que eles muitas vezes façam uma narrativa de ar bastante sombrio. Isso sempre dentro de algumas linhas instrumentais virtuosas e estruturas musicais não convencionais. Mas embora eu falando dessa maneira possa parecer que estamos diante de um conjunto de músicas difíceis, o que a banda entrega são peças muito acessíveis e facilmente tocantes movidas a muita fantasia.  

“A Night Of Superlunary Gazing” tem pouco mais de um minuto e uma sonoridade atmosférica que pode ser encarada apenas como uma espécie de boas vindas da banda para o ouvinte. “Self-Crucifixion” mostra logo de início uma das características da banda, a mistura de sonoridade cheia de brilho e teatralidade quase lúdica, ao mesmo tempo em que o seu título e letras sugerem algo muito mais sombrio. Possui um solo de guitarra excelente e de muito virtuosismo.  

“Ameotoko I - The Curse” com pouco mais de nove minutos é a faixa mais longa do disco. Um dos grandes destaques aqui é a guitarra que gera algumas pontes que ao mesmo tempo que soam pomposas, também são concisas. Mas isso não quer dizer que os restantes dos instrumentos não brilham, pois eles também têm seus espaços muito bem preenchidos, principalmente os sintetizadores que conseguem impor tons do tipo sombrio, teatrais e melodramáticos sempre na medida certa. “The Jester Who Cheated Death” possui uma introdução de marimba do tipo que lembra alguns toques de telefone de tempos atrás. Novamente, o que temos aqui são melodias suaves executadas por uma banda que embora soe progressiva, está muito longe de querer ser pretensiosa. Aqui o que temos é algo quase como um power metal que vai fazer seus fãs cantarem com toda força nos concertos da banda.  

“Lustre: Siphon Of Umbra” possui alguns licks e riffs meio sombrios, mas ao mesmo tempo possui momentos que os contrastam por meio de melodias mais leves tocadas principalmente pelos sintetizadores. A banda em si sempre possui excelentes ganchos melódicos em suas músicas, sendo que aqui não é diferente. “Outrun God” possui desde os seus primeiros segundos uma linha bastante pesada, com a guitarra produzindo riffs de heavy metal e os demais instrumentos complementando a distribuição de peso. Em cada faixa do disco a banda parece entregar algo novo, mas mesmo assim se mantendo dentro de uma coesão.  

 “Mercy” é provavelmente a música de atmosfera mais pesada do disco. Mais riffs pesados e vocais muito adoráveis e teatrais “dançam e brincam” em uníssono. Como todas as outras faixas até aqui, novamente a melodia parece transportar o ouvinte para algum lugar. A suavidade dos sintetizadores também ajuda na criação de mais uma peça belíssima. “Of Brine And Angel's Beaks” é uma linda balada com violões cheio de sentimentos e melodias vocais cativantes. Possui um final fúnebre e assustador, dando um tom que é poucas vezes visto no disco.  

“A Sailor Will Learn”, assim como aconteceu em “Outrun God”, a banda entrega novamente alguns riffs com os dois pés no heavy metal. As texturas adicionadas pelos sintetizadores deixam tudo muito mais interessante. Os vocais mais uma vez são um show à parte, indiscutivelmente cheio de impacto e drama. É um dos meus momentos preferidos do disco. “Cup Of Poison” é uma peça de ritmo médio muito bem construída. O trabalho de guitarra é de uma beleza incrível, mas novamente toda a banda constrói mais uma melodia memorável, além, claro, de mais um excelente trabalho vocal de Chris Sampson – que nessa faixa tem o apoio de um coro feminino não creditado no encarte.  

“The Jellyfish” com pouco menos de três minutos é a menor faixa do álbum. Uma peça que possui uma influência indie – algo que poderia ser um grande problema pra mim -, porém, a banda mantém um excelente preenchimento instrumental, além de solos de guitarra feitos com muita finesse. “Ameotoko II – Cloudburst", logo quando começa, parece que estamos diante de alguma banda escandinava de power metal. Isso mostra um final de disco otimista, com uma linha instrumental bastante veloz, mas conforme ela vai se desenvolvendo, também “desaquece”, ficando mais melódica, porém, sem perder a sua intensidade.  

Of Brine And Angel's Beaks possui composições surpreendentes e que entregam algumas paisagens sonoras fantásticas. Muitas vezes, esqueço de elogiar os vocalistas dos discos que resenho – inclusive, um erro gravíssimo da minha parte -, mas não mencionar o desempenho de Chris Sampson é uma verdadeira heresia, pois é de tirar o fôlego durante todo o disco. Se a harmonia se manter entre os seus cinco integrantes, certamente que ainda vamos ouvir bastante o nome, Azure, pois eles demonstram ter musicalidade e autoconfiança para ir muito longe.  


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Of Brine And Angel's Beaks

Álbum disponível na discografia de: Azure

Ano: 2021

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 1 voto

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