Resenha

Mystical Adventures

Álbum de Jean-Luc Ponty

1981

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

08/09/2021



As aventuras místicas e multi-texturais de Jean Luc Ponty

O francês Jean Luc Ponty é o maior violinista de jazz e fusion da atualidade, sendo pioneiro no uso do violino elétrico, além de ser um competente compositor com uma prolífica carreira solo, e com álbuns embasados nas mais diversas influências.

No inicio dos anos 80, o músico já possuía uma discografia significativa, com residência fixada em Los Angeles, onde gravou o álbum no Cherokee Studios. Ponty manteve o pianista Chris Rhyne, o baixista Randy Jackson que gravaram os disco anterior e para sua nova empreitada trouxe o jovem Baterista Rayford Griffin, o percussionista brasileiro Paulinho da Costa e o guitarrista nova-iorquino Jamie Glaser. Este ultimo estabeleceria uma bem sucedida parceria que perpetuaria por toda década. 

“Mystical Adventures” é um álbum equilibrado, onde o violinista dosa suas influências de jazz, fusion, rock progressivo, experimentalismo e pitadas de pop comuns na musica instrumental oitentista.

A faixa titulo é uma longa suíte de mais de 19 minutos, divida em cinco partes, onde Ponty apresenta de forma homogênia as influências mencionadas, alterando passagens suaves com outras mais dinâmicas. Como disse,  a faixa é uma enorme suíte dividida em partes, mas há de se destacar o belo solo de Glaser na parte III antes da entrada do violino líder, e a parte V, muito climática e com vários sons de teclados que dão suporte para que Ponty se sobressaia encerrando o tema com perfeição;

A faixa seguinte, “Rhythms of Hope” é mais curta e cadenciada, apresentando Ponty utilizando exclusivamente o violino elétrico. Ela possui o mérito de apresentar um dos melhores e mais melódicos solos de contrabaixo de todos os tempos, cortesia de Randy Jackson, que se destaca em todo álbum por suas linhas oportunas e pungentes;

“As” é incomum por se tratar de um cover gravado pelo violinista.  É uma canção do clássico “Songs in the Keys of Life” de Steve Wonder. No lugar dos vocais, Ponty utilizou o vacoder*, muito popular nos anos 80 para fazer um contraponto com seu violino. Embora a versão tenha ficado interessante, é a faixa menos empolgante do disco;
“Final Truth” é dividida em duas partes, mas é bem menor que a faixa titulo. Na primeira parte, violino e contrabaixo se sobressaem por todo o tema, que conta ainda com um belo solo de piano de Rhyne. A segunda parte, bem menor e mais introspectiva, tem efeitos de teclados construindo a base para o solo do líder.
 
Por fim, temos “Jig”, a faixa mais jazzística do álbum, com destaque para a percussão do brasileiro Paulinho. Apesar deste lado jazzy, Rhyne entrega um solo de teclados eminentemente prog, contrastando com o tema e por isso mesmo o deixando muito interessante;
“Mystical Adventures” foi lançado em setembro de 1981 e marca o fim de um período para o violinista, que buscando uma evolução musical e evitando se repetir deixaria de lado as longas suítes e investiria em uma estilo mais simples e com acento cada vez mais pop. Embora possua uma extensa discografia, não é raro muitos admiradores apontarem este disco como o ápice da criatividade Pontyana. Um clássico absoluto 

*Vocoder (do Inglês, a contração de "voz + codificar") é um instrumento analisador e capaz de sintetizar a voz humana. Ele funciona como um codificador vocal. Sua função principal no campo de música é de tornar a voz humana numa voz sintetizada. O vocoder foi introduzido nos anos de 1930, originalmente para aplicações no campo de telecomunicações com fins de codificar a voz para transmissão eletrônica com seu uso primário sendo comunicação de rádio segura, tendo sido utilizada para fins musicais no final dos anos 60.


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Sobre o álbum

Mystical Adventures

Álbum disponível na discografia de: Jean-Luc Ponty

Ano: 1981

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,67 - 3 votos

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  • 09
    ago, 2018

    Mais do que uma experiência musical sólida, uma aventura mística

    User Photo Tiago Meneses

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